Terça-feira, 29.05.12

 

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Entrevista com um vampiro

 

Cresceram presas em Robert Pattinson depois da Saga Crepúsculo. Está a colocá-las para fora para retratar um rapaz ganancioso de ouro para Cronenberg. Charmoso e honesto, recebeu-nos em Los Angeles. Por Jacky Goldberg.

 

A entrevista aconteceu no último andar da Soho House, que tem vista para a Sunset Strip. Foi no terraço do clube particular, onde câmaras e telefones foram proibidos. Ele estava sem o seu agente de imprensa. Estava com uma barba de três dias, boné, calças casatanhas e uma camisa xadrez.

 

A entrevista durou uma hora.

 

Agora vives em Los Angeles?

Robert Pattinson: Sim, por um tempinho. Inicialmente, não sabia o que fazer lá e, agora, quando eu estou longe, sinto falta. Ainda mais do que de Londres, onde cresci, mas de onde todos os meus amigos saíram. A minha família ainda vive lá, mas querem vir para cá, o mesmo que os meus amigos. É uma loucura, tudo o que precisas é de passar um dia em Los Angeles para te quereres mudar. *Risos*

 

 

O filme afasta-te da tua imagem de jovem apropriado, moldada por Crepúsculo e alguns filmes que fizeste desde então. Percebeste isso, enquanto estavas a filmar?

Robert Pattinson: Claro. Fico com medo de ficar marcado *pensa por um momento*… como a maioria dos actores que começa assim: é importante expandires-te desde muito cedo. Esse é o ponto. De facto, recebi a oferta para o papel principal de Cosmopolis no meu último dia de filmagens de Amanhecer. Logo, naquele momento em que pensei estar com medo de me repetir e bam! Cronenberg está a ligar-me! É melhor do que tudo o que eu poderia sonhar. Agora estou curioso para ver como o filme será recebido.

 

Pelo contrário, restringires-te somente para filmes independentes e não fazer mais grandes sucesso, assusta-te?

Robert Pattinson: Honestamente, se eu pudesse fazer somente filmes como Cosmopolis, seria incrível. Mas são difíceis de se conseguir. Para dizer a verdade, não estou muito interessado em ser a cabeça de grandes filmes. Primeiro, são mais difícieis de se fazer: tens 20 pessoas para atender — em Cosmopolis: só uma.  Por isso, em geral, há um ou dois papéis possívels nesses filmes: ou és um adolescente que se torna homem, ou um adolescente que é completamente fracassado. Quando mal tens vinte anos, está tudo bem, estás a divertir-te, descobres um mundo incrível, as raparigas reverenciam-te. Mas isso não pode durar para sempre.

 

O que é que Cronenberg te disse quando te ligou?

Robert Pattinson: O meu agente mandou-me o script há mais de um ano, mas naquela altura, era Collin Farrel quem estava no projeto. Eu disse para mim mesmo: “Carambaaaa, este escript é demais! Por que é que não posso receber ofertas como estas? E por que me mandaste o script se o papel já foi definido *risos*? E, um ano depois, do nada, David liga-me: “Hey, queres fazer este filme?” Eu fiquei aterrorizado! O script parecia muito complexo para mim. Um ano antes, eu estava a sonhar com ele e, depois, senti-me incapaz de tomar uma decisão. Precisei de uma semana para encontrar a coragem para ligar a David.

 

Ele explicou por que é que te escolheu?

Robert Pattinson: Não, nunca. Nem fez uma audição comigo. Quando perguntei-lhe sobre isso, disse-me que teve um pressentimento… Quando disse-lhe que não estava certo do que se tratava o filme, ele respondeu: “Nem eu, vamos descobrir juntos.” Esta é a razão de eu estar muito curioso para ver a reacção das pessoas, ainda mais do que o normal.

 

Já estavas familiarizado com o trabalho de David antes?

Robert Pattinson: Sim, eu vi quase todos os filmes dele.

 

Quais é que preferiste?

Robert Pattinson: Provavelmente Videodrome ou Scanners. Também gosto muito de Crash. Saiu-se bem em França, certo? Em Inglaterra, lembro-me de como as pessoas enlouqueceram por causa dele. Até o baniram! É claro, isso fez toda a gente o queira ver. Actualmente, quando o vejo, desconcerta-me o facto dee que ele pode ter sido banido. É um absurdo.

 

Achas que foi o teu status de ‘vampiro’ que atraiu Cronenberg? Em Cosmopolis, interpretas um comerciante, de certa forma, comerciantes sugam o sangue dos trabalhadores…

Robert Pattinson: *duvidoso* Talvez, sim.. Nós podemos desenhar uma paralela entre capitalismo e vampirismo, mas o filme não se foca num personagem que iria querer destruir tudo. Este tipo está a procurar algo. Ele já viu de tudo e quer o que mais estiver aí — TEM que ter algo. É um filme muito triste no final. O comerciante tenta ser melhor, mas os seus instintos e urgências acompanham-no.

 

Sentes-te próximo a ele?

Robert Pattinson: *balançando a cabeça* Mmmm, sim.. de certa forma. Basicamente, no que ele vê algo além do que está à frente dele. Ele acha que o mundo não é só o mundo, que há um nível de entendimento muito mais elevado.

 

Disseste que o script era complexo. Os diálogos especialmente são muito literais. Esta é a primeira vez que encaras algo assim?

Robert Pattinson: David estava inflexível a respeito do texto, até à última palavra. Eu adorei o ritmo das falas assim que li o script, estava fora de questão danificá-las. Normalmente, o script só representa um material cru que precisa soar real quando dizes na câmara. Aqui, foi diferente. Fazê-lo soar real não era o suficiente para David. Ele estava a procurar um nível de realismo muito mais profundo. Lembrou-me o teatro, o que eu não tenho feito há muito tempo. Passar noites a decorar falas… Ultimamente, é cool e até mesmo purificante: repetindo as palavras, elas quase se tornam mecânicas.

 

 

Já estavas familiarizado com o trabalho de Don DeLillo?

Robert Pattinson: Só li Underworld há muito tempo. Para o filme, obviamente, li Cosmópolis e, desde então, todos os outros. Fazem-me sempre essa pergunta e eu não quero soar estúpido *risos*. Mas, para mim, é muito difícil falar sobre isso. Adoro o estilo dele, mas não tenho certeza se eu sou esperto o suficiente para entender todo o alcance das suas ideias.

 

És um grande leitor?

Robert Pattinson: Eu lia mais há alguns anos, mas é mais e mais difícil para mim agora, encontrar o tempo e a concentração necessária para fazer isso.

 

Ouvi que gostas de Michael Houellebecq…

Robert Pattinson: Absolutamente! Sabias que quase nos encontrámos em Paris? Ele deve ter lido uma entrevista onde falei sobre os seus livros e ligou-me enquanto eu estava numa tourné de divulgação. Mas fiquei assustado de o conhecer *risos*. Arrependo-me disso, poderia ter sido cool jantar com ele. Mas adoraria trabalhar numa adaptação de um dos seus livros. Como é que se chama o último?

 

Le Carte et le Territoire. Leste?

Robert Pattinson: Ainda não, mas li a sinopse e daria um filme incrível. Todos os livros dele dariam óptimos filmes.

 

Alguns foram adaptados para os ecrãs, à excepção do último e de Plateforme

Robert Pattinson: Ah, não sabia! Os filmes foram bons?

 

Extension du domaine et de la lutte, sim, saiu-se muito bem. Não vi Les Particules élémentaires, dirigido por um alemão. E, quando se trata de La Possibilité d’une île, que ele mesmo realizou, é um filme muito estranho, com alguns pedaços lindos e outros que são completamente falhados…

Robert Pattinson: Estou muito curioso para ver tudo isso. Especialmente Extension… o meu favorito.

 

O que é que te atrai em Houellebecq?

Robert Pattinson: Ele é descrito como um novelista cínico, mas estão completamente errados, assim como para Cosmopolis:  na superfície, esses personagens podem parecer tipos maus, mas simplesmente tentam, desesperadamente, preencher as suas vidas e acabam sempre desapontados. Esse desapontamento que os anima e, algumas vezes, os destrói, é cheio de esperanças se estiveres disposto a olhar para isso. Martin Amis tem uma concepção/visão semelhante. Mas provavelmente estou a dizer coisas sem sentido, há anos que os li. [ ri e serve-se de café novamente]. Alguém produziu Whatever [nota: é o título americano de Extension du domaine de la lutte] em França? Não acredito. Esse é o tipo de filme que nós só podemos ver no seu país. Tens uma visão engraçada do que é comercial ou não, sabias disso? Cosmopolis: só um francês pôde produzi-lo. [nota: Paulo Branco]

 

Sem dúvidas. É como aqueles grandes produtores americanos que têm um público somente ou na maioria em França: Coppola, Ferrera…

Robert Pattinson: Um dia, fiz uma audição para Ferrera, mas não consegui o papel. Foi antes de Crepúsculo. Senti-me como se tivesse realizado a minha melhor performance, quase parti o meu braço e ele disse: 'é, ok, nada mau'. Saí em lágrimas, fiquei muito envergonhado *risos*! Eu quero tanto aprender a falar francês. Muitas coisas que quero fazer estão em francês.

 

Oh, a sério? Como o quê?

Robert Pattinson: Eu tenho um projecto com Jean-Stéphane Sauvaire, que dirigiu Johnny Mad Dog. Chama-se Mission: Blacklist, um filme sobre a procura e captura de Saddam Hussein. E sabes de uma coisa? Quer filmar no Iraque. Caramba! Ninguém teria coragem de fazer isso! Toda a gente quer que ele vá para  a Tunísia, mas ele insiste: Acontece no Iraque, vou filmar no Iraque. Ele está certo! Pelo menos, enquanto nós não formos sequestrados *risos*.

 

Quais são outros directores franceses com quem gostarias de trabalhar?

Robert Pattinson: [sem hesitar] Audiard. Ele é um dos meus favoritos. Vou fazer tudo o que puder para ver o seu novo filme em Cannes.

 

É a primeira vez que vais?

Robert Pattinson: Não, mas só vim para fazer divulgação. Senteste meio como se fosses um idiota nessas situações, como um banner vivo. Imagino que, quando estás em competição, é um sentimento completamente diferente. Quando penso nisso, digo para mim mesmo: Isso, não estragaste a tua vida inteira. Cannes… Não conseguiria agradecer o suficiente a David.

 

Ias ao cinema com frequência, quando eras criança?

Robert Pattinson: Não muito nos cinemas, mas costumava alugar cassetes VHS. Havia sempre muitas raparigas nos corredores dos blockbusters *risos*. Acabei a tornar-me amigo do dono do blockbuster, um verdadeiro fanático por filmes. Tentava sempre arranjar filmes para maiores com ele. Queria ver filmes violentos, mas ele só me dava filmes que eram bastante artísticos. Foi como vi alguns filmes de Cassevetes, quando tinha 12 anos e também alguns de Godard… [pausa por um momento] Quero tanto fazer um filme com Godard. É o tipo de coisa surreal que sonho… Foi por isso que fiz Crepúsculo *risos e, depois, suspira*!

 

Que tipo de infância tiveste?

Robert Pattinson: Uma bastante chata, para ser honesto. Queria ser músico. Fiz ensaios e concertos minúsculos. Tratava-se disso. Mais tarde, juntei-me ao clube de drama, muitas raparigas bonitas ficavam por lá *risos*. Queria ficar apenas no backstage, não era do meu interesse interpretar. Mas, um dia, "alinhei" simplesmente…

 

Para impressionar uma rapariga?

Robert Pattinson: Exactamente. Acabei a interpretar em algumas peças, uma agente viu-me e entrou em contacto. Ainda é ela quem cuida de mim hoje. Na semana seguinte, fiz uma audição para interpretar Troy com Brad Pitt. Disse para mim mesmo, que diabo?! Na altura, não percebia nada do que estava a fazer. Demorou 6 anos para eu chegar lá.

 

A exposição extra que cerca Crepúsculo irrita-te? O facto de seres sempre seguido?

Robert Pattinson: O teu mundo encolhe-se do nada e é desagradável, sim. Mas, ao mesmo tempo, podes virar essa atenção para a tua vantagem. Mesmo se as pessoas te odeiam, elas estão a pensar em ti. Como um simples espectador, diria talvez a mim mesmo: O que raio  Cronenberg está a fazer com este cara? Só me dá uma razão para lutar, para me provar, para provar que estão errados. Quero dizer que é suficiente, nós somos autorizados a fazer asneiras de tempos em tempos! *risos*

 

No que estás a trabalhar agora?

Robert Pattinson: Vou fazer um filme sobre The Band, a que tocou junto com Bob Dylan: um lindo script sobre a natureza da composição de músicas. Também estou a preparar um thriller, com um script também lindamente escrito. Toneladas de directores franceses estão na fila para fazer. Há alguns anos, a América Latina, era onde tudo estava a acontecer, parece que agora é a vez de França… Vou filmar outro filme com Cronenberg, mas não sei quando é que quer começar a filmar. Vai ser o primeiro em França e ele prometeu que vai ser estranho. Os dois ou três próximos anos vão ser cruciais para mim. É agora que tudo acontece.

 

Estás a voltar do Coachella. Vimos as fotos online. O que é que ouviste lá?

Robert Pattinson: Bem, nada ou quase nada, por causa dos paparazzis. É muito frustrante. Tudo o que queres é ver um concerto em paz, dançar um pouco e tens 20 tipos a tirarem fotos atrás de fotos. Sentes-te como um besta nessa situação. Consegui ver Radiohead… Beirut, foi muito bom. E vi um pouco do set de Justice. Eu adorei os vídeos deles.

 

O que foi dirigido por Romain Gavras?

Robert Pattinson: Sim, Stress. Outro Francês que abala.

 

Independentemente das bandas que mencionaste, que tipo de música gostas?

Robert Pattinson: Nada de mais ultimamente, excepto por uma banda de hip-hop. Death Grips, é uma mistura de rap e música tecno. É hardcore, não o que eu gosto normalmente, mas tem algo a mais. Há alguns anos atrás, tive uma fase Van Morrison, uma verdadeira obsessão. Ouvia muito Jazz e música clássica. Devo estar a ficar velho.

 

Li nalgum lugar que admiras actores porno. É verdade?

Robert Pattinson: Eu disse isso? *risos* Não me lembro disso, mas por que não? O assunto interessa-me. Sempre quis fazer algo em torno desse assunto. É uma das coisas mais interessantes a acontecer na nossa geração, não achas? Toda a gente vê, mas ninguém quer dizer isso em voz alta. É o tipo pesado de evento e ninguém quer escrever sobre. Tentei há dois anos, mas não levou a nada. Já viste AVN (nota: Adult Video News) Awards? É hilariante. Há tantas dessas pessoas e são tão orgulhosos do que eles fazem… E quando se trata de lutar pela liberdade de expressão, são os primeiros na fila. Nós só podemos admirá-los.

 

 

 

Adaptação: TP
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