Sexta-feira, 30.09.11

"Brianne"

Capítulo 18 - Coisas Sobre Mim

 

 

 

 

 

Não gostava de me chatear com Kelly.
Odiava sentir-me culpada.
Chuva em demasia chateia.
Gostava de cozinhar para descontrair.
Não me agradava a ideia de andar a esconder coisas à minha família.
Queria ter uma conversa franca e definitiva com Ellen
Bem, estava a gostar de ter como amiga uma vampira.

Pensava nestas coisas á media que me afastava da "civilização" e me embrenhava no lado mais florestal e mais longínquo da cidade.
A minha vida estava uma confusão – há duas semanas atrás, era tudo bem mais fácil – ia e vinha da faculdade, tinha uma relação calma e saudável com Kelly e estava a solidificar amizade com as minhas novas colegas.
Agora...
Lá estava eu rodeada de eucaliptos e arvores diversas, no meio do nada, á espera da minha mais recente amiga, Ellen - a vampira. Para nem falar que a minha-sempre-amiga, Kelly naquele momento me devia odiar.
Respirei o ar húmido e frio da noite, e afrouxei o passo. A chuva havia cessado, resumindo-se agora a meros pingos.
Já não devia faltar muito para Ellen me presentear com a sua companhia. Se bem a começava a conhecer, ela apareceria sem avisar.
Continuei a andar, na esperança que Ellen aparecesse – agora que estava mais calma, começava a sentir-me assustada por estar sozinha, molhada e solitária no meio do nada, rodeada somente por árvores.
- Olá! – disse uma voz melódica e sedutora, mesmo ao meu lado. Dei um salto, sobressaltando-me.
- Ellen! Tens de parar com estas entradas!! Pode ser? – repreendia, com a mão sobre o coração.
Ellen sorriu-me.
Não pude deixar de me sentir vexada mal a olhei. Mesmo debaixo de chuviscos, e somente com a luz da iluminação pública, Ellen, estava um espanto. Era a primeira vez que a via de calças de ganga e sapatilhas, mas este facto não ajudou em nada o meu ego, muito pelo contrário...
Ellen aproximou-se de mim, ignorando a minha estupefacção e colocou-me uma mão no ombro.
- Queres conversar? - decerto Ellen sentia o turbilhão de emoções que eu ainda não conseguira dissipar.
- Nem por isso – respondi com uma careta. Se eu tentasse reproduzir o que dissera a Kelly, as minhas emoções ficariam tão alteradas que seria impossível para Ellen permanecer perto de mim.
- OK – assentiu.
Ellen recomeçou a marcha, e eu precipitei-me atrás dela. Caminhamos lado a lado durante breves minutos. O silêncio da noite soube-me bem, agora que estava acompanhada. Sentia os meus músculos, anteriormente retraídos, a soltarem-se e a descontamine-se. O doce cheiro de Ellen, misturava-se com o de terra e eucaliptos molhados – era uma combinação que me parecia natural, afinal muitos dos vampiros viviam assim mesmo, no meio da vegetação.
Algum tempo decorrido, Ellen interrompeu os meus devaneios e o silêncio da noite gelada, com a sua angélica voz.
- Posso fazer-te uma pergunta?
Consegui pressentir um sorriso na sua voz.
- Sim – respondi no mesmo tom.
- O teu nome... - hesitou – Porquê? Por que te chamas Brianne?
Olhei-a com os olhos semicerrados. Ellen sorri-me calorosamente, e ergueu automaticamente as mãos à sua frente em sinal de desculpa.
- Não que eu tenha alguma coisa contra! – referiu – Mas, estamos em Portugal!
Sorri-lhe também. Toda a gente, num momento ou noutro perguntava qual a origem do meu nome. Afinal, a minha família era tão portuguesa como o Zé Povinho. Nunca tínhamos saído de Portugal, vivíamos há anos na mesma vila... e na altura de me baptizarem, a minha mãe em vez de me chamar Maria, Rita ou Ana, chamara-me nada mais, nada menos do que Brianne.
Bem, esta sim era uma história em peras! Algures nos anos 80, duas amigas sonhavam ter uma banda de rock, serem as Joan Jett e a Cherry Currie portuguesas – bem, pelo menos em parte... sem as partes más, só com o sucesso! (OK!!)
Os anos foram passando, e minha mãe e a de Kelly, deixando este sonho ganhar novas ramificações, que passaram a incluir os seus namorados.
Já casadas, e sem banda, ficam grávidas e decidem passar o seu legado às filhas. Para isso deram asas à imaginação para que o nome dos seus querubins fosse digno de banda de rock, do século XXI! Daí resultaram: Brianne e Kelly!
- Bem, mães imaginativas! – respondi sorrindo.
- Pois! Bem me parecia! – respondeu Ellen igualmente a rir.
- E tu? Ellen de...
- Como já te tinha dito, não me lembro de quase nada... mas falo bem português – quer dizer com o meu dom é mais fácil falar línguas, suponho que apreendo mais rápidamente... posso muito bem ser Helena, Elena ou algo semelhante, mas como as minhas criadores não são portuguesas....
- Mas no e tu grupo não se fala português?
- Fala. Todos falamos. Português e outras línguas. – respondeu revirando os olhos, agora levemente menos acastanhados do que naquela tarde devido á ausência de lentes.
Decidi que não queria saber quais... para bem do meu frágil ego.
Seguíamos agora por uma parte de mato. As minhas pernas, debilmente protegidas por umas calças encharcadas, estavam a ficar bastante arranhadas.
Parei. Na minha mente começavam a surgir bastantes perguntas, mas havia uma que eu não podia mais adiar.
Ellen parou a meu lado.
- Pergunta – incentivou-me. Decerto que ela sentia a minha tensão crescente.
- Ellen... conta-me... aquela história dos Cullen... o que quiseste dizer no outro dia? – disse de rajada.
Ellen olhou em redor.
Caminhou em frente, e mais uma vez segui-a. Sentou-se num tronco caído á nossa frente, já afastado do mato que anteriormente me fustigava.
Sentei-me a seu lado.
Ellen estava empoleirada numa posição que aos olhos de um humano era deveras incómoda. Mas para ela deveria ser como qualquer outra.
Pela primeira vez, desde que a conhecia, reconheci tensão e nervosismo vindos dela. Parecia nervosa quando começou a falar.
- Eu vou contar-te tudo desde o inicio, Brianne... apenas te peço que me oiças com atenção... e que não me julgues.
Senti um aperto no estômago. O que teria Ellen assim de tão grave para me contar?
Ellen respirou findo. Pousou a mão delicadamente sobre a barriga – exactamente onde eu sentira a dor, e começou a sua história.

 



Constança às 22:04 | link do post | comentar

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