Domingo, 31.01.10

Podes ler aqui a segunda parte desta FanFic!

 


“Mentir para protegê-la ”, repeti para mim mesmo, antes de recomeçar a falar.

_ Bella não quero que venhas comigo. – declarei, enquanto ela me observava atónita.

O silêncio prolongou-se entre nós durante um longo período.

_ Tu…não…me…queres?

_ Não. – e ao dizer isto senti-me sufocar novamente.

Enquanto lutava por tomar controlo novamente das minhas emoções, Bella analisava-me atentamente como se procurasse algo.

_ Bem, então isso muda tudo. – disse num tom não de desespero mas sim de resignação.

 Demorei alguns instantes a digerir o que acabara de acontecer. Aquela reacção estava longe daquilo que eu imaginara. Não eram aquelas palavras que eu esperava.

Bella tinha acreditado! Acreditara que eu já não a queria. Sem um momento de dúvida, sem um momento de hesitação… Uma questão… Nada!

Naqueles últimos dias prepara-me para mentir vezes sem conta para apenas a fazer questionar por uma só vez o amor que realmente sentia por ela. Mas em vez disso tinha bastado apenas uma frase para que tudo o que e lhe dissera antes fosse esquecido.

Como podia ser tão descrente no amor que sentia por ela? Faria isto parte da punição que o vilão de todas as histórias merecia no final, por se ter tentado apoderar de algo demasiado precioso para o alcance do seu merecimento?

_É claro que sempre te amarei… de certo modo. – prossegui , ainda afectado pela surpresa, ao mesmo tempo que olhava as árvores que nos rodeavam -  Mas o que aconteceu na outra noite fez-me perceber que está na hora da mudança. Porque estou… farto de fingir ser algo que não sou, Bella. Eu não sou humano.

 Apesar daquilo não ser totalmente mentira, a realidade é que há muito tempo que não me sentia tão humano. Bella tinha-me dado esperança novamente.

Mas isso não significava nada agora. Tinha feito tudo mal. 

Por mais que o desejasse, jamais voltaria a ser humano. E não podia continuar a fingir… A esperança tinha acabado para mim. O monstro sedento que tinha dentro de mim não me abandonaria. Estar com Bella nunca seria a coisa acertada, nunca seria seguro. E mesmo que o amor que sentia e o enorme auto-controlo que possuía, me pudessem salvar de magoar Bella, inevitavelmente haveria sempre algo contra nós.

_ Deixei que se arrastasse muito tempo e peço desculpa por isso. – declarei honestamente.

_Não. Não faças isto. – suplicou sem forças e sem esperança, num murmúrio quase inaudível para um humano.

_Tu não serves para mim. – disse, não deixando de pensar o quão irónicas e ridículas soavam as palavras.

 

 Mentir a Bella tornava-se cada vez mais doloroso, cada vez mais cruel. Olhar para a sua expressão, agora destorcida pelo sofrimento, tornava tudo muito mais difícil.

Mas Bella não me abandonaria nunca. Eu sabia disso. “Prefiro morrer a ficar longe de ti”, tinha-me dito uma vez. Ela faria isso por mim, morreria, assim como eu também faria por ela. Mas eu não valia tanto. Bella já tinha enfrentado a morte duas vezes por mim, colocava-se em risco cada segundo que passava comigo, afastara-se dos seus amigos e da sua família para estar perto de mim. E eu que fazia? Apenas alimentava esta loucura que tanto amava, ignorando tudo o resto.

Não permitiria que houvesse uma terceira vez. Não colocaria Bella em risco novamente. Eu ia fazer a escolha certa desta vez.

Quando parecia que ia responder, Bella hesitou. Seguiu-se uma breve pausa até que conseguiu falar novamente.

_ Se… é isso que queres. – arquejou, depois da voz lhe falhar por um momento.

As palavras faltaram-me para lhe responder, pelo que apenas assenti levemente com a cabeça.

Fixei uma vez mais o olhar em Bella. Apesar de todo o sofrimento, de toda a angústia que ressaltava em cada traço delicado do seu rosto, a sua beleza continuava intacta.

Vê – la assim fez-me relembrar o quão Bella era incrivelmente frágil ao mesmo tempo que reacendeu velhos tormentos, como a sua absurda atracção por problemas e incidentes.

Eu era a melhor prova disso.

Mas que mais podia eu fazer? Eu já fazia o maior sacrifício de todos ao afastar-me dela.

Queria protegê-la. Mas o que podia fazer quando não estivesse mais aqui? Por mais que soubesse que Charlie a amava e que tomaria conta dela, isso não me descansava. Não me parecia suficiente.

Raios!

Odiava sentir-me assim impotente em relação a Bella.

O meu corpo começou a ressentir-se face a este pensamento. Senti os meus músculos contraírem-se.

Apercebi-me então que a única coisa que me restava era pedir-lhe um último desejo. Um desejo que duvidava que merecesse, mas que ainda assim pediria.

_ Gostaria, porém, de te pedir um favor, se não for demasiado… - disse ao mesmo tempo que me tentava recompor.

_ Pede o que quiseres – afirmou, agora mais segura, sem deixar de me observar.

Também eu não conseguia deixar de olhá-la naqueles últimos momentos. Estava preso a ela, literalmente, para toda a eternidade. Sabia disso. Mas embora o quisesse, não o conseguia lamentar. Pelo menos não por mim…

_ Não cometas nenhuma imprudência ou asneira. – pedi, esforçando-me para me concentrar novamente – Compreendes o que quero dizer?

Enquanto esperava uma reacção de Bella, reflecti por instantes naquilo quer acabara de dizer.

Não consegui deixar de pensar como continuava a ser egoísta ao pedir isto a Bella quando a magoava tanto. Que direito tinha eu, afinal, de lhe pedir o que fosse, quando lhe provocava tanto sofrimento? Que espécie de sentimento esperava eu que restasse, para fazê-la cumprir a promessa? Mas que alternativa tinha?

Em resposta Bella apenas concordou com a cabeça com o mesmo ar derrotado.

_ Estou a pensar em Charlie, como é evidente. Ele precisa de ti. Cuida-te… por ele. – tentei emendar.

 Bella repetiu o movimento com a cabeça.

_ Cuidarei. – respondeu simplesmente.

Senti então a tensão que pesava sobre mim aliviar um pouco. Sabia que isto nada me garantia. Mas eu queria acreditar. Precisava de me segurar a algo para conseguir partir.

 Bella adorava Charlie. Ela tomaria cuidado por ele.

                _ E, em troca, eu faço-te uma promessa. – comecei – Prometo que será a última vez que me vês. Não voltarei. – queria acreditar que teria força suficiente para isso embora não tivesse tanta certeza quanto aquela que pretendia transmitir. – Não voltarei a submeter-te a nada que se pareça com isto. Podes continuar a tua vida sem mais nenhuma interferência da minha parte. Será como se eu nunca tivesse existido. – jurei.

Bella nada respondeu.

Todo o seu corpo tremia. As maçãs do seu rosto, outrora tingidas de um rubor vivo e quente, assumiam um tom pálido, horrivelmente familiar. Os seus olhos incrédulos já não me fitavam, pousando sobre o chão, embora cegos pelo desespero. O seus lábios encontravam-se ligeiramente separados, formando um pequeno “o”, enquanto que o seu coração batia descompassadamente como se tentasse libertar do peito que o aprisionava.

Esforcei-me por não me concentrar naquela visão demasiado dolorosa. Não conseguia suportar muito mais. Mais um pouco e eu esqueceria tudo o que me tinha levado até ali… Talvez se eu tentasse…

Não, não, não! Não haveriam mais enganos. Nada que eu fizesse podia melhorar as coisas. E pensando bem, de todo o mal que eu podia provocar a Bella, este seria um mal menor que ela iria ultrapassar. Afinal, apesar de todas as evidências contra si, Bella era humana.

A cor retomaria o seu rosto. Os seus lábios, cheios e macios, sorririam novamente. A luz voltaria a brilhar nos seus olhos e as suas lágrimas secariam.

Um trejeito nervoso, semelhante a um sorriso, rasgou-me a face com o alívio trazido pelo pensamento.

 

_ Não te preocupes. És humana e a tua memória não passa de um filtro. Na tua espécie, o tempo cura todas as feridas. – Era verdade. Eu jamais esqueceria, jamais seria feliz sem ela. Mas Bella sim. O conhecimento adquirido acerca da sua espécie garantia-me isso e era isto que me continuava a dar força para estar ali. Bella sofria agora mas acabaria por seguir em frente com outra pessoa, quando este momento se transformasse numa memória desfocada, esquecida numa zona remota do seu cérebro.

Talvez com Mike Newton, quem sabe. Apesar de estar muito longe daquilo que Bella realmente merecia, ele era humano e podia dar-lhe tudo aquilo que eu nunca podia dar. Uma vida normal, sem restrições, sem medos...

Imaginar Bella com Mike Newton fez-me ficar enjoado.

Odiara Mike Newton desde o primeiro momento que percebera o seu desejo por Bella, e agora deixava-a… para ele.

Comecei a sentir a boca encher-se de veneno, até que Bella falou novamente, afastando-me do meu delírio.

_ E as tuas recordações? – perguntou com a voz cada vez mais débil, já me olhando novamente.

_ Bem – iniciei, hesitando um pouco ao mesmo tempo que escolhia as melhores palavras – eu não esquecerei. Mas na minha espécie… distraímo-nos com facilidade. – declarei, forçando um sorriso convincente que esperei que condissesse com as palavras.

Como se houvesse algum tipo de distracção para tudo isto que estava a acontecer… Não me era permitido acalentar tal esperança. Depois do fim, era o Inferno que me esperava.

 

Comecei a afastar-me, recuando um passo.

_ Creio que é tudo. Não voltaremos a incomodar-te – disse.

A expressão de Bella manifestou-se com o emprego do “Não voltaremos”. Surpresa. Sim, era isso. Bella tinha compreendido que eu não partiria só.

_ A Alice não vai regressar – consegui perceber pelo movimento dos seus lábios, de onde não saiu qualquer som.

Abanei a cabeça, confirmando aquilo que ela já sabia.

_ Não. Já partiram todos. Eu fiquei para trás para me despedir de ti. – completei.

_ A Alice partiu? – questionou, num tom baixo e trémulo, percebendo-se o enorme esforço que fazia para pronunciar as palavras.

_ Ela queria despedir-se, mas convencia-a de que uma ruptura radical seria melhor para ti.

A conversa com Alice tinha sido a mais difícil. Bella e Alice tinham desenvolvido uma relação muito próxima nos últimos meses. Eram realmente amigas. Alice já a amava como se de uma irmã se tratasse… Tinha sido a que mais resistira à ideia de ir embora, a par de Rosalie, embora esta por motivos muito diferentes.

Uma visão antiga de uma Bella que eu não conhecia, abraçada cumplicemente a Alice, com a pele branca, macia e muito dura e os olhos de um vermelho vivo e reluzente, preenchia a sua mente. Alice mais do que ninguém gostava dessa ideia. Mas ela sabia que eu me recusava a arriscar mais uma vez. Recusava - me a ser o responsável pela sua morte, condenando-a a um destino maldito, que não tinha de ser o dela.

Além disso a sua despedida só iria piorar tudo. Não podíamos fazer mais isso a Bella. Eu não podia.

Apesar de não concordar, Alice acabou por ceder não prolongando muito mais a discussão. A sua expressão esta manhã, dividia-se num misto de tristeza e compreensão. “Volta!”, foi a última coisa que me “disse” antes de partir com os outros.

 

A respiração de Bella pareceu acalmar um pouco. Percebi que era este o momento.

_ Adeus, Bella – disse, enquanto recuava mais alguns passos. “Amo-te” e “Perdoa-me”, desejei acrescentar.

_ Espera! – pronunciou, novamente ofegante. Inclinou então o corpo para frente, esticando ao mesmo tempo os braços na minha direcção, enquanto as pernas permaneciam imóveis, demasiado fracas para avançar.

Mais uma vez, a minha parte mais egoísta debateu-se dentro de mim para se manifestar. Cada vez mais forte, cada vez mais ansiosa por tomá-la nos braços e afagar-lhe as lágrimas, que começavam a despontar nos seus olhos cor de chocolate.

Mas ela não venceria. Não hoje, por mais que o desejo de a ouvir fosse apelativo.

Agarrei nos pulsos frágeis de Bella, colocando – os de novo junto ao corpo, inclinando-me de seguida sobre ela  para tocar uma última vez na sua pele quente, depositando um leve beijo na sua testa.

_ Cuida-te – suspirei no contacto com a sua pele.

O seu cheiro entrou dentro de mim como fogo, espalhando-se por todo o corpo. A dor alastrou-se também, intensificando-se no lugar onde repousa o meu coração inerte e silencioso.

Uma dor demasiado física… Intensa… Violenta… Uma dor que um humano jamais suportaria; uma dor pela qual imploraria a morte.

Mas não era a sede que a provocava. Conseguia sentir isso. A vontade de abraçá-la e protegê-la continuava intacta. Era uma dor desconhecida, diferente de qualquer uma que alguma vez experimentara e para a qual o meu corpo e a minha mente não estavam preparados.

 

Quando dei por mim já estava a correr. Bella, a minha Bella, tinha sido deixada para trás assim como a minha vida. A dor não parecia acalmar, ganhando cada vez mais força há medida que me envolvia na floresta.

O som do seu coração acelerado e da sua respiração descontrolada ecoavam na minha cabeça enquanto a sua imagem desolada me invadia a mente.

Depois de poucos momentos, algo vibrou no bolso direito das minhas calças e então parei. Apesar disso, o chão parecia querer fugir-me por baixo dos pés, dando-me a sensação de ainda continuar a correr. Percebi então que me sentia estranhamente fraco, como se a dor que sentia me sugasse as forças.

Peguei então no telemóvel que continuava a vibrar insistente. Era Alice que ligava. Certamente tinha visto aquilo que acontecera e aquilo que pretendia fazer agora.

Não atendi. Coloquei de novo o pequeno aparelho no interior do meu bolso até que parou de se movimentar.

Nada voltaria a ser como antes. O encanto tinha terminado e as marcas eram demasiado profundas. Tal como Bella, a dor fazia parte de mim agora, completando o vazio que sentia. Mas o sofrimento era meu. Carlisle, Esme, Alice, Emmet, Jasper, Rosalie… Eles não mereciam que eu o partilhasse com eles.

Já tinha decidido. Retomaria o meu caminho, sozinho e sem rumo, perdido num mundo que já não reconhecia como meu.  



Carolina às 21:27 | link do post

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