Sábado, 05.11.11

"Into The Moon"

Capítulo 22 - Encontro no Hotel

 

 

 

 

 

Chegámos à hora combinada. O hotel ficava numa parte movimentada da cidade. Em todas as esquinas viam-se homens e mulheres a beber e a falar alto. Reconheci o significado de algumas palavras em espanhol. Deixámos que Emmett estacionasse o seu carro antes de sairmos do nosso. Enquanto isso Edward insistia em entrar sozinho.
- Bella....
- É que nem pensar.
-A Tânia vai comigo.
- Edward...
- Bella não estou a argumentar esta questão. – disse num tom firme. - Quero mesmo ir sozinho... pelo menos agora no inicio. Caso seja necessário chamar-te-ei.
Fiquei embasbacada com o seu discurso. Ele não queria mesmo que eu fosse. Notei que estava nervoso mesmo que ele tivesse tentado disfarçar no seu tom de voz.
- Alguma razão em especial para que não queiras que a tua esposa não vá contigo? – perguntei em tom petulante.
- Não. É mesmo por uma questão de seg...
- De segurança?? – interrompi irritada. Ele esperou que a minha respiração abrandasse para terminar a sua frase.
- Ele quis conversar comigo sozinho. A Tânia também vai, mas apenas porque ela insistiu com ele...
- E eu estou a insistir contigo.
- Bella por favor não dificultes mais isto. – nesse momento apercebi-me o quanto lhe custava negar-me isto. Decidi acalmar-me e não insistir mais no assunto. Pelo menos agora.
- Está bem. – disse com brandura e aproximei os meus lábios dos dele. – Mas, por favor, tem cuidado. Vou estar aqui alerta. Ao mínimo sinal entro, combinado?
- Sim – respondeu dando-me o seu sorriso enviesado. – Amo-te.
- Também te amo... muito. – após um intenso beijo com um ligeiro sabor a despedida saí do carro e fui para junto dos outros.
O edifício tinha uma fachada bastante clássica e elegante. Edward e Tânia entraram sem que o segurança sequer lhes notasse a presença. Sentia-me nervosa, e o facto de estar longe dele não ajudava em nada.
- Bella tem calma. – pediu Kate.
- Eu já estou tonto de a ver andar às voltas. – murmurou Garrett numa tentativa falhada de ser engraçado.
- Tenho um bom pressentimento sobre isto. – insistiu Kate tentando confortar-me. E deu um pequeno encontrão ao companheiro.
– Bellita, ele está bem. E não está sozinho.
- Ui o que tu foste fazer... - murmurou Emmett com um assobio.
- O que foi? – quis saber Kate.
- É o Emmett que tem uma grande boca. – resmunguei.
- É... eu conheço mais alguém assim por acaso. – lembrou Kate.
- Já cá faltava falares de mim como se eu não estivesse aqui mesmo ao teu lado! 'Chiça pa mulher!
Felizmente com a deixa de Kate e Garrett não tive que justificar o comentário ridículo de Emmett. Lancei-lhe um olhar irritado ao que ele respondeu com um largo sorriso.

Ponto de vista de Edward Cullen

Estávamos quase a chegar ao parque de estacionamento do hotel. Tenho a certeza de que ela vai querer entrar. E vai insistir, insistir até eu concordar com ela. Mas não desta vez. Não tenho a mínima ideia do que me espera, do porquê que ele quer falar apenas comigo e, somente permitiu a companhia de Tânia. A reacção dela ao saber que Tânia iria acompanhar-me foi de amuo. Meu deus... até amuada ela fica maravilhosa. Era ridículo como, depois deste tempo todo, ela sentisse algum ciúme ou algo similar em relação a Tânia. Bem não era só em relação a Tânia. Mas não me podia queixar porque a minha reacção era semelhante sempre que algum homem se atrevia a olhar mais atentamente para ela. No entanto, ela desistiu ainda no inicio da nossa pequena discussão, tornando as coisas mais fáceis.
Assim que chegámos à recepção do hotel, havia um indivíduo já preparado para nos levar até Román. Fomos direccionados até um salão privado, escondido dos olhares humanos curiosos, num canto longe do bar. Cumprimentámo-nos muito cordialmente; fiz um esforço suplementar para olhá-lo nos olhos sem que os meus espelhassem a raiva que se sentia por ter levado a minha filha. E foi por aí mesmo que ele começou a conversa.
- Antes de mais, Edward, quero pedir-te desculpas. Não há nada que justifique aquilo que fiz...o que provoquei...
- Tens razão. – respondi secamente. A minha verdadeira vontade era saltar-lhe para cima e arrancar a sua cabeça. Mas, por alguma, razão, havia algo que me impedia de o fazer. E não era Tânia, ou qualquer empregado intruso que por ali houvesse. Havia um motivo para o qual ele nos havia chamado ali. E eu queria saber qual era.
- Há algo que vos quero contar. Mas primeiro queria desculpar-me contigo Edward, mas também a Bella pelo que provoquei. Nunca foi minha intenção fazer mal à menina. Nunca. – disse com um sincero tom de lamentação. Pelas imagens que passeavam na sua mente percebi que ele escolhia os pensamentos e restringia-me o acesso a outros mais profundos. Mas estava a ser sincero quanto ao que dizia.
- Muito bem, antes de mais preciso saber porque o fizeste. – afirmei.
- Edward eu... - hesitou antes de debitar tudo a uma velocidade completamente brutal. – Precisava de atrair, não só a vossa atenção, mas a vossa presença até aqui. Preciso da vossa ajuda. É algo muito...importante para mim. Do qual depende a minha vida... literalmente. A minha história é muito semelhante à vossa. Quero dizer... quase. – completou com pouco à vontade. O seu discurso tornava-se cada vez mais confuso e enigmático. E depois continuou:
- A história que vos contei, no dia em que Tânia me levou a sua casa, é verd... Quero dizer eu não vos contei tudo. Ainda não estava preparado.
- E agora estás? – interveio Tânia.
- O que mudou? – quis saber.
- Na realidade nada mudou. Apenas eu mudei. Quero resolver isto. Nunca fiz mal a ninguém... - e deteve-se quando disse isto. Os seus pensamentos estavam muito nublados. – Não tenho intenção de magoar ninguém, nem de provocar desordem numa família tão unida como a vossa.
- Vais contar-nos porque quiseste falar apenas connosco? – perguntei.
- Nós não viemos sozinhos, como deves saber. – informou Tânia.
- Eu sei. Já o adivinhava.
- E? – insisti.
- Preciso da vossa ajuda.
- Já o disseste. Mas o que ainda não disseste foi para quê. – insisti farto dos rodeios dele.
- Eu preciso muito da vossa ajuda. – repetiu em tom de misericórdia.

Ponto de vista de Bella Cullen

O ponteiro dos segundos do relógio, que Edward me tinha oferecido, parecia ter que pedir permissão ao dos minutos para avançar no mostrador.
- Eles nunca mais saem de lá... - suspirei.
- Bella, eles estão bem. Estão num hotel. – provocou Emmett mais uma vez. Dirigi-lhe um olhar inquisidor.
Pelo olhar de Kate pude perceber que também ela havia entendido as indirectas de Emmett.
Nesse instante vi Edward e Tânia saírem do hotel acompanhados de Román. Instintivamente corri, a um ritmo humano, lento de mais, em direcção a Edward. Román cumprimentou-me muito formalmente.
- Bella gostaria de me desculpar pelo sucedido naquela tarde...
Olhei para Edward, examinando a sua reacção. Ele assentiu com o olhar.
- Espero, mais tarde, ter a oportunidade de me explicar melhor. – insistiu Román.
- Terás amanhã. – respondeu Edward num tom áspero.
Román entrou num automóvel escuro e partiu a alta velocidade desaparecendo depois de virar numa esquina.
- Meu amor estava tão ansiosa. – murmurei abraçando-o – O que quiseste dizer com amanhã?
- Amanhã iremos a casa dele.
- Não, não vais sozinho a mais nenhum encontro com ele...
- Todos. – completou ele. – Vamos todos.
- Ah? – deixou escapar Kate surpresa.
- Vamos todos a casa dele. – repetiu Tânia.
-Para quê? – quis saber Emmett.
- Não sabemos. Mas ele quer a nossa ajuda. – respondeu Tânia.
E antes que alguém perguntasse para quê, o meu marido respondeu. - Não sabemos.
...
No caminho de volta a casa já ninguém tinha vontade de fazer corridas de automóvel. Assim que lá chegámos contámos as novidades aos restantes. Ninguém fazia a mínima ideia dos motivos de Román. E não adiantava tentar adivinhar, pois, aquele sujeito já havia provado ser muito imprevisível.

Alice teve uma epifania ao ver o estado do meu vestido.
- Mas afinal onde é que vocês foram? À selva?!
Eu já sabia que ela ia reagir assim.
- Parece que a Bella e o Edward andaram a brincar no carro... - atirou Emmett.
- Por acaso! – sibilei.
-Eles andaram a brincar às corridas... - explicou Garrett.
- Ah? – os olhos de Alice tornaram-se ainda mais interrogativos, depois suspirou com se não houvesse mais esperança. – Bem não interessa.
- Vais deitá-lo fora? – perguntei estupefacta.
- Com muita pena minha... sim.
- Não estás a falar a sério... – atirei surpreendida.
- Bella sabes quanto custou esse vestido? Sabes que é de seda pura?
- Vais deitá-lo fora? – perguntou Kate também ela surpresa.
- Bem não interessa. Já não há nada a fazer. É uma pena. Tu nem dás valor a... - lamentou tentando fazer chantagem emocional comigo.
- Vá pronto eu depois compenso-te com uma ida às compras. – disse com condescendência. Os olhos de Alice encheram-se de brilho e regozijo.
- Juras?
- É mesmo preciso isso tudo?
- Tu depois arranjas desculpas e...
- Juro. – interrompi suavemente. – Mas só uma tarde.
- Ok, ok. Vai ser a loucura!!! – a sua voz cantarolava de contentamento.
- Kate vens também, não vens? – perguntei.
- Claro!
- Pronto lá vão elas às compras... - resmungou Garrett.
- Se quiseres também podes vir. – disse Kate.
- Quê? Ir aqui e acolá? Fazer turismo no Shopping? Não obrigada.
Kate sorriu com presunção.

Edward permanecia um pouco abatido, ainda que tentasse disfarçar de cada vez que olhava para ele. O meu amor parecia... triste. A certa altura da noite, quando a lua estava empoleirada no céu escuro, refugiámo-nos no nosso quarto.
- Queres dizer-me em que estás a pensar? – perguntei enquanto encostava o meu corpo ao dele na enorme cama de carvalho que ocupava o centro do quarto.
- Não estou...
- É escusado negares... - interrompi despertando um ténue sorriso naquele rosto de anjo. – Já te disse: também sei ler a tua mente. – lembrei com presunção.
- Não sei bem... mas há algo estranho com o Román. O semblante dele, hoje, enquanto conversávamos era de medo... medo e uma profunda tristeza.
- O que leste na mente dele?
- Ele escondeu sempre os pensamentos mais profundos. Basicamente barrou-me o acesso a eles. Deve haver algo de muito errado com ele... Estou confuso. Não sei explicar. Sinto que partilho algo com ele. Não sei o quê. – disse pensativo.
- O que posso fazer para ajudar? - perguntei com o desejo de tornar as suas feições menos tristes.
- Estás aqui comigo, esse teu aroma maravilhosamente delicioso. Isso basta para que a minha mente vagueie para outros pensamentos bem mais atraentes.
Um largo sorriso formou-se nos meus lábios. - Tudo o que o Sr. Cullen quiser... - proferi com insinuação. E beijámo-nos durante longos momentos, até que os primeiros sinais do amanhecer surgissem e nos recordassem do que iríamos fazer nesse dia.
Assim que cheguei à morada da casa de Román julguei estar preparada para tudo: tinha revisto todos os acontecimentos plausíveis e todas as minhas reacções face os mesmos. Mas, no fim, tudo acaba nesta reflexão: de facto não podemos estar preparados para nada. Haverão sempre situações que fogem ao nosso domínio, ao nosso controle e sobre as quais temos de agir instantaneamente. Porque de facto não estava preparada para aquilo. Nem eu, nem Edward. Nem Carlisle e Eleazar que tinham mais de dois séculos de existência. Nem a própria Alice poderia adivinhar isto. Nem Garrett havia visto semelhante coisa nas suas longas e excêntricas viagens pelo Mundo fora. Ninguém estava preparado. Mesmo assim, teríamos de assimilar e lidar com aquilo agora mesmo. Neste preciso momento.
Estacionamos em frente a uma casa com uma fachada enorme e envelhecida. As plantas que ladeavam a entrada estavam sem vida e só as raízes secas permaneciam na terra. Román recebeu-nos com um olhar desconfiado por ver tantas pessoas. Era notório que lhe custava partilhar a sua privacidade com tanta gente de uma só vez. Mas era assim ou nada. Fora o combinado.
- Antes de mais, muito obrigada por comparecerem. Significa muito para mim. – disse Román.
Edward assentiu com a cabeça. – Disse-te que vínhamos. Agora queremos saber o que pretendes de nós.
- É justo. – respondeu com um sorriso abatido. – Por favor acompanhem-me. Entreolhámo-nos denunciando a nossa desconfiança naquele homem tão misterioso; cada uma das suas falas constituía mais um enigma sobre si próprio.
A madeira que constituía o chão da entrada tinha um aspecto gasto, baço, poeirento. Era evidente que os utensílios e móveis não eram utilizados há imenso tempo. No andar de baixo, pelo menos, não havia sinal de vida. A luz que insistia em penetrar nas velhas janelas, contornando as cortinas amareladas pelo tempo e pelo sol, era vaga e muito difusa, relembrando-me as casas mortuárias. Enfim, tudo isto me pareceu muito estranho. Edward mantinha a sua mão firmemente agarrada à minha. Eu não me importava com isso. Fazia-me sentir mais segura, mas por outro lado, fazia-me sentir que o tinha mais perto de mim para o caso de ter de o proteger de algo ou de alguém.
Pouco tempo depois de entrarmos na casa, os comentários sem qualquer pudor, tanto de Emmett como de Garrett, começaram:
- Parece uma casa fantasma.
- Ou a da família Adams.
- Será que ele tem masmorras lá em cima?
- Meu...nesta vida já vi de tudo...
Ninguém censurou estes comentários, aliás, parecia que ninguém tinha ouvido. O que não era, de todo, verdade. O rés-do-chão estendia-se por um longo e, interminável corredor, pelo menos assim me pareceu à primeira vista. As paredes eram preenchidas por quadros, com temas antigos, alguns citadinos outros campestres. Os locais onde não haviam quadros pendurados anunciavam o quão velha a parede estava. Porém, antes que conhecêssemos mais daquela sala, Román direccionou-nos para o andar de cima.
Subimos as escadas, que faziam um barulho, com certeza assustador ao ouvido humano, pois cada degrau rangia mais que o anterior.
Reconheci Román em algumas fotografias espalhadas pela parede que acompanhava a escadaria velha. Nestas Román aparecia acompanhado por uma jovem mulher, que me parecia humana. Pareciam felizes, olhando um para o outro.
O andar de cima estava no mesmo estado que o rés-do-chão.
Neste primeiro andar duas grandes janelas acompanhavam uma estante de madeira maciça enorme, de aspecto pesado e clássico. A estante estava repleta de livros de filosofia e ciência. Da mais pura que poderia haver. Edward olhou para mim em busca de qualquer pensamento relacionado com o conteúdo da estante. Mas eu não sabia o que pensar daquilo, ou das teias de aranha nos cantos do tecto, ou das cortinas gastas que cobriam os vidros das janelas.
No entanto, não nos ficámos por aqui. Subimos mais um lance de escadas que nos levavam ao último andar da casa. Este era ainda mais sombrio que as outras divisões. Permanecia numa penumbra nebulosa, apenas interrompida por alguns raios de sol que sombreavam as persianas velhas e partidas que cobriam a única janela grande que poderia iluminar o corredor.
Román parou em frente a uma porta escura de madeira robusta, que estava trancada à chave.
- Por favor, tentem compreender a situação. – pediu com veemência.

 



Constança às 22:09 | link do post

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