Quinta-feira, 25.08.11

"Angel Of Mine"

Capítulo 11 – O Vampiro dos Vampiros

 

 

 

 


Edward não faltou à sua palavra. Nos dias seguintes, mais ou menos à mesma hora, lá estava ele, pendurado na minha janela, a sua pele mais branca do que nunca em contraste com a noite escura.
Durante esse tempo, falou-me mais de si, dos sítios que visitara ao longo dos anos, de algumas pessoas que tinha encontrado durante os séculos, e dos seus gostos.
Evitava falar do período em que tinha sido transformado, e da sua relação com outros vampiros. Cada vez que nos aproximava-mos desse assunto, mudava o tema da conversa ou limitava-se a não me responder simplesmente. Tudo isso me intrigava profundamente, mas achei que quando estivesse preparado para falar, falaria.
Fazia também muitas perguntas, queria saber todos os pormenores da minha vida insignificante, tudo aquilo que lhe escapara durante os anos em que, sem eu saber, ele me visitava.
Conversava-mos durante horas, e era mais difícil para mim ir dormir depois de ele se ir embora. Por mim continuaríamos a falar a noite inteira, não me cansava de o ouvir falar.
Na quinta-feira à noite, depois de mais uma conversa longa, chegara a altura das despedidas. Edward parecia mais distante hoje, mais sério.
- Bella, já me esquecia, amanhã vou para Seattle de novo. – Pela sua expressão pude ver que não estava muito agradado com isso. – Mas é necessário, por isso amanhã não vou à escola, nem virei aqui à noite.
Tentei ao máximo não me mostrar tão desapontada quanto me sentia.
- Mas estava a pensar... Que podíamos sair no sábado?
- Que tipo de saída tens em mente? – Não queria voltar a cair no erro de interpretar erradamente as suas palavras.
- Posso vir buscar-te e então poderemos ir onde quiseres.
- Parece-me bem. – A ideia de convivermos para além das paredes do meu quarto era agradável. Na escola, e com a constante presença da família dele, nunca podíamos falar abertamente, ou estar tão à vontade como quando estávamos sozinhos. Por isso, sentia-me feliz por podermos passar algum tempo longe de tudo.
- Vais ficar bem? – Perguntou-me enquanto se levantava do meu lado.
- Estava a pensar exactamente o mesmo... Vais ficar bem em Seatlle? – Não conseguia não sentir preocupação.
- É claro que sim... - Não pareceu dar a mínima importância às minhas preocupações. – Preocupa-te contigo Bella, não comigo.
Já se encontrava junto à janela quando se voltou de novo para mim.
- Não vais dar-me um beijo de despedida?
Oh meu Deus, como é que ele era capaz de me fazer isto?! Senti-me a corar mais do que nunca, mas levantei-me e dirigi-me até ele. Tive que me por em bicos de pés, pois ele era mais alto do que eu, e com cuidado depositei um pequeno beijo na sua bochecha, sentindo os meus lábios em contacto com a pele fria. Quando me afastava, senti a sua mão na minha nuca, que me empurrou de novo na sua direcção. Senti os seus lábios de encontro nos meus, esmagando-os de forma abrupta. Será que ele tinha sempre que me beijar de surpresa?!
- Isto sim é um beijo de despedida. – Sorria mais do que nunca. Ele era incrível. Conseguia deixar-me completamente sem jeito. - Então até Sábado Bella.
Deixou-me ali, imóvel e estupefacta enquanto desaparecia na noite.

*
Levantei-me na sexta-feira de manha, sem o ânimo que já me era habitual nos dias passados. A ideia de chegar à escola e não encontrar Edward à minha espera, não me agradava particularmente.
Até as aulas me pareciam mais aborrecidas do que nunca. O relógio andava tão devagar que bem podia estar parado, e eu mal podia esperar pelo dia seguinte, para estar com Edward outra vez.
Estar longe dele fazia-me mal. Quando ele partia, levava com ele toda a felicidade, toda a cor na minha vida deixava de existir. Sem ele não havia nada.
Não podia continuar a nega-lo. Não havia volta a dar. Todos estes sentimentos só me podiam fazer concluir uma coisa: estava apaixonada por ele. Completamente apaixonada.
Estava tão perdida em pensamentos que não reparei que alguém falava comigo. Era Alice.
- E então Bella, o que achas?
- Desculpa, o quê?
- Estava a dizer se queres passar lá em casa. A minha mãe está fora da cidade, e o meu pai vai trabalhar à noite, por isso estava-mos a combinar pedir umas pizzas.
Não estava muito entusiasmada para ir, mas Alice e os outros insistiram tanto que não tinha como não concordar. Charlie e Jacob também não iam estar em casa, por isso ou ia ou ficava em casa sozinha.
Achei que era melhor estar com pessoas, ou ficaria a pensar em Edward e a deprimir por ele não estar aqui.
Deixei uma mensagem ao meu pai, e depois de ir buscar alguns livros à biblioteca, dirigi-me para a mansão dos Cullens. Ao subir as escadas que davam acesso à entrada, de tão distraída que ia, tropecei num dos degraus e arranhei o joelho. Deixei escapar alguns nomes feios, e ainda a queixar-me toquei à campainha. Foi Carlisle quem me abriu a porta.
- Bella, o que se passou? Pareceu-me ouvir qualquer coisa.
- Caí nas escadas, nada de mais. – Tentei desvalorizar a situação, mas a verdade é que me doía bastante.
- Por favor entra. Queres que dê uma vista de olhos?
- Acho que não é preciso, não deve ser nada grave.
- De qualquer das formas, acho que é o melhor. – Parecia algo que Edward seria capaz de dizer. Com o meu pequeno acidente anterior ainda vivo na memória, achei que, se Edward estivesse aqui, gostaria que eu tratasse da ferida.
Acenei com a cabeça em concordância e acompanhei Carlisle ao seu escritório.
Dobrei as calças até cima do joelho, e de facto vi que tinha uma grande ferida, não admirava que me doesse tanto. Carlisle afastou-se por uns segundos enquanto procurava o que necessitava.
- Então Bella, como tens andado?
- Bem... - Não sabia o que lhe dizer.
- Tu e o Edward têm conseguido entender-se, fico muito feliz por isso. Ele já está sozinho há tempo demais.
A princípio não entendi o que me dizia. Mas pelas suas palavras era óbvio que sabia de algo. Talvez ele soubesse a verdade, nunca perguntara tal coisa a Edward. Ele tinha-me pedido que não comentasse nada com a sua família, nunca pensei que um deles pudesse saber de algo. Agora que pensava nisso, como tinha deixado uma pergunta tão importante por fazer?!
- Carlisle, você sabe... da verdade sobre o Edward?
- É claro que sim, já há muitos anos. É estranho, conheci o Edward quando tinha mais ou menos a tua idade, e ele não mudou nada. – Olhou-me, os seus olhos generosos e complacentes. – É um segredo de família. Foi muito difícil para mim lidar com isso. Mas vejo que te estás a adaptar bem, agrada-me sabe-lo.
- O Edward falou-lhe de mim?
- Há anos que ele não faz outra coisa. – Riu-se. – Nunca o tinha visto assim.
Estava confusa. Edward devia ter-me avisado sobre isto. Ele tinha-me pedido que não comentasse com ninguém, pensei que era segredo absoluto.
- Os outros sabem de alguma coisa?
- Alice sabe que há algo de errado com o Edward, mas nem por isso deixa de o tratar como um membro da família. É muito observadora. Mas todos acabarão por saber um dia. Todos os Cullens acabam por saber, como te disse, é um segredo de família.
- O Edward não me falou sobre nada disso ainda...
- Dá-lhe tempo. Ele não é por natureza uma pessoa aberta. Tenho a certeza que está a ser difícil para ele. Agora com todos aqueles vampiros aqui à porta com os quais tem de lidar...
- Porque é que ele tem de lidar com eles? – Algo na maneira como Carlisle falou, deu-me a entender que Edward não havia dito tudo o que se passava. Algo me dizia que estes vampiros não eram simples visitantes.
- Bella, vais desculpar-me, mas acho que é uma pergunta que terás que lhe fazer a ele. Acho que ele prefere que não te fale sobre isso, além de que não creio ser a pessoa indicada para te responder.
- Ainda há tanto que não sei sobre ele... - Falei mais para mim própria. Era a mais pura das verdades. Todas as conversas que tinha-mos tido, e ainda havia tanto para descobrir, tanto para saber.
- Tens de ter calma com ele. Eu sei que é difícil, e eu sei que talvez seja pedir demais. Na verdade, estou admirado que tenhas conseguido lidar com tudo com tanta calma como tens feito. Mas eu conheço o Edward há muito tempo, e é a primeira vez que o vejo assim. Tu és a primeira coisa boa que lhe acontece desde há muitos anos.
- Não sei porque... Não vejo o que ele vê em mim assim de tão especial.
Carlisle tinha acabado de desinfectar o meu joelho, e com cuidado aplicou uma pequena ligadura. Quando acabou, arrumou as coisas e sentou-se ao pé de mim.
- Eu entendo que seja difícil para ti entender, Bella. O coração vê com outros olhos, e embora eu não te possa dizer o que o Edward vê quando olha para ti, acredito que é algo que lhe traz enorme felicidade.
- Carlisle, sei que talvez não seja a sua competência dizer-me, mas eu gostava de saber. – Concentrei-me na melhor maneira de expor a minha preocupação. – O que querem estes novos vampiros com o Edward? Ele foi para Seattle hoje, e acabou de me dizer que ele foi lidar com eles? E se lhe acontece alguma coisa? E se eles o magoarem?
- Bella, vou pedir-te que não te preocupes. Nenhum desses vampiros é capaz de fazer seja o que for contra o Edward.
Não conseguia acreditar na calma e segurança com que ele mo dizia.
- Mas e se... - Não me sentia mais calma.
- Bella, eles não podem fazer-lhe mal.- Disse aquilo de uma forma que não deixava margem para dúvidas. Ele acreditava realmente nisso. Mas, como é que ele podia ter toda aquela certeza?
- Como pode ter assim tanta certeza?
- Como já te disse Bella, acho que isso são perguntas que deves dirigir ao Edward.
- Carlisle, o Edward não está aqui agora, e eu estou preocupada! Se sabe de alguma coisa, por favor, diga-me.
Olhou-me em silêncio durante uns momentos, como que a avaliar os pros e os contras. Suspirou.
- Há vampiros, mais poderosos do que outros, de acordo com a sua descendência, ou seja, de acordo com o seu criador. O primeiro vampiro, era o mais poderoso de todos, e transformou apenas um selecto número de pessoas. Esses eram conhecidos com os originais, e eram bastante poderosos. Mas ao ver que eles se tornavam gananciosos e imprudentes, o Primeiro achou que mais nenhum vampiro devia possuir tamanho poder, e jurou não transformar mais ninguém. Esse poder não vinha sem responsabilidade, mas os originais não se preocupavam senão com eles mesmos. Quando surgiram os caçadores, foram caçados um a um até que não restasse nenhum. A sociedade dos vampiros tornara-se uma desordem, eles precisavam de alguém mais forte que os liderasse. Quando os caçadores se voltaram para ele, o Primeiro soube que não podia abandonar a sociedade dos vampiros sem um líder, e mordeu um humano, na esperança de que ele impusesse a ordem. Esse humano tinha 19 anos, morava em Inglaterra, e chamava-se Edward Cullen.
Quando acabou de falar Carslisle olhava-me como que à espera de que entrasse em pânico ou algo do género.
- O Edward tem razão, lidas incrivelmente bem com coisas estranhas. – Disse-me ao ver que a minha expressão não se alterava.
Na verdade sentia-me mais confusa e atarantada do que deixava transparecer.
- Isso quer dizer que o Edward é o vampiro mais poderoso? O mais poderoso que existe?
- É verdade. Chamam-lhe o vampiro dos vampiros. O único de olhos dourados. O Primeiro vampiro também tinha os olhos dourados, e todos os que ele transformou herdaram essa característica. É assim que eles medem o poder uns dos outros, quanto mais claros os olhos mais poderosos são.- Suspirou. - É um fardo que ele não pediu para carregar, mas que tem suportado há mais de cinco séculos.
- O que aconteceu a seguir... quando foi transformado?
- Bem, a princípio não percebia a importância que ele próprio tinha. Os outros vampiros não o largavam, precisavam urgentemente de um líder. Mas o Edward nunca quis o poder. Criou o concelho dos anciãos, com os mais antigos vampiros que existiam, e deixou-os encarregues de fazerem cumprir a lei. Mais tarde, fez um acordo com os caçadores, e conseguiu tréguas entre as duas espécies. Desde aí tem levado uma vida mais sossegada, mas nunca completamente.
Não sabia o que pensar. Não acreditava que ele nunca me tinha falado de tudo isto.
- Bella por favor não o condenes, por não te ter falado sobre este assunto. Ele tem tentado manter-se tão afastado de tudo isso quanto lhe foi possível.
Toc, toc, toc.
Alguém bateu à porta do escritório.
- Bella estás aí? – A cabeça de Alice espreitou pela porta aberta. – Bem me pareceu. Vi o teu carro estacionado lá fora. Pai, ainda aqui? Não estás atrasado para o trabalho?
Carlisle olhou para o relógio que trazia no pulso.
- É verdade. É melhor ir andando. Bella toma cuidado com o joelho.
Lançou-me um olhar significativo, antes de se despedir, agarrar nas suas coisas e sair.

 



Constança às 22:00 | link do post | comentar

4 comentários:
De Sarah Cullen a 25 de Agosto de 2011 às 22:35
Este capitulo está muito bom, é bastante explicativo em relação à personagem de Edward nesta fanfic.

Continua assim....


De Anónimo a 25 de Agosto de 2011 às 22:52
estou a adorar a fic, é linda, e diferente por favor não abandones, bjs e continua


De Jessica a 25 de Agosto de 2011 às 23:20
Foi bom saber mais coisas sobre o Edward!!! Gostei muito *.*

Continua :D

Beijinhos!!! ^^


De elle a 26 de Agosto de 2011 às 10:06
muito bom! muito bom! muito bom! adorei...
quero muito ver a proxima


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