Por de entre as nuvens emergia o brilho do sol, sereno, quente, acolhedor… dei por mim sentada no átrio da escola a ver todas as pessoas que chegavam, sentindo um vazio inexplicável no meu peito, não sabia se era pela ausência do Alex, se por não saber como ele estava ou até se seriam apenas nervos por ter teste de matemática logo à primeira hora (o que era pouco provável uma vez que eu era barra a matemática).
Vi centenas de alunos passarem à minha frente mas nem sinal de vampiros, comecei a sentir-me preocupada, o aperto no meu peito que crescia de minuto para minuto incomodava-me…
***
- Anna estás bem? Tens dúvidas? – A professora de matemática interrompeu-me o pensamento.
- Hãn?! Não, não professora. Aliás, já terminei. – O teste era muitíssimo acessível, probabilidades e sistemas, como poderia ter dúvidas?
- Queres entregar?
Fitei o teste antes de responder.
- Claro professora.
Entreguei o teste e olhei em redor, o Alex fitava-me com um ar preocupado, a Alice acabara de entregar a folha de respostas e o Sam estava a terminar de rever as suas.
- O que se passa? – Sussurrei na direcção de Alex.
- Não consigo resolver o teste. – Retorquiu-me.
O meu coração ficou pequenino, senti nele um aperto desconfortável. Comecei a dar as respostas de que me lembrava ao Alex para que ele conseguisse compreender a lógica.
Saí da sala no final da aula acompanhada por Alice e pelo Sam que me informaram de que o Alex estava a terminar o teste.
Parámos no corredor.
- O que acharam? – Perguntei com um sorriso.
- Super fácil. – Disse a Alice retribuindo-me um sorriso único.
- Concordo. – Referiu o Sam.
Senti algo aproximar-se de mim e antes que pudesse reagir agarrou-me pela cintura.
- Obrigada Anna, salvaste-me de uma grande negativa! – Agradeceu-me enquanto me abraçava.
Afastei-o.
- Não tens de agradecer mas controla-te Alex, eu não sou como as meninas com quem curtes aos fins-de-semana. – Disse-lhe tentando manter o ar sério. O seu toque deixava-me cada vez mais nervosa.
- Não foi essa a minha intenção, eu sei que não és. Alias, és muito mais especial. Desculpa se abusei.
Senti-me triste por ter sido tão severa mas se havia algo que não podia demonstrar era fraqueza e cedência com o Alex.
Fitei-lhe o olhar, Alex colocara-se de joelhos, segurara-me na mão e proferira, com uma voz melodiosa que me fizera estremecer:
- Muitíssimo obrigada pela ajuda, princesinha,
Corei enquanto dizia:
- Não tem de quê.
Ambos nos deixamos rir, olhei em volta, Alice e Sam haviam desaparecido estando sozinhos naquele momento.
Puxei-o deixando-o de pé, os nossos olhares cruzaram-se e senti o meu rosto mudar de temperatura, beijou-me a mão docemente sem nunca deixar de fitar os meus olhos quando terminou, cedi, dando-lhe um beijo suave na sua face.
Sorriu-me e guiou-nos até à sala de português sem nunca me largar a mão…