Quarta-feira, 16.11.11

"Into The Moon"

Capítulo 24 - Román e Sophie

 

 

 

 

 

Dizem que a inabilidade de aceitar a perda é uma forma de insanidade. Deve ser verdade. Mas às vezes é a única maneira de manter-nos vivos.
Autor Desconhecido 

 

 

 

Na manhã seguinte, voltámos a casa de Román. Este recebeu-nos com mais tranquilidade, talvez derivada de uma falsa esperança de que Carlisle pudesse salvar a sua amada.
- Antes de tudo preciso de saber como tudo se passou... antes e depois. Quais os procedimentos usados durante o parto. Todos os pormenores são importantes. - pediu Carlisle.
Román assentiu com a cabeça e com um visível pesar no olhar confessou-nos a sua história.
- Desde que Sophie engravidou que ficou nesta casa. Com a velocidade a que a barriga crescia e a sua saúde se deteriorava não conseguia trabalhar. Eu tinha algum dinheiro no Banco, de modo que podia suportar a sua alimentação, assim como alguns tratamentos médicos. Quando ela engravidou eu empenhei-me em descobrir como isto podia ter acontecido e como.... poderia lidar com isto de modo a que ela continuasse viva... aqui comigo. – ao proferir estas palavras ele pegou na mão de Sophie e acariciou-a suavemente, como se receasse magoá-la.
- Então comecei por estudar, procurei conhecer casos semelhantes... mas não encontrei nenhum. O facto de não me querer afastar dela com medo que precisasse de mim a qualquer momento também não ajudou. Talvez se eu tivesse viajado, procurado mais arduamente. Ao mesmo tempo corroía-me uma dor de culpa por provocar-lhe isto. Afinal de contas, a responsabilidade era toda minha. Eu não tinha o direito de lhe fazer isto. Desde cedo ela parecia hipnotizada pela criatura. Não o quis tirar, apenas passava horas a acariciar a barriga. Mesmo quando o sentia partir os seus ossos, ela disfarçava as lágrimas e cantava para ele.
Em menos de um mês a sua barriga cresceu adoptando um aspecto disforme. Mas ela dizia que tudo iria ficar bem. Reparem: eu não sabia como lidar com isto na época. Não existiam casos assim. E eu não tinha outros vampiros, além da Desirée, que andassem perto de mim. Estávamos sós.
Eu andava desesperado. Ela pediu-me que a transformasse, mas eu sempre lhe neguei. Não tinha o direito de lhe roubar a vida assim. No entanto, de alguma maneira o destino encarregou-se de nos separar. E de me castigar eternamente.

- E onde está essa Desirée? – inquiriu Carlisle.
- Ela trabalha num bar...
- Desirée es la bailarina exótica que habías hablado una vez cierto? – quis confirmar Eleazar.
- Sim. De certa forma, quando ela viu a Sophie grávida... deitada nesta cama... ela apanhou um choque. Reconheci isso no seu olhar.
- Ela não te ajudou? – perguntou Kate.
-Ajudar? A Desirée só se importa com ela mesma. Sempre foi assim e sempre será. Mas quando viu que faltava ao trabalho durante semanas seguidas veio à minha procura. E foi quando viu a minha Sophie. – pronunciou com carinho o nome da amada. – Nesse dia discutimos. Ela acusou-me de ser louco por achar que ela sobreviveria. Mas duvidei sempre dela. Ela ainda me procurava , apesar de eu a rejeitar.
- Ela tomou algum medicamento durante a gravidez?
- Apenas algumas infusões calmantes... mas nada que fizesse qualquer efeito consistente nela. Ela agoniava com dores horas a fio.
- Eu sei. – disse Carlisle compreensivo. – Essa infusões nem chegaram sequer a surtir qualquer efeito....
- Precisamos que nos contes o que se passou na noite do parto... - disse Edward. As suas palavras saíram tranquilas, mas o seu tom de voz permanecia agastado, vazio.
- Foi durante uma noite fria de Novembro. Eu tinha ido caçar pelas redondezas. Quando aqui cheguei ela estava com convulsões e a vomitar sangue. Tentei ampará-la, confortá-la. Mas eu não sabia o que fazer! Nem como fazer! - rugiu desesperado. – E foi quando vi aquela coisa a rasgar-lhe o ventre. O último suspiro, depois de um longo grito de dor, peguei num bisturi desinfectado e tentei tirá-lo de dentro dela. Ela sacudia as mãos em agonia e eu só pretendia tirar aquilo de dentro dela. - fez uma pausa e depois falou com um leve tom de maravilha na sua voz - Era perfeito, a sua fisionomia era perfeitamente desenvolvida, os seus olhos perscrutaram-me com atenção e os seus braços pequeninos mas firmes tentaram alcançar-me. Instintivamente abracei-o, completamente deliciado. Num segundo depois, olhei para Sophie. Os seus lábios permaneciam ligeiramente abertos, num ténue mas carinhoso sorriso. Os seus olhos estavam a fechar-se lentamente. Pousei o bebé num cesto improvisado por Sophie no inicio da gravidez, e tentei fazê-la voltar à vida.
Román parou de falar durante um momento. Parecia que absorvia esta realidade.
- Mas ela estava cheia de sangue, e eu não sabia o que fazer. Foi então que os seus lábios fizeram um último pedido. ''Deixa-me vê-lo.'' Instintivamente peguei nele e aproximei-o da mãe. Ela, com muito esforço, com a respiração cada vez mais lenta, beijou-lhe a testa e sussurrou ''amo-te meu filho''. Depois pousei-o no cesto. A hora dela estava a chegar. Os seus olhos doces sussurravam-me palavras de afecto: ''Meu amor, vou ser sempre tua. Aqui e em qualquer outro plano eterno. Foste e serás sempre o melhor que me aconteceu. Tu e... o nosso filho. Amo-vos.''
- Murmurei-lhe ''Sim vais ser minha para sempre'' e mordi o seu pescoço... mas já era tarde de mais. Ela soltou um silvo de dor, seguido de um último suspiro. Fiquei sem saber o que fazer... pensei que o meu veneno seria o suficiente para a salvar.
- Não foi. – constatou Edward. – Ao sangue que ela perdeu... não foi. – o meu amor proferiu estas últimas palavras com alguma dificuldade. Eu sabia que ele não gostava de recordar este momento.
- No fundo, sabia que fora tarde de mais. O seu corpo estava ali comigo, sentia o meu veneno a circular vagarosamente... mas o seu corpo corrompido e prostrado não reagia. Não havia sinal de... vida.
- Yo nunca he visto nada así. – murmurou Eleazar.
- Por favor, alguém me pode dizer o que poderia eu ter feito de diferente? - perguntou desgostoso. – Eu não sabia que seria assim, eu não sabia!
- Román esta é uma situação muito mais complexa do que todos nós podemos imaginar. A meu ver – disse Carlisle com a voz a transbordar de sinceridade e complacência – Não havia nada de diferente que pudesses ter feito para a salvar. Não tinhas os meios, os conhecimentos necessários.
- Mas vocês... conseguiram. - murmurou Román com uma voz abatida.
- No caso da Bella nem nós sabíamos como lidar com isto. Nunca havíamos sequer conhecido algum caso semelhante. Fomos lidando, adaptando os meios conforme a evolução da gravidez dela. A Bella também morreu. Ela perdeu a sua vida humana. – disse Carlisle com o seu rosto a adoptar uma ténue melancolia ao proferir as últimas palavras. – Também nós não conseguimos salvar a Bella.
O olhar de Edward fervia de tristeza, dor, com as palavras de Carlisle.
- No entanto, sabíamos o que fazer caso isso ocorresse. E foi o que fizemos. Quer dizer o Edward fez. Salvou-a da morte eterna. Deu-lhe uma nova vida.
- Mas...
- Román tu sentes-te culpado e responsável pelo fim da tua companheira. – afirmou Carlisle.
- Eu sou o culpado. – disse duramente.
- Fizeste o que podias, à luz do entendimento que detinhas na época. E ninguém julga isso. Mas isto – e apontou para Sophie – isto já é um prolongamento de uma situação que deveria ter terminado naquela noite. Isto deveria ter tido um fim há muito tempo. Para o teu bem e para o bem dela. – Carlisle fez uma pausa. - Agradeço-te o facto de teres partilhado a tua história Román. Imagino que tenha sido difícil, na altura, e mesmo agora, lidar com isto.
- Não, não creio que imagine. – interrompeu Román tranquilamente. E olhou para o meu marido dizendo - Apenas quem passou por isto de perto sabe do que falo.
Edward não reagiu ao comentário de Román. Carlisle e ele começaram a manejar os equipamentos e trataram de fazer alguns procedimentos médicos básicos. Saí do quarto, de qualquer forma não estava lá a fazer nada. O olhar vazio de Edward arrepiava-me e, decidir juntar-me a Kate e aos outros no rés-do-chão.
- Como estás? – perguntou Kate.
- Está tudo bem, porque perguntas?
- Vá lá eu já reparei. Tu e Edward quase não se falam...
- Todos reparámos. – enfatizou Emmett.
- Não é nada...
- Tenho a certeza que tudo irá resolver-se. – disse Kate tentando confortar-me.
- Não te preocupes Bella. Ele está só a passar por um momento difícil.
- O que queres dizer com isso? - perguntei já que a sua escolha de palavras tinha sido muito precisa.
- Acho que devias ter ficado com o bico calado meu... - murmurou Garrett .
- Emmett Cullen o que é que tu sabes que eu não sei? – insisti num tom inquiridor.
- Já foste. Quando elas chamam pelo teu nome completo....- murmurou Garrett.
- Cala-te traste! Não vês que é algo sério? – reclamou Kate ao mesmo tempo que dava sapatadas no parceiro.
- Bem! Já começa a festa é?!.... Mau Maria.... – resmungou ele.
- Bella, a última vez que vi o Edward assim foi quando tu ficaste internada no hospital depois do James te morder. – contou Emmett com um semblante sério. -Ele ficou transtornado durante algum tempo...tu não te lembras porque passaste três dias a dormir, mas o Edward ficou muito perturbado.
- Eu sei. Eu lembro-me.
- Não Bella, não estou a falar da reacção dele quando acordaste.
- Como assim? Não estou a entender...
- Estou a dizer-te que ele passou três dias completamente mudo, perturbado, triste, vazio. – explicou Emmett. – Tu passaste três dias a dormir e, durante todo esse tempo, ele sentia-se culpado pelo teu estado, pelo teu sofrimento.
- Ele exige muito de si mesmo. Ele sempre foi assim. – disse Kate.
- Ele não aguenta sequer imaginar que tu tenhas sofrido durante a tua transformação. – completou Emmett. – Provavelmente ele deve estar a culpar-se pelo sucedido. Como se pudesse ter feito algo diferente, como se pudesse ter feito mais e melhor. Ele sente que falhou de alguma maneira.
- Soa mesmo à Edward. – murmurou Tânia.
As palavras de Emmett fizeram-me reflectir. O quê que eu poderia fazer para melhorar esta situação? Para o ajudar? Eu não queria que ele se sentisse assim. Mas também não tinha a mínima ideia de como resolver isto a não ser confrontá-lo com a realidade.
Regressámos ao quarto onde eles se encontravam envolta do corpo de Sophie. Mais uma vez, ao subir as escadas, examinei os retratos pendurados na parede envelhecida. Nelas Román e Sophie entreolhavam-se com carinho, afeição... paixão.
- Bella?
Kate chamou-me do cimo das escadas, acordando-me do alheamento em que me encontrava.
...
Carlisle e Edward passaram longas horas a fazer exames ao que restava de Sophie. Quando lhe tocavam ela estremecia e as suas feições revelavam a dor tormentosa que estaria sentir onde quer que a sua mente estivesse.
Os olhares que Edward, Carlisle e Eleazar trocavam anunciavam a surpresa pelo que tinham em mãos. E a inevitabilidade da mesma.
Edward aproximou-se de mim, pegou na minha mão com carinho, e levou-me até ao corredor.
- Bella..
- Edward..
- Fala tu primeiro. – Pedi.
-Não fala tu. – Insistiu.
- Edward!
- Pelo meu comportamento desde ontem eu não tenho direito nenhumd efalar primeiro. Portanto, por favor, fala tu.
- Edward tens de parar com isso!
- Do que estás a falar?
- Tu não és responsável por tudo que me aconteceu! Foi o destino, foi o Universo, sei lá... aconteceu! E eu não queria que fosse diferente.
-Eu também não meu amor. – murmurou com um olhar carinhoso, terno.
- Então porquê que estás assim? Não tens de te sentir culpado, nem nada que s e pareça...
- Talvez... - interrompeu.
- Não é talvez! É não tens que sentir-te assim! Eu...amo-te. E sinto saudades tuas. – confessei. O meu amor aproximou os seus delicados lábios dos meus. Inspirei a sua respiração doce, deliciosa. Como que um vício beijei-o intensamente, entregando-me ao seu desejo. Ao meu desejo. Ao nosso desejo. Permanecemos assim durante longos segundos, até a nossa respiração descontrolada nos recordar do lugar onde nos encontrávamos. O fogo dos seus olhos encontrava-se com o fogo dos meus.
- Eu amo-te muito. Por favor, nunca te esqueças disso. Isto, isto que nós temos supera qualquer coisa. – disse com fervor.
- Eu sei meu amor. Minha razão de viver. Amo-te... muito. – murmurou dando-me um ténue mas caloroso beijo antes de voltarmos para o quarto.

 



Constança às 21:57 | link do post

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