Terça-feira, 29.05.12

David Cronenberg: «Cosmopolis», de digestão lenta mas com uma mensagem...

 

David Cronenberg, Robert Pattinson e o produtor Paulo Branco estiveram esta terça-feira em Lisboa a falar do seu mais recente filme, «Cosmopolis», que estreia nas salas nacionais na quinta-feira. Adaptado de um romance de Don DeLillo, passa-se quase integralmente numa limusine, que vai percorrendo lentamente uma Manhattan apocalíptica e anárquica, à beira do colapso. Uma película densa, abstracta e complexa, que apetece rever. Não no imediato, porque é preciso digerir a mensagem lentamente.

Em «Cosmopolis», o actor que consagrou-se na saga «Crepúsculo» interpreta o papel de Eric Packer, um génio de 28 anos, egocêntrico e multimilionário, que percorre a cidade nova-iorquina sempre no interior da sua limusine (toda high tech e blindada) a um ritmo quase parado e sempre acompanhado, pelo lado de fora, pelo seu guarda-costas (Kevin Durand). Em menos de 24 horas, irá perder a mulher (Samantha Morton), com quem casou há poucas semanas, e enfrentar os momentos mais decisivos da sua vida. O filme concretiza algumas das previsões de Karl Marx, nomeadamente que o desenvolvimento do capitalismo poderá trazer consequências imprevisíveis para a humanidade.


Cronenberg levou apenas seis dias para concluir o argumento, com três deles dedicados a transcrever o romance de DeLillo e os restantes a acrescentar a acção. Certos pormenores do livro ficaram de fora «por não resultar num filme», explicou.

Já Pattinson admitiu que quando foi convidado para protagonizar o filme ficou em «estado de choque», tal o medo de falhar no papel. Primeiro porque pareceu-lhe que o argumento seria «daqueles que nunca saem da gaveta, com demasiadas palavras» e depois porque é «90% passado no interior de um carro».

Cronenberg foi peremptório ao dizer que «o sentido do filme ainda está por revelar-se (para ele), devido à sua complexidade. Quanto à escolha de Pattinson, brincou: «Soube que era pouco dispendioso, estava disponível e que recebia bem ordens». Num registo mais sério, explicou que era importante que o protagonista fosse jovem (o actor tem 29 anos), que tivesse o sotaque certo e que o resto «deixou à sua intuição», embora também tenha feito algum trabalho de pesquisa: procurou na Internet vídeos com entrevistas ao jovem da saga «Crepúsculo», uma vez que gosta de trabalhar com pessoas «que tenham sentido de humor». E o que viu convenceu-o.

Pattinson estava céptico sobre se estaria à altura, mas Cronenberg convenceu-o de que era a pessoa certa.
«Um actor quer ser o melhor e precisa de o ouvir», enfatizou o realizador. Para o jovem actor, o início das rodagens foi o mais difícil. Até se assustou, assumiu. «Mal falamos» sobre o que seria o filme.»

«Não tinha ideia do que dizer quando entrei no carro», mas «ao segundo dia já tinha entrado no ritmo.»

O realizador «não ensaia os planos». Baseia-se na sua intuição. Nunca tinham filmado no carro «mas tudo começou a fluir ao segundo dia», disse.

Pattinson, assim que teve o argumento na mão, rendeu-se. Gostou dos diálogos complexos, da sua construção, a fazer lembrar poesia. «A voz apareceu facilmente», afirmou.

Ao longo do filme, Eric Packer questiona-se várias vezes se as pessoas falam assim, como ele. E isso, segundo o actor, é recorrente nele. Várias vezes pergunto-me se portamo-nos como seres humanos, quando há tantos aspectos abstractos». Robert Pattinson não tem a certeza se este filme terá sido um volte-face na sua carreira, mas uma coisa sabe: «Deu uma reviravolta». «Após o Crepúsculo, é como um presente, fez-me lembrar em coisas diferentes.»

Para o realizador, o maior desafio foi o financiamento, uma questão que estava sempre presente, mas criativamente diz que o filme fluiu muito bem. Um dos truques para cortar nos custos foi filmar em Toronto (Canadá) ao mesmo tempo que tentava, quase que como uma ilusão, recriar Nova Iorque. «As rodagens correram tão bem que até acabaram mais cedo do que o previsto», destacou.

Em «Cosmopolis», Pattinson, apesar de recém-casado, trai-a várias vezes com (várias) mulheres que vão entrando no carro, entre as quais Juliette Binoche (Didi Fancher) e Patricia McKenzie (Kendra Hays), e foi com esta última, que também faz de sua segurança pessoal, que «a mecânica foi mais estranha», porque a cena de sexo, disse, «foi toda num único shot». Já com Juliette Binoche, a quem se referia como apenas Júlia, afirmou que «foi divertido».

Paulo Branco, o produtor, tinha um orçamento inicial de 15 milhões de euros e conseguiu que não houvesse desvios, explicando que «Cosmopolis» foi produzido de forma diferente, com todo o financiamento muito bem pensado.
«Por isso é que alguns projectos falham. Foram mal planeados», vaticinou.

Cronenberg não foi a primeira escolha de Paulo Branco, mas o produtor escusou-se a revelar os outros nomes. O realizador até brincou a dizer que quando se conheceram Paulo Branco «achava que ele era o David Lynch». Quanto ao livro homónimo, assim que o português o leu percebeu que (além de ser dedicado a Paul Auster) era muito cinematográfico.

Robert Pattinson gostou de trabalhar com o produtor português. Disse que «há alguns que são demasiado metediços», mas que com que Paulo Branco não foi o caso. Houve uma sintonia imediata entre os dois. relativamente ao restante rol do elenco (são quase 20 intervenientes sempre a entrar e a sair da limusine) admitiu ser «caótico» trabalhar com tanta gente, mas «acabou por ser divertido», especialmente com Juliette Binoche, «que lhe tirou o nervoso».

O filme do realizador canadiano foi apresentado em Cannes e desapontou a crítica. Era uma das 22 longas-metragens em competição pela Palma de Ouro e não ganhou. Mas isso não parece ter afectado em nada a equipa. Os três - realizador, protagonista e produtor - riram-se. Ninguém ficou decepcionado.

Em «Cosmopolis», naquelas quase 24 horas, o tráfego está completamente atravancado. Além da chegada do presidente dos EUA e de todo o dispositivo de segurança que isso implica, um conhecido rapper/poeta morreu – «Brutha Fez» -, que, afinal, é K´nann, um somali que deixou o país aos 13 anos rumo a Nova Iorque e que actualmente está radicado no Canadá. A destacar que protagonista tem em casa dois elevadores e um deles anda ao ritmo da música de «Brutha Fez». Há também uma forte referência à obra de Rothko, nomeadamente à Capela de Rothko, que representa a arte, espiritualidade e direitos humanos. Intrigante como, a dada altura, Eric Packer manifesta a uma das suas assistentes que quer comprar a capela e instalá-la na sua casa. Misterioso...Cronenberg explicou que as referências ao rapper (cujo nome em somali quer dizer viajante) e à obra de Rothko constam do livro, mas a mensagem essencial da introdução destes dois elementos no filme é que «a serenidade está em nós. Não se compra».

 

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Kat_TP às 15:31 | link do post | comentar

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