Segunda-feira, 21.11.11

"I'm Rosalie Hale"

Capítulo 2 - God has send me an Angel named Rosalie

 

 

 

 

 

Emmett
As memórias são longínquas e pouco nítidas com aqueles olhos que eram humanos.
Não me lembro ao certo o que me levara á floresta em tal dia, não me consigo mesmo recordar. Sei que havia árvores altas e eu trepei algumas, lembro-me de umas flores roxas no pé da montanha situada na pequena cidade de Sandy. O Utah sempre fora conhecido por fazer parte dos Estados das Montanhas Rochosas e eu gostava da natureza, do ar puro e do verde.
Para a época em que eu nasci, eu era céptico. Não era religioso e muito menos acreditava em mitos como aqueles que os aldeões usavam para explicarem cabras que apareciam drenadas de sangue ou lobos que uivavam á lua cheia.
Mas a minha visão do que era verdade e do que não era ficou completamente alterada nesse dia em que fui á floresta densa.
Nesse dia, comecei a acreditar em Deus.
Eu estava embrenhado na floresta, meio perdido. Nunca me tinha acontecido mas nesse dia, devo-me ter afastado dos trilhos e entrado numa zona desconhecida. Não sabia o que me esperava, até ter encarando uma massa enorme castanha.
O urso era enorme. Os seus lábios estavam ensanguentados e atrás dele, lembro-me de ver um veado morto e outro em sofrimento, meio devorado mas ainda consciente e parecia estar num tormento imenso.
Distraído, não sei o que aconteceu mas senti uma dor forte na cabeça e fui arrojado pelo ar até embater numa árvore próxima, atrás de mim. A minha cabeça latejava e algo trespassara a minha perna que derramava rapidamente sangue, mas eu estava lúcido e a minha visão não podia ser mais petrificante: um anjo saltara da escuridão da vasta floresta e enfrentava o urso.
Ela era graciosa nos saltos que dava para escapar às garras ferinas do urso, tão graciosa que me apaixonei pelos seus movimentos ritmados. Os cabelos dourados balançavam-se até meio das suas costas numa cascata de caracóis esbeltos e a sua pele resplandecia como um Sol muito próprio e divino.
Tentei manter-me acordado só para olhar a mulher angelical. Nada poderia resplandecer mais que ela, nada poderia ter uma beleza fascinante mesmo em luta com um urso irascível. E ninguém mais, sem ser Deus, poderia ter-me enviado tal ser divino.
O urso tombou e o meu anjo aproximava-se, enquanto limpava o sangue que lhe escorria dos lábios. Pensei que o urso a magoara; mas ela limpara a boca e nem mais uma gota escorreu daquelas linhas perfeitas que lhe desenhavam os lábios tentadores e muito vermelhos.
Lembro-me de sentir a sua mão na minha face numa carícia enternecedora. Fria e dura, não tive dúvidas que seria um anjo vindo dos Céus gelados. Mas porque tivera eu tanta sorte?
Foi então que fui consumido pela escuridão.

Era quente e isolado, o novo sítio onde eu me encontrava. Sentia-o enquanto a minha cabeça latejava e algo me pressionava a perna. Foi quando me apercebi que ela me doía imenso, mas nada comparado com o que se seguiria.
- Eu não consegui, Carlisle, não tive coragem, tive medo... - a sua voz era tão melodiosa, tão sensual. Quis abrir os olhos, saber se era o meu anjo, mas só poderia ser!
Lembro-me perfeitamente do que ouvi antes de me sentir a queimar em labaredas incandescentes de fogo.
- Vais sentir muita, muita dor, Emmett. Dor como nunca sentiste na tua vida. Vais querer que ela acabe, vais desejar morrer e ao mesmo tempo, vais pensar que morreste realmente. Não te debatas, pensa em coisas felizes pois isso pode apaziguar a tua dor. Não tarda nada, serás uma nova pessoa, um novo ser, não te debatas contra isso, meu filho.
O hálito frio de menta cessou, enquanto sentia uma respiração igualmente fria no meu pescoço. Houve algo que me corrompeu e a dor que a voz dissera (uma voz diferente da que eu julgara ser do meu anjo) era real. Eu sentia-a. E era uma tortura tão vasta, que me senti como se fosse o veado meio devorado pelo urso mas não sabia se essa imagem era real ou fruto da demência que eu estava a atravessar. A dor era real, mas não sabia se estava morto.
Mas ao mesmo tempo que tentava desvendar a realidade, tentei pensar em coisas felizes. Debati-me para as pensar. E só uma imagem me aflorava á mente.
Ao mesmo tempo que ouvia o anjo a tentar-me acalmar-me e sussurrar palavras que me pareceram amorosas, a sua imagem desenrolava-se no meu interior. E a dor era insuportável.
O anjo pediu-me desculpa.

***
Acordei vigoroso, forte, bonito e apaixonado. O anjo tinha como nome Rosalie, mas não precisava de saber o seu nome, a sua idade ou o que ela realmente era para me sentir completamente atraído e fascinado. A sua face e o seu corpo eram perfeitos! Mas acima de tudo, os seus olhos brilhantes eram lindos. Apesar disso, não fazia ideia do porquê de eles transmitirem tamanha frustração.
- Desculpa, Emmett. – o anjo abraçou-me e senti a sua pele quente contra a minha. Rodeei o seu corpo com os meus braços, como se o fizesse desde sempre.
- Não peças... Tu salvaste-me!
Ela sorriu tristemente, abanando a cabeça.
- Tornei-te miserável.
Não entendi as suas palavras nem o seu sentimento. Só me sentia forte, como se aquela dor infernal nunca tivesse tocado o meu corpo e uma ponta aguçada no meu... estômago.
- Tenho fome...
- Vem comigo, explicar-te-ei tudo.
Levantei-me e fui atrás dela, ignorando a presença do Dr. Cullen e da sua mulher, que não entendi as suas presenças ali.
Era de dia quando voltámos á floresta e não sabia quanto tempo havia passado desde da cena com o urso. Mas seria isso real? A minha mente reproduzia imagens mas eram todas francamente fracas, os cheiros, os sons, todos deficientes na minha mente.
Rosalie pediu-me que me sentasse sobre uma rocha no meio do verde denso. Voltou-me a pedir desculpa e revelou-me a minha nova natureza: eu era um vampiro, tal como ela. Contou-me dos seus parentes não aparentados e da sua filosofia de vida como vegetariana.
- Vampiros não existem.
Na minha mente, fazia mais sentido ela ser um anjo celestial do que um monstro fictício.
Ela mordeu o lábio.
- Não sentes uma dor no estômago? Toma, prova. – de dentro da bainha do vestido verde azulado, tirou uma maçã vermelha. Provei-a. O seu sabor não me dizia nada, era apenas repugnante. E o meu estômago tremeu com mais força.
- Tenta levantar a rocha onde estás sentado. – ela pediu-me, frustradamente.
E eu tentei. E consegui levantá-la.
Arremessei a rocha para a frente, destruindo uma data de árvores vigorosas e causando um ressono brutal. Rosalie continuava a fitar-me, como se esperasse um grito magoado ou palavras infernizadas.
- Foste tu que me tornaste nisto? – perguntei-lhe, aproximando-me. Senti o seu medo enquanto retraia o corpo.
- Fui eu que quis. – baixou a cabeça, fitando as flores roxas omnipresentes.
- Porquê?
Ela encarou-me. O seu lábio inferior tremeu, como se recordasse algo particularmente desagradável.
- Lembras-te do urso? Ele feriu-te gravemente, ninguém te poderia curar. E eu não podia deixar que morresses. Esta foi a única solução que encontrei. Podes-me odiar...
- Porque não deixaste simplesmente morrer? Preciso que me digas o que sou para ti. Ouvi-te a pedir desculpa enquanto estava naquele tormento de fogo... E a sussurrares palavras, que não entendi muito bem, mas que pareciam boas.
A sua face não se tornou rosada, mas os seus olhos denunciaram-na. Rodeei-lhe o corpo com os meus braços e aquela sensação de familiaridade assaltou-me novamente.
- Fui egoísta. Quis que o Carlisle te transformasse para mim.
Apertei-a contra o meu peito.
- Queres que eu seja teu? – perguntei-lhe. O meu coração parecia querer saltar-me da boca e o meu estômago estava terrivelmente angustiado. Engoli em seco mas a reacção foi pior.
- Só tu quiseres que eu seja tua. – sussurrou, contra o meu peito. Senti-me a tremer.
Delicadamente, agarrei no seu queixo e fiz com que os seus olhos encarassem os meus. Reparei então que os seus olhos eram dourados como o seu cabelo e pareciam tão líquidos como ouro derretido. Os seus lábios formaram-se num bonito botão de rosa e os meus tocaram-lhes. Tão perfeitos, parecia que tinham sido moldados para se fundirem numa boca e numa língua só.
Os seus lábios eram sedosos e tinham um sabor doce que eu não conseguia distinguir. O seu hálito morno era fresco e a sua respiração estava sôfrega ao ponto de me incitar a mais. Percorri o corpo do meu anjo vampira com uma das minhas mãos para com a outra a apertar deleitosamente contra mim.
Ela era minha e eu era dela e a prova disso mesmo fora aquele beijo tão sôfrego, o primeiro de muitos infinitos.

Décadas mais tarde é que consegui compreender o porquê da aflição de Rosalie quando me transformou, a frustração no seu olhar meloso e a culpa que sentia, ela julgara que me privara daquele que era o seu maior desejo: ter filhos e envelhecer até ao dia em que alguém diria o derradeiro adeus.
E por mais que me agradasse saber que nunca lhe iria dizer adeus definitivamente, comecei a partilhar a dor que a minha mulher sentia de não poder embalar uma criança de rosto branco, nos meus braços.

 



Constança às 22:00 | link do post

De Ola Ola a 22 de Novembro de 2011 às 22:58
obrigada, meninas!!!


Comentar:
De
  (moderado)
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Este Blog tem comentários moderados

(moderado)
Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres




O dono deste Blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

status

Online desde:25.04.2008

Staff: And e Carolina
Layout: Missanga Azul
em todos os momentos twilight


Já nos deste o teu like?
pesquisar neste blog
 
Links vários
comentários recentes
Tinha de vir aqui a este cantinho, finalmente o Mi...
A primeira imagem certamente está "quebrada", e pa...
Sobre os Talentos especiais de Alec: ele tem um V...
Você ainda a tem? Se sim, poderia me enviar? model...
Olá. Estou a procura de uma fanfiction que vocês p...
Aproveito só que está esteve a dar breaking dawn n...
Pelo que eu vi da entrevista, o Rob foi irônico ao...
Casamento lindo, me lembrou muito o casamento da B...
Meu sonho encontrar ele assim
Casal mais lindo

Arquivo
2018:

 J F M A M J J A S O N D


2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


2004:

 J F M A M J J A S O N D


2003:

 J F M A M J J A S O N D


2002:

 J F M A M J J A S O N D


2001:

 J F M A M J J A S O N D


2000:

 J F M A M J J A S O N D


1999:

 J F M A M J J A S O N D


1998:

 J F M A M J J A S O N D


1997:

 J F M A M J J A S O N D


1996:

 J F M A M J J A S O N D


subscrever feeds