"The Sweetest Kiss"
Capítulo 14
- Para onde queres ir agora? - Perguntou Richard encostando-se a um tronco descontraidamente - Temos todo o tempo do mundo.
Mordi o lábio. Não tinha nada contra Richard e muito menos contra a sua companhia mas, no entanto, sabia que precisava de algum tempo para pensar e reflectir comigo mesma. Olhei para Richard tentando inventar uma desculpa que fosse minimamente convincente.
- Tenho de ir a uma festa de um grande amigo meu. Ah, aliás ainda lhe tenho de comprar o presente por isso, tenho mesmo de ir. - Comecei a afastar-me - Foi um prazer. Adeus.
Richard levantou-se e fechou os olhos com força. Ficou assim durante uns segundos até que, por fim, sorriu.
- Passa-se alguma coisa? - Perguntei curiosa?
- Não, nada. Apenas acho que precisas de saber uma coisa.
- Preciso? O quê?
- Há vampiros que nascem com dons, sabias?
- Eu sei. - E revirei os olhos - E?
- Eu tenho um dom muito especial. Consigo saber se as pessoas estão a dizer a verdade. - Sorriu, mostrando os seus dentes super brancos.
- Ah... - Tinha sido apanhada.
- Por isso, quando disseste que tinhas de ir a uma festa e que tinhas de comprar um presente para o teu "grande" amigo resolvi ver se estavas a mentir. Apenas por curiosidade.
- Não tens nada a ver com o que eu penso! Eu minto se eu quiser. Não tens o direito de entrares na minha cabeça e controlares tudo! Por isso, não, não tenho nada para fazer neste momento mas vou-me embora porque não quero estar contigo, ok?
- Ok. Até te deixava ir. Mas não o posso fazer.
- Porquê? - Perguntei furiosa.
- Sei que mentes. Sei que a minha presença te incomoda. Sei que é apenas por isso que não me queres a teu lado. Sei que existe alguém na tua vida que te está a fazer recuar em tudo o que queres fazer.
- Tu. Não. Sabes. Nada. - Disse por entre dentes.
- Sei, acredita que sei. Mais do que aquilo que tu irás saber algum dia.
- Isso é alguma ameaça?
- Ameaça? Não, querida. Não é ameaça nenhuma. Apenas um facto. A ideia que tens de mim é que sou um gajo super bacano, que gosta de viver a vida sem preocupações e que tem todo o tempo do mundo para alguma coisa mas, como já te tinha dito, há imensas coisas sobre mim que não sabes.
- Como por exemplo?
- Eu agora apenas existo para uma única coisa: vingança.
- Vingança? De quê?
À medida que Richard falava os seus olhos ficavam cada vez mais vermelhos. Conseguia ver uma tristeza constante no seu olhar.
- À alguns anos atrás, não muitos, recebi uma noticia que me chocou imenso. Uma grande amiga minha fora morta por outro vampiro.
- Ela também era vampira?
- Sim, era. Era uma amiga de longa data. Sempre a amara mas ela nunca chegou a saber. Estava apaixonada por outro por isso, tive de a deixar ir. No entanto, o companheiro dela fora morto por um vampiro que tentava proteger a sua companheira. Pensei que, assim, fragilizada como ela estava, a Boneca caísse nos meus braços.
- Boneca?
- Sim, era a alcunha que lhe dava. Ela parecia uma autêntica boneca com cabelo aos caracóis. Ainda me é difícil dizer o nome verdadeiro dela por isso, trato-a sempre por "boneca".
- Sim, continua.
- Durante algum tempo nunca mais a vi. Mas soube que ela tinha arranjado outra pessoa. Fiquei destroçado. Não merecia uma segunda negação por parte dela. Era demais do que podia aguentar. Algum tempo mais tarde disseram-me que ela tinha morrido.
- Mas morreu porquê? Quem foi o vampiro que a matou?
- O mesmo que tinha morto o antigo companheiro dela.
Toda a história era demasiado confusa. Sempre achara que Richard não tinha qualquer problema. Sempre achara que era eu que tinha problemas para lidar. Mas não, não estava sozinha.
- Agora a única coisa que me resta é vingança. Preciso de matar aquele que me tirou a minha alma gémea. Preciso de ti Rosalie.
- Desculpa? Precisas de mim para quê?
- Preciso de alguém que me ajude. Preciso de alguém que me entenda. Ajuda-me a vingar a morte da Boneca, Rose. Ajuda-me a matar aquele que me destruiu a vida.
- Não sei o que poderei fazer para te ajudar Richard.
- A partir de agora tu e eu somos uma equipa. Eu ajudo-te e tu ajudas-me. Combinado?
Não tinha nada a perder. Estava sozinha e ele também. O que é que eu perdia? Nada. Não tinha nada a perder.
- Combinado. - Disse sorrindo.


