Sábado, 16.08.08

A Cinematical deixa uma pergunta no ar:  Será a Série Twilight anti-feminista?

A relação controladora e o facto de Bella estar disposta a deixar tudo para trás para ficar com Edward são alguns dos argumentos utilizados. (este artigo contém spoilers)

 

Você provavelmente está ciente, mesmo que você não curta livros sobre vampiros e pessoas desastradas, que a maioria das adolescentes estão apaixonando-se por um, que há uma popular série de livros chamada Saga Twilight, e que o primeiro livro da série, Twilight está sendo adaptado para as telonas pela a diretora Catherine Hardwicke. O que você não sabe é que um grupo de autoras estão chamando o livro de antifeminista.
A série Twilight cresceu em termos de popularidade, principalmente fora do radar feminista, até que ficou tão popular que feministas começaram a notá-la e ofendê-la. Eu notei as criticas feministas quando, Meg Cabot, autora de O diário da Princesa (entre outros livros para garotas) respondeu aos seus leitores que perguntaram a ela, em seu blog, o que ela achava da série: “Eu não adotei o sobrenome do meu marido quando casei. Você acha que eu realmente gostaria de uma história na qual a menina considera mudar de espécie por um cara? Sem querer ofender, mas como uma feminista, eu não consigo...”
Eu achei a posição de Cabot interessante porque, eu sou uma feminista, que também não adotou o nome do marido quando nós nos casamos, porém eu não consigo achar que o livro seja antifeminista. De qualquer forma, desde de o lançamento de Breaking Dawn, o quarto livro da série, no dia 2 de Agosto, os murmúrios feministas elevaram-se para a escala de rugidos!
No site Jezebel.com, num spoiler intitulado “ O que esperar quando você está esperando um Vampiro”, eles atacam o livro dizendo que ele contém “ uma assustadora atitude anti aborto”, promovendo a gravidez na adolescência ( No universo de Breaking Dawn, a gravidez na adolescência torna a sua vida mais radical), relacionamentos idealizados, que a personalidade dominante da heroína é uma baixa auto estima, e que os livros em geral promovem uma “ ideologia fundamentalmente conservadora”
Eu vi os livros queimando em vários lugares, sendo chamados de “Manual para um relacionamento abusivo”, ridicularizando a personagem Bella por ter uma baixa auto estima e por ser obcecada por um vampiro controlador e outras coisas. Eu acabei de ler Breaking Dawn, que, interessantemente, provou ser um divisor de opiniões mesmo entre os fãs mais fanáticos da série, de fato, eu não me recordo de ter visto nenhum livro, de uma série tão popular, cuja continuação tenha causado tanta controvérsia entre os fãs.( Só para constar, eu acho que estou sendo justa com o fato de não estar louca pelo Livro Breaking Dawn, mas não pelas mesmas as razões que a maioria das feministas possuem.) Eu quero discutir aqui as principais partes da série, principalmente Breaking Dawn, nas quais as feministas possuem alguns argumentos.
1) A série Twilight é inteiramente feminista pois Bella está disposta a transformar-se em uma vampira para ficar com Edward para sempre.
Um fato que os críticos da série estão deixando escapar é que a autora Stephenie Meyer é uma mórmon devota. Enquanto é fato que alguns autores deixam de lado suas crenças religiosas quando escrevem, eu devo dizer que o mormonismo de Meyer formou o modo de como ela vê o mundo, e esta influência, basicamente, condiz com as relações entre homem e mulher na série, especialmente a relação entre Edward e Bella.
Bella descreve-se, repetidamente durante a série, como simples, frágil, chata e imperfeita, enquanto ela idealiza Edward como deslumbrante, perfeito, eterno, e como um Deus. Meyer, pelo o que eu sei, nunca deixo explícito que seus livros possuem a intensão de personificar sua fé mórmon, eu acho que analisar a série sem este contexto é ignorar um grande pedaço das idéias que se encontram nas entrelinhas.
Não sou mórmon, então a minha compreensão das crenças mórmons vem do meu estudo informal das religiões e de conversas com meus amigos mórmons. No geral, o que eu aprendi é que, o Mormonismo prega que sua doutrina é o único caminho para a salvação eterna, e que casamentos “selados” em templos mórmons unem casais (e as crianças nascidas desta união) não apenas “ até que a morte os separem” mas para toda a eternidade. Este entendimento se torna particularmente importante na série Twilight no quarto livro, onde os votos do casamento de Bella e Edward são bem parecidos com os votos de uniões mórmons.
Olhando-se pelo contexto da fé de Meyer, pode-se concluir que o relacionamento de Bella com Edward é uma metáfora do relacionamento entre um individuo e sua fé. Edward – e conseqüentemente, o desejo que Bella possui de torna-se vampira—representa a perfeição física, a cura das falhas humanas, e a vida eterna. Bella quer virar uma vampira para ficar com Edward para sempre, sim, mas o seu desejo, na verdade, é mais complexo que isso, ela não penas idolatra a vida vampiresca de Edward, mas também a da família Cullen inteira.
2) O relacionamento entre Bella e Edward é abusivo e controlador.
Algumas críticas da série ridicularizaram a vontade que Bella tem de abrir mão, para sempre, de seu relacionamento com a família e os amigos para ficar com Edward, mas, se você ler os livros atentamente, Bella menciona algumas vezes que ela acredita que será capaz de controlar sua “sede por matança” quando for uma vampira recém nascida, e que com o tempo conseguirá achar um jeito de manter estes relacionamentos enquanto que seus sonhos vampirescos tornam-se realidade.
Bella nunca acredita que abrirá mão de seus pais, ou mesmo de seus amigos, para sempre. Ela quer as duas coisas, e sua força de vontade é tão forte que, no quarto livro, quando ela vira uma vampira, os Cullens ficam admirados com a habilidade que ela possui para controlar seu desejo por sangue como uma recém nascida. Isto, para mim, não demonstra uma personagem feminina que é fraca e controlada pelos outros – ela nem mesmo é controlada por sua nova natureza, como o resto deles foram, ela a controla, por meio de sua força de vontade de ter o controle da situação.
Além do mais, ao decorrer da série, Bella persuade Edward tanto quanto ele a persuade. É Bella que repetidamente dá o primeiro passo nas relações sexuais, e Edward controla a si mesmo com medo de que ele a machuque em seu frágil estado humano. Edward não força nem coage Bella a tornar-se vampira, ao contrário – ele repetidamente resiste em transformá-la em vampira, pois ele acha que ela perderá sua alma, e é Bella quem finalmente força Edward a concordar com os seus planos de juntar-se a ele em uma vida eterna. Ela talvez tenha alguns problemas de auto estima, porém ela não é fraca!
3) O quarto livro da série, Breaking Dawn, é particularmente anti feminista pois Bella fica grávida com uma criança metade vampiro que quase a matada durante a gravidez, porém ela se recusa a fazer um aborto.
Este assunto realmente me atiça, mas antes de nós mergulharmos nestas águas turvas, precisamos de uma definição de conceitos. Para mim, grande parte das minhas crenças feministas têm a ver com o conceito do direito de escolha. Isto quer dizer, eu acredito que ser feminista é ser a favor do direito de escolha, o que não é o mesmo que ser a favor do aborto. A idéia do direito de escolha significa apoiar as mulheres em suas decisões sobre o que é certo para sua gravidez, não difusão da idéia de que o aborto é a única escolha certa.
Em Breaking Dawn, Bella se recusa a fazer um aborto, mesmo com o fato de que a gravidez e o parto podem matá-la, ela acredita que caso ela chegue perto da morte, os Cullens irão salvá-la tornando-a uma vampira antes que seja tarde demais. Como algumas mães podem confirmar, o instinto maternal que leva uma mulher a proteger a criança em sua barriga é muito forte, e pode até fazer com que a mulher se sacrifique para proteger seu bebê.
Desde de quando a maternidade e o extinto maternal é inteiramente antifeminista? Algumas mulheres escolhem serem mães, outras não, e isto faz parte da ideologia feminista de liberdade de escolha. Mas a liberdade de escolha tem de funcionar de ambas as formas, não apenas de uma, o direito de uma mulher escolher o aborto, tem de, por outro lado, incluir o direito que ela possui de seguir em frente com a gravidez, mesmo que isso ponha sua vida em risco. Veja isto de uma outra forma, o que estas feministas diriam para um médico que estivesse forçando um aborto numa mulher grávida que não quer o bebê? Você não pode ter sua liberdade de escolha apenas de uma forma.
4) O Quarto livro promove e idealiza a gravidez na adolescência.
Eu acho um insulto, para as várias excelentes, dedicadas, jovens mães que eu conheço dizer que a gravidez no final da adolescência (e no começo da casa dos vinte) é o Fim do Mundo. Eu tive minha filha mais velha quando eu tinha 17 anos, e eu sobrevivi e amadureci. É o caminho mais fácil ou o que eu recomendaria para as minhas próprias filhas? Não, não exatamente, mas minha vida hoje não seria o que é se minha filha mais velha não tivesse sido parte do caminho que minha vida percorreu, então eu não considero que isso acabaria com a vida delas.
E francamente, eu sei que algumas mulheres na casa dos trinta e quarenta são mães bem piores do que jovens mães que conheci. A habilidade de ser uma boa mãe e de crescer com as mudanças inevitáveis que a maternidade acarreta tem mais a ver com o caráter da mulher do que com o número de anos em que ela vive neste planeta.
Então, não, eu não acredito que a série Twilight seja inteiramente antifeminista. Eu também não acho que as críticas negativas por parte das feministas irão afetar as bilheterias do primeiro filme. Eu acho que os fãs apoiarão o filme, até mesmo aqueles fãs que não gostaram do quarto livro não conseguirão ficar longe da versão cinematográfica do primeiro livro. Se Breaking Dawn, com seu parto sangrento e sua falta de ação, poderá tornar-se um filme, bem, isso já é assunto para um outro dia.
 

Tradução: Twilight Team




O Reelz Channel tem uma série de entrevistas em video com o elenco de Twilight. Podes ver aqui.

 

Alguns membros da equipa do Twilight Vinculum estiveram presentes no evento de Breaking Dawn em Seatle.

Podes ver aqui algumas fotos, e aqui alguns videos.

 



Patrícia_TP às 16:09 | link do post | comentar

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