Segunda-feira, 12.09.11

"Angel Of Mine"

Capítulo 15 - Poder

 

 

 

 

Jacob, tal como Edward dissera, continuava desconfiado. Desde o incidente de Sábado que passara a agir de forma estranha e nada normal. De vez em quando, sem nenhuma razão em especial, ia bater-me à porta do quarto olhando sempre em volta quando entrava.
A porta do seu quarto, mesmo em frente ao meu, quase nunca estava fechada, encontrando-se sempre meia aberta quando ele se lá encontrava.
Os seus esforços, no entanto, não surtiram grande efeito no combate às visitas nocturnas de Edward. Os seus sentidos apurados de vampiros eram uma ajuda mais que valiosa, que o avisavam sempre que Jacob se aproximava da porta do meu quarto. A rapidez de Edward em desaparecer em menos de um piscar de olhos, também se mostrou extremamente útil.
Por isso mesmo, Jacob andava mais mal-humorado do que o costume, a sua frustração por não encontrar evidências de que algo fora do comum se passava era notória, e com o passar dos dias, o seu comportamento ia se tornando cada vez mais insuportável.
Eu, pelo contrário, não podia andar mais bem-disposta.
No fim dessa semana, a nossa relação já não era novidade alguma na cidade, e as coisas ficaram muitos mais fáceis. Era um alívio enorme para mim, não ter a escola toda a observar atentamente todos os meus passos.

*

Há medida que os dias iam passando, as coisas iam ficando cada vez mais normais, tão normais quanto uma relação entre um vampiro e uma humana podiam ser, é claro. Ainda tinha de mentir constantemente às pessoas mais próximas de mim, e embora esse facto ao início não me agradasse particularmente, agora já se tinha tornado um hábito.
No fim-de-semana seguinte, Edward teve de se ausentar de novo para se deslocar a Seattle. Apesar de ele me ter repetido vezes sem conta antes de partir que não me preocupasse, era-me fisicamente impossível não o fazer, e nada do que ele disse-se podia alterar esse facto. Por isso mesmo, foi com grande alívio que vi chegar a noite de domingo, depois de ter passado o mais longo e torturante fim-de-semana do qual tinha memoria.
Aguardei silenciosamente no meu quarto, depois de ter verificado a porta que se encontrava bem trancada, não fosse Jacob fazer-me mais uma das suas visitas.
Enquanto esperava por algum sinal dele, observei o ponteiro do relógio deslocar-se lentamente, aproximando-se da meia-noite.
Senti a solidão a envolver-me como nunca antes tinha sentido. Estava decidido, para a próxima, não iria deixa-lo ir sozinho, ia espernear, insistir, implorar, se tal fosse necessário, mas não ia deixa-lo afastar-se sozinho de novo. Não podíamos estar separados, éramos mais vulneráveis dessa forma. Estar longe dele fazia-me mal.
O relógio fazia a sua caminhada, ainda mais lenta, ao que me parecia, a caminho da uma da manhã. A espera começava a tornar-se insuportável.
Deitei-me na cama e virei-me para o tecto. Concentrei toda a minha atenção em decorar todos os pormenores que o adornavam, todas as sombras que nele eram projectadas. Passados alguns minutos, conclui que nada mais havia de novo naquele tecto, mas recusei-me a virar o olhar, não queria voltar a concentrar-me no relógio.
Os minutos continuavam a passar, ou seriam horas? Sentia cada vez mais o cansaço e o sono a apoderarem-se de mim, mas tentei resistir. Sem forças para continuar a lutar, deixei-me envolver num sono sem sonhos.

PDV de Edward

Estava cansado.
As viagens que tinha de fazer constantemente a Seattle para acalmar Aro, Caius e Marcus, aborreciam-me.
Mas tinha de o fazer. Não os queria perto de Forks, perto da minha Bella. Se eles sequer soubessem da sua existência, a sua constante insistência ridícula em me vigiar iria tornar-se ainda mais insuportável.
Chovia em Seatle nessa noite.
À medida que me afastava mais de Forks, e me aproximava cada vez mais do covil onde os anciãos se escondiam, senti-me como se gelasse um pouco mais por dentro. Estar longe dela era intolerável. Teria de fazer os possíveis para que esta visita fosse rápida, não suportava a ideia de a deixar sozinha em Forks, principalmente com o Jacob Black por perto.
Senti-me frustado. Mais do que alguma vez me tinha sentido. Ela era tudo para mim, era a minha vida. Estar com ela quase me fazia sentir humano outra vez. Embora a sensação de humanidade me fosse um pouco estranha, pois há muito tempo que já não o era.
Conduzi com mais velocidade ainda, queria estar de volta o mais rapidamente possível. Não sabia o que me esperava, Aro não tinha especificado o tema da conversa, apenas disse que era importante demais para o concelho decidir sozinho.
Segui por uma rua escura em direcção a uma enorme mansão ladeada por altos e antigos gradeamentos de ferro forjado. Ao aproximar-me mais, dois vampiros vestidos de forma bastante formal abriram os portões por entre duas vénias rasgadas.
Desci rapidamente do carro e dirigi-me à entrada. Mais uma vez a porta foi aberta à minha passagem.
- Edward. – Mal entrei, ouvi uma voz à minha direita. – Até que enfim chegas-te. Estávamos a tua espera – Fez uma pequena vénia com a cabeça.
- Aro. Quero saber qual o assunto que me levou a vir aqui.
- Por favor segue-me. O concelho está reunido, esperávamos apenas a tua chegada.
Seguiu em direcção ao segundo andar. Segui-o em silêncio até uma sala grande e bem iluminada onde já se encontravam Caius e Marcus.
- Edward. Aguardávamos impacientes a tua presença. – Ambos fizeram uma vénia mais pronunciada que a de Aro.
- O que se passa? – Fui directo ao assunto, não queria perder muito tempo ali.
- O James, está de volta.
Senti a fúria a despertar de novo em mim. O James estava de volta? Não podia ser.
- Como é que sabem? – Tinha de ser algum engano, ele não podia estar de volta.
- Félix. – Foi Marcus que o chamou. Da porta lateral da sala, saiu um vampiro enorme, mas não vinha sozinho, um vampiro de cor negra vinha com ele. Tinha um aspecto andrajoso.
- Laureant? – Senti uma onda de raiva a invadir-me. - O que fazes aqui? Pensei que te tinha avisado para não voltares. – A Raiva era cada vez maior.
- O James obrigou-me, Edward, eu não queria, tens de acreditar em mim.
Estava visivelmente assustado, e esse facto agradou-me. Aproximei-me dele, de modo a ficar-mos cara a cara.
- Talvez acredite, se me disseres o que é que o James quer.
-Eu não sei, ele não me disse... Argh...
Estendi o braço e agarrei-lhe o pescoço. Era tão frágil, podia quebra-lo sem qualquer esforço.
- O g-garoto... - Afrouxei um pouco o aperto, queria entender cada palavra que me dizia. – Ele q-quer acabar o q-que começou.
- O Garoto? – Não esperava aquela resposta. A que garoto ele se referia?
- Ele estava lá, no dia, ele estava lá, mas...
Continuava a gaguejar, parecia bastante relutante em ceder as informações que possuía. Afrouxei o aperto um pouco mais, ele tinha que dizer o que sabia. Se James voltara realmente, eu tinha de ter a certeza de quais as suas intenções, embora na minha mente uma ideia se começasse a formar.
- Acho que é tudo. – Aro estendeu o braço e perfurou-lhe as costas. Em menos de um segundo já ele caía duro no chão.
Senti uma fúria indescritível. Olhei Aro, que se encontrava falsamente sereno enquanto atirava o coração gelado de Laurent para um canto.
- Porque o fizeste? Ele tinha algo a dizer. – A fúria era perfeitamente visível na minha voz, e eu nada fiz para a ocultar.
- De certeza que eram mentiras infundadas. Ele não dizia nada com sentido.
Dei um passo em frente, na sua direcção olhando-o nos olhos. Mesmo atrás de Aro, Caius e Marcus pareciam amedrontados.
O ódio e a raiva fluíam em mim. A minha mente explodia com poder. Queria magoa-lo, queria dar-lhe uma lição. Por todos os meus poros transbordava a sensação de vingança. Esforcei-me por tentar controlar todas as sensações que me corrompiam.
O meu esforço porém foi em vão, e quando dei por mim, Aro já se encontrava no chão, contorcendo-se e arquejando. Tentei ao máximo controlar-me, ou acabaria por fazer algo de que me iria arrepender. Apesar disso, não pude evitar um sentimento de contentamento. Ele merecia sofrer.
- Nunca mais tentes sequer, tomar este tipo de decisão por mim, a próxima vez posso não me sentir tão benevolente.
Olhei-os de forma definitiva, dando a entender que o assunto estava encerrado ali.
- Claro Edward, como entenderes.
- Espero não voltar a ser contactado tão cedo.
- Mas Edward, com o James à solta, não seria melhor ficares aqui? Aqui tens toda a protecção ao teu dispor.
- Achas mesmo que preciso da vossa protecção?! Não me parece... - Voltei-lhes as costas e comecei a dirigir-me à saída. Eu lidaria com James quando chegasse a altura. – Adeus.

 



Constança às 22:09 | link do post

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