Sábado, 20.08.11

"Angel Of Mine"

Capítulo 10 - Proximidade

 

 

 

 

Era segunda-feira de manhã. Uma semana exactamente, depois de Edward se ter mudado para Forks. E apesar do curto espaço de tempo, a minha vida tinha mudado tanto que quase não a reconhecia.

Acordei e olhei para o relógio. Já estava ligeiramente atrasada.
Preparei-me para a escola rapidamente, queria ter a certeza de que ele não tinha mesmo ido embora, e que ao chegar o ia lá encontrar.
Conduzi de forma apressada, uma coisa que não é habitual em mim. Ao chegar ao parque de estacionamento, avistei logo o seu volvo prateado. Senti um alívio profundo, que mal conseguia descrever.
Desci do carro e dirigi-me à entrada onde ele me esperava com Alice e os restantes Cullens.
- Bom dia Bella. – Foi Edward, com um enorme sorriso na minha direcção, o primeiro a cumprimentar-me, seguido pelos restantes.
- Bom dia a todos. – Respondi de forma mais alegre do que o habitual. O facto de saber que Edward estava ali alegrou definitivamente o meu dia.
- Estás atrasada Bella, é melhor irmos andando. – Era Jasper. Primeiramente, não compreendi o que me dizia, sentia-me demasiado cativada pela presença de Edward.
Obriguei-me a prestar atenção. Jasper olhava para o relógio. A primeira aula já devia ter começado e eu, tal como na semana passada, ia chegar atrasada outra vez.
- Vamos Bella! – Alice agarrou-me no braço e puxou-me em direcção à sala de aulas. – Até logo. – Disse, dirigindo-se aos outros.
Fizemos o caminho de forma apressada. Eu tinha razão a aula já tinha começado, e o professor Lewis passou um raspanete às duas pelo atraso.
No meio da explicação aborrecida do professor, algo pousou no meio do meu caderno. Era um bilhete de Alice.
"O Emmett disse-me que estives-te ontem à noite em minha casa à procura do Edward. Fizeram as pazes?"
Suspirei. Não era possível esconder nada a Alice. Tentei ser verdadeira com ela, na medida do que me era possível.
"Sim. Achei que era o melhor"
Voltei a dobrar o pequeno papel, e discretamente entreguei-lho.
Pelo canto do olho, vi Alice sorrir e escrever qualquer coisa. Pouco depois, o papel voltava para a minha mão.
"Ainda bem. Estava preocupada que vocês não se entendessem."
"Está tudo resolvido, podes ficar descansada."
Voltei a entregar-lhe o papel, e Alice parecia satisfeita. Era óbvio que não andava nada agradada com a minha zanga com Edward.
Saímos das aulas em direcção à cantina conversando animadamente, como há muito não me lembrava. Nem a quantidade absurda de trabalho que o professor Lewis passou para fazermos em casa, conseguiu tirar-me do meu estado de felicidade.
A hora de almoço passou rapidamente, por entre conversas descontraídas e alegres. Edward lançava ocasionalmente um enorme sorriso na minha direcção que me deixava quase sem respiração e com as pernas ligeiramente bambas.
Quando chegou a altura de voltar-mos para as aulas, levantamo-nos lentamente e cada um se dirigiu à respectiva sala. Edward esperou por mim enquanto me despedia de Alice e Rose, para que fosse-mos juntos para a aula de biologia.
- Mais calma hoje? – Virou-se na minha direcção, para me olhar enquanto falava, a sua expressão divertida, e os olhos dourados brilhando para mim.
- Definitivamente mais clama... - Obriguei-me a falar com coerência, estar junto dele, cada vez mais despertava estranhas sensações em mim, tinha de prestar atenção para não me perder na sua presença. - Mas ainda um pouco confusa. – Acrescentei.
- É natural. – Voltou a sorrir-me. Parecia muito mais solto, mais leve ao pé de mim. Não tão relutante em falar abertamente comigo.
Entra-mos na sala e sentamo-nos nos nossos respectivos lugares, numa das mesas do fundo. Edward, não parecia de todo, interessado na matéria que o professor Turner explicava sem parar. Olhava para mim, ainda com o seu sorriso nos lábios.
- Edward, alguns de nós, simples mortais, têm de prestar atenção à matéria que é dada. – Sorri levemente na sua direcção. – Não consigo concentrar-me se estiveres a olhar-me dessa maneira.
- Desculpa. É difícil para mim não o fazer. – Olhei-o da forma mais séria que consegui e ele pareceu conformar-se.
Encolheu os ombros e passou a olhar em frente, aparentemente absorto nas palavras do professor.
Agora era eu que o olhava. Definitivamente tinha de começar a estudar bastante em casa para esta matéria, pois nas aulas não ia longe.
Olhou-me pelo canto dos olhos e sorriu levemente.
A aula parecia passar mais devagar do que o normal, e quando deu o toque para sair foi um alívio.
Arrumei as minhas coisas apressadamente, enquanto Edward me esperava.
- Bella, estava a pensar... - Parecia escolher cuidadosamente cada palavra. – Se gostarias de estar mais um pouco comigo hoje?
Hesitei, tentando conter a minha felicidade. É claro que queria estar com ele. Tinha milhões de perguntas na minha cabeça que queria fazer-lhe.
Vendo a minha hesitação, Edward deve ter pensado que eu não queria, porque disse logo a seguir:
- Mas se não quiseres entendo perfeitamente...
- E contas-me mais coisas sobre ti?
- Depois de tudo, é isso mesmo que queres? – Parecia um pouco receoso, talvez temesse assustar-me outra vez.
- Gostava de saber mais, se não te importares. – Olhei-o um pouco receosa. – Quero conhecer-te.
Baixei os olhos e olhei para os sapatos, um pouco envergonhada.
- Se é isso mesmo que queres... Espero que gostes de histórias de terror. – Sorriu, mas não era um sorriso tão caloroso como antes.
Compreendi o que me dizia. Que devia haver coisas no seu passado tão terríveis que provavelmente me deixariam os cabelos em pé, tão aterradoras que eu não conseguia sequer imaginar. Apesar do ligeiro medo que me provocava, a curiosidade era maior, muito maior. E eu já estava demasiado cativada por ele, tinha-me deixado envolver e agora não havia volta a dar.
Caminhamos juntos até à porta da entrada, onde os restantes Cullens nos esperavam. Alice sorria na nossa direcção, nada discreta.
- Bella, queres passar lá por casa hoje? – Era Alice. – Podemos trabalhar juntas para trigonometria.
- Sim, parece-me boa ideia. – Também me parecia boa ideia porque o pensamento de estar na mesma casa que Edward era absurdamente bom.
Conversamos ainda durante alguns momentos, despedi-mos e cada um foi para o respectivo carro. Edward, deixou-se ficar para trás.
- Vemo-nos mais logo então. – Sorriu e aproximou-se beijando-me na bochecha.
Não fui capaz de lhe responder, apenas fiquei ali, de pé a vê-lo afastar-se, antes de voltar à realidade.
Quando cheguei a casa, Jacob e Charlie já lá estavam, sentados na sala a ver o canal de desporto.
- Olá família. – Cumprimentei-os.
- Olá. – Disseram em uníssono, mas sem tirar os olhos da tv.
- Pai, só vim deixar as minhas coisas, vou estudar para casa da Alice, tudo bem?
- Claro, Bella.
Não valia a pena continuar ali, duvidava que algum dos dois tivesse verdadeira noção da minha presença.
Subi para o meu quarto, pousei a mala, e tirei apenas o material necessário. Voltei a descer para a cozinha, fiz um lanche rápido e estava pronta para sair.
- Adeus, até logo. – Gritei-lhes já na porta de entrada.
Fiz o caminho até à casa do Cullens, que já me era mais do que familiar, de um jeito apressado. Queria estar com Edward outra vez.
Durante a noite, tinha pensado se o mais sensato não seria afastar-me. Esquecer tudo o que se tinha passado entre nós, esquecer o que ele era. Pensei se não devia sentir-me mais assustada com o facto de ele não ser humano.
Mas depois de muito pensar, cheguei à conclusão de que era impossível afastar-me. Estar com ele trazia-me felicidade. Ele tinha confiado em mim, e eu não pretendia trair essa confiança. Além de que não conseguia evitar sentir-me segura na sua companhia. De certo ele teria tido muitas oportunidades de me magoar, se fosse essa a sua intenção, no entanto não o tinha feito.
Estacionei na garagem, onde além do Porsche de Alice, se encontravam o jipe de Emm, o descapotável de Rose, a mota de Jasper, o carro familiar de Esme, e o Mercedes de Carlisle. Não havia sinal do volvo prateado.
Toquei à campainha, perguntando-me onde estaria Edward. Ele tinha-me perguntado se queria estar com ele, mas não estava em casa. Talvez tivesse mudado de ideias.
Foi de semblante mais triste, que fui juntar-me a Alice e Rose. Pouco depois Emmett e Jasper, vieram juntar-se a nós, mas Edward, nem vê-lo.
Sentia-me cada vez mais triste, e quando acabamos o trabalho, só pensava em sair dali. Já era de noite, e Edward ainda não tinha voltado a casa. Onde estaria?
Os Cullens insistiram muito para que ficasse e jantasse com eles, mas eu não tinha vontade de ficar ali nem mais um segundo. Dei uma desculpa, e agradecendo o convite mais uma vez, dirigi-me à garagem e entrei no carro.
Charlie e Jacob já tinham jantado quando cheguei, mas isso não me incomodou, não sentia fome.
Subi directamente para o meu quarto, sentia a cabeça a andar à roda. Não entendia o que se passava. Pensei que estávamos mais próximos, mas parecia ser apenas ilusão minha.
Deitei-me na cama, e fechei os olhos, a felicidade que senti durante todo o dia parecia ter-me abandonado. Esperava ansiosamente estar com ele, mas ele parecia não sentir o mesmo.
Toc... Toc...
Ouvi pequenas batidas. Olhei em volta.
Toc...
Vinham da janela. Levantei-me e fui ver o que seria. Abri a janela, e olhei lá pra baixo, para a escuridão da noite.
- Bella?
Ouvi uma voz melodiosa que vinha lá de baixo.
- Afasta-te para que possa entrar.
Dei um passo atrás e um segundo depois vi-o pousado no parapeito da janela.
- Edward, o que estas a fazer? – Falei baixo, não queria que Charlie ou Jacob nos ouvissem.
- Disse-te se podíamos estar juntos e concordas-te.
- Não pensei que te referias a entrar no meu quarto pela janela às tantas da noite.
- Posso ir embora se quiseres.
- Não! – Apressei-me a impedi-lo. Agora que ele estava ali, não queria que se fosse embora. – Fica por favor.
Desceu da janela e sentou-se na minha cama, como havia feito da última vez que lá estivera.
- Pensei que ia encontrar-te à tarde em tua casa. Mas não estavas quando cheguei.
- Tinha assuntos a tratar fora da cidade. – Encolheu os ombros. – Nada de mais.
Não sabia o que lhe responder. Sentia ainda mais curiosidade. Que assuntos seriam esses?
- Para a próxima acho que tens de ser um pouco mais específico, quando disseres que queres estar comigo. Pensei que te tinhas esquecido... ou... que não querias...
- Como é que isso seria possível? – Acariciou-me suavemente. – Se estar contigo é tudo aquilo que desejo.
Senti-me corar um pouco.
- Desculpa se te aborreci. Não era a minha intenção. Mas surgiram algumas complicações...
- Posso saber quais? – Tentei não soar inquisitiva demais.
Hesitou um bocado. Não parecia querer responder à pergunta.
- Alguns conhecidos meus chegaram hoje a Seattle. Fui até lá visita-los pois não os quero próximos.
- Esses conhecidos são... como tu?
- Sim.
Mais vampiros? Não sei porque a ideia me espantou assim tanto, Edward não era o único com certeza.
- E eles querem vir até aqui?
- Não interessa o que eles querem. – A voz de Edward parecia mais fria. Parecia aborrecido. A vinda daquelas pessoas não parecia agradar-lhe minimamente.
- Edward, gostava de saber mais... sobre ti... sobre a tua espécie.
- Tens a certeza? – Acenei que sim, e tentei parecer segura, queria mesmo muito saber mais sobre ele.
- O que gostarias de saber?
- Há muitos como tu?
- Suponho que sim. Não há um número exacto, mas ainda existem bastantes espalhados pelo mundo. Embora não tantos como no passado.
- Queres dizer que antes havia mais do que agora? O que aconteceu?
- Nós próprios traçamos a linha da nossa extinção. Antigamente, as pessoas estavam conscientes da nossa presença na Terra. Os vampiros eram soberanos e nada cuidadosos. Começaram a tornar-se bastante violentos, caçando de forma desmedida. Mas então surgiram os caçadores, e os vampiros remeteram-se à obscuridade, acalmaram-se e tentavam passar despercebidos. Aos poucos as pessoas começaram a esquecer, e a nossa existência permanece em segredo desde então.
Olhou-me, em busca de alguma alteração na minha expressão. Não estava assustada. Já tinha aceitado que havia coisas para além do normal, coisas que pensava apenas existirem em sonhos ou filmes.
- Ainda existem caçadores?
- Suponho que sim. Mas há anos que não encontro nenhum.
A sua referência aos anos, despertou uma curiosidade em mim, que até aí não tinha considerado.
- Edward, que idade tens?
- Espero não te assustar com o que te vou revelar. – Suspirou. – Fui transformado há mais de quinhentos anos atrás.
Senti-me como se tivesse sido atingida por algo bem pesado na cabeça. Quinhentos anos? Ele estava a falar mesmo a sério?
- Suponho que durante esse tempo conheces-te muitos sítios e muitas pessoas?
- Supões bem. – Sorriu-me. – Mas nunca conheci ninguém como tu.
- Queres dizer tão azarada como eu, que tinha de arranjar problemas com um vampiro?
Sorriu levemente e abanou a cabeça.
- Não. Queria dizer tão cativante como tu. Acho que não sabes o quão especial és. – Não estava a acompanha-lo, e ele deve ter percebido isso mesmo, porque apressou-se a explicar. – Como te disse, os vampiros têm o poder de manipular os humanos facilmente, faze-los decidir e agir conforme a sua vontade. Isso torna-os marionetas nas nossas mãos, consegui-mos priva-los do poder de escolha. Isso faz com que os humanos percam todo o interesse, pois podemos sempre sentirmo-nos tentados a usar o hipnotismo caso algo não nos agrade. Mas tu, tu terás sempre o poder de tomar as tuas próprias decisões. Eu nunca poderei influenciar-te, e isso faz-me querer estar ao pé de ti, ainda mais.
Senti-me corar ligeiramente. Não acreditava ser merecedora de tudo o que me dizia. Não acreditava que alguém como ele, pudesse achar-me a mim, minimamente interessante.
- Acho que já descarreguei informação suficiente esta noite. – Levantou-se do meu lado. – Está na hora de ir embora.
- Vais voltar amanha? – Tentei não soar esperançada demais, caso ele disse-se que não.
- Claro, mas deixa a janela aberta, não quero ter de voltar a mandar pedrinhas contra ela. Corres o risco de ficar sem janela.
Voltou-se para a janela, pronto para ir embora, quando uma pergunta se formou na minha mente.
- Edward, só mais uma pergunta. – Sentia-me um pouco embaraçada com a pergunta que ia fazer. – Como é que consegues andar à luz do dia?
Ele riu discretamente.
- É verdade que os vampiros preferem a noite, mas isso não quer dizer que não conseguimos andar à luz do sol. Apenas sentimos mais preguiça durante o dia, só isso.
Ainda tinha muito a aprender, é certo.
- Então até amanhã Edward.
- Até amanhã. – Despediu-se com um breve beijo na minha testa. – Boa noite Bella.
E desapareceu na noite escura.

 



Constança às 21:59 | link do post

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