Sexta-feira, 19.11.10

 

 


***

- A sério que ele se sente mesmo bem? – Repetiu Jane como seu olhar desconfiado.

- Sim, sim, o Jacob só precisa de um tempo. – Sorri e dei-lhe uma cotovelada no braço. Ele queixou-se e abandonou o seu transe.

- O…olá. – Disse por fim estendendo uma mão a Jane. – Sou o Jacob.

Jane olhou para a mão estendida dele mas não lhe tocou.

- Ya, pois! Isso ainda é contagioso… - Acrescentou entre dentes. Jacob recolheu o braço e olhou para a palma da mão.

Procurou durante uns momentos por alguma sujidade que lhe pudesse ter escapado mas não encontrou nada. Voltou a encarar Jane.

- Então, andas às compras? – Perguntei quebrando o silêncio.

- Preciso de umas cordas novas para a minha guitarra.

- Tocas guitarra? – Interrompeu Jake. – Isso é muito fixe. Pode tocar alguma coisa?

- Ah sim, claro, deixa-me só afiná-la. – Começou a rodar os dedos no vazio. – Estás a ver aqui alguma guitarra por acaso? – Perguntou, por fim, olhando de soslaio para ele e rodando ligeiramente o corpo para se posicionar de frente para mim e meia de costas para Jake. Depois, olhou-me e perguntou-me apenas com os lábios. – Quem é o idiota?

- Bem, nós vamos andando. – Sorri para Jane. – Vemo-nos na segunda. – Despedi-me e arrastei Jacob pela mão atrás de mim durante um quarteirão.

Depois de o largar, paramos e olhei para ele. Jake encostou as costas na parede do prédio, escondeu a cara com as mãos e deixou-se escorregar até estar quase sentado no chão.

- Sou tão estúpido. Tão estúpido. «Podes tocar alguma coisa?» como se tivesse visto alguma guitarra. Burro, burro. – Martirizava-se ele.

- O que eu penso que aconteceu ali é o que eu penso que aconteceu ali?

- Eu acho que sei o que pensas e foi o que tu pensas que aconteceu ali. – Ainda tinha o rosto entre as mãos.

- Como é que podes estar a sentir-te tão em baixo depois do que aconteceu? – Perguntei incrédula.

Jacob destapou a cara e o seu olhar perfurou o meu. Vergonha, raiva, arrependimento, era tudo o que lhe passava pelos olhos.

- Tive a minha impressão natural e causei uma bela de uma primeira impressão. A tua amiga nunca mais me vai querer ver. – Lamentou-se.

- Olha que eu tenho a impressão que as coisas não são bem assim. – Ironizei divertida.

Como é que ele podia estar a lamentar-se tanto? Toda a gente faz figura de parvo quando se apaixona e Jacob não tinha sido excepção. Eu estava super feliz por ele, finalmente tinha encontrado a pessoa certa.

- Olha Jake, podemos fazer assim, logo ligo à Jane e convido-a para ir lá a casa e assim podes tentar de novo. Pode ser? – Sorri.

- Acho que ela nunca mais me vai querer ver. – Respondeu taciturno.

- Oh, por favor, não sejas tão melodramático. Vá lá, sai do chão, estas ruas não são como as de Forks em que te podes sentar em qualquer sítio. Havemos de resolver as coisas. – Mais uma vez arrastei-o atrás de mim, mas agora ele dava mais luta porque ia a martirizar-se o caminho todo.

Ao fim da tarde fiz o que tinha prometido a Jacob, liguei à Jane. Assim que peguei no telemóvel ele sentou-se à minha frente, a olhar fixamente para mim com os olhos muito arregalados e atentos. Sempre que tentava desviar o olhar o dele seguia-me. Pareceu-me a conversa mais longa de sempre só por causa da pressão que Jake exercia em mim.

- Então? – Perguntou ansiosamente quando desliguei a chamada.

- Ela vem.

- Boa, boa, boa. – Saltou cheio de entusiasmo. – Vou tomar um banho para ficar fresco. Não me demoro nada! Avisa-me se entretanto ela bater à porta. – Disse enquanto corria para a casa de banho.

Não lhe respondi, ele estava demasiado excitado com a visita para prestar atenção ao que quer que saísse da minha boca. Meia hora depois ouvi a torneira do chuveiro a fechar. « Finalmente, para quem não ia demorar nada», pensei. Estava sentada no sofá com a televisão ligada mas não prestava atenção ao que se passava no ecrã. Estava a tentar arranjar uma maneira de fazer com que Jake caísse nas boas graças da minha amiga. Dez minutos mais tarde ele desceu as escadas e entrou descontraidamente na sala.

- Ainda não chegou? – Perguntou ansioso percorrendo a sala com o olhar.

- Não. Mas não deve tardar muito a chegar.

Jacob passou por mim para ir espreitar à janela da sala e um aroma chegou-me até ao nariz.

- Jake? Usaste o meu gel de banho de coco? – Inalei novamente o ar.

Ele abandonou a janela e aproximou-se de mim.

- Não te importas pois não? Foi só um bocadinho!

- Não, não me importo. E o resto do tempo que passaste debaixo de água, estiveste a fazer a depilação? – Jake preparava-se para me dar uma das suas respostas que despoletavam sempre discussões entre nós, mas a campainha tocou e ele correu para a janela a ver quem era.

- É ela! – Disse atrapalhado. – É a Jane! E agora? O que faço? Abro a porta? – Mal abri a boca para responder ele interrompeu logo. – Não. Vou lá para cima e finjo que não é nada comigo, depois desço as escadas muito descontraidamente e meto conversa, sim, é isso que vou fazer.

A campainha voltou a soar.

- O que estás a fazer ainda aí parada, abre a porta mulher. – Disse-me enquanto corria escadas acima.

- Vou ignorar o quão sexista foi essa última frase. – Silvei por entre dentes. Jacob atirou-me com um «desculpa ervilha!» abafado antes de fechar a porta do quarto.

Dirigi-me par a porta de entrada e abri-a. Jane tinha mudado de roupa, agora estava com umas calças de cabedal pretas, uma t-shirt preta com uma caveira amarrada em nó em cima da cintura, o que lhe expunha a barriga lisa, um casaco militar curto e um salto alto. Também ela cheirava bem e a sua maquilhagem estava cuidada.

- Olá. – Disse. - Entra!

- Ainda estou para descobrir porque me pediste para vir a tua casa agora à noite. – Atirou por cima do ombro enquanto entrava para a sala.

Tinha que arranjar uma óptima desculpa. Não lhe podia dizer que era por causa do Jake e do que se tinha passado naquela tarde, tinha que ser algo que realmente a agarrasse e que a “obrigasse” a permanecer, pelo menos até Jacob ganhar coragem de sair do seu quarto.

- Quero contar-te o porquê de ter faltado estes últimos dias à escola. – Disse-lhe.

- Sim, estiveste doente. – Depois lançou-me um olhar inquisidor. – Mas não me pareces nada ter estado doente.

- Pois, eu não estive doente. Aconteceu uma coisa. O Gavin está no hospital! – Rematei.

- Aquele pão de chocolate com mel está no hospital? Porquê? – Virou-se no sofá, com um joelho em cima das almofadas e completamente virada para mim, interessada.

- Algumas pedras de um muro caíram-lhe em cima e ele partiu umas costelas. – Agora que o dizia em voz alta a ideia parecia-me um bocado estúpida.

- Oh coitado! A sério? Mas ele está bem?

- Sim, já está melhor. Teve alta hoje! – Sorri para a encorajar a não me fazer mais perguntas.

- Óptimo! Ainda bem. – Coçou a cabeça e o seu olhar azul tornou-se penetrante. – Espera aí, como é que tu sabes disso tudo? Da última vez que verifiquei vocês não podiam um com o outro.

«Ora bolas».

- Foi…foi o meu irmão que o encontrou.

- Qual irmão? – Jane franziu o sobrolho. Esqueci-me que nunca lhe tinha falado de Edward.

- O meu irmão Edward. Ele esteve aqui a passar uns dias comigo e naquela noite encontrou o Gavin. Como é óbvio, mal ele me disse, eu senti-me na obrigação de o ir visitar e ver como ele estava. – Sorri.

- Edward? Acho que nunca me tinhas falado desse, quer dizer, também me lembro do nome dos outros teus irmãos, mas esse não tinha ideia.

Nesse mometo Jacob desceu as escadas e entrou descontraidamente n sala.

- Summer, por acaso não viste o meu…? Oh, olá outra vez. – Cumprimentou Jane e sorriu. Os seus olhos brilhavam.

- Já estás melhor? – Perguntou ela.

- Hum sim, desculpa lá aquilo de hoje à tarde. Demasiado sol na cabeça. – Ele deu uma gargalhada desprovida de humor.

- Pois, deve ter sido isso. – Ironizou Jane.

- Estás a querer insinuar alguma coisa? – Jacob perdeu o sorriso.

- Nada, nada! – Desdramatizou ela com um aceno de mão no ar.

«Perfeito, agora vão passar aos insultos e eu aqui no meio!»

***

 



Carolina às 21:47 | link do post | comentar

2 comentários:
De Anita Fartote a 21 de Novembro de 2010 às 19:16
lol lol lol
amor ódio tem piada!!! =)


De SLo a 20 de Dezembro de 2010 às 19:41
Gostei desta situação amor/ódio, mas reparei numa coisa... não se é falha minha ou tua, mas a Jane num outro capítulo não tinha reparado na semelhança entre a Summer e o Edward? E nesse mesmo capítulo eles não tinham inventado que o nome dele era Edward Keith?

Fiquei confusa... Lol

Mesmo assim, continua a escrever! Tens muito jeito! :)


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