Quinta-feira, 08.12.11

"Brianne"

Capítulo 43 - Gruta

 

 

 

 

 

Não me conseguia lembrar porque motivo tinha acedido entrar naquela gruta com Seth.
Mas, muito sinceramente, o motivo não era o foco da questão. O que era importante, era o facto de me querer ir embora. E rápido.
Não que eu não gostasse de Seth. Gostava. E esse sim era o problema.
Eu ia-me embora. Mas dois ou três dias, e voltaria a ser a humana normal de dezoito anos que anda na faculdade. E Seth, permaneceria ali, com a sua alcateia no mundo irreal e inalcançável.
Seth estava próximo de mim, o que me deixava muito mais do que nervosa e com calor.
- Bem, tenho de ir - disse dando um passo para trás.
-Mas, ainda não falamos – disse-me com o seu português perfeito.
Senti um calafrio. Não era normal. Seth não deveria falar português. A culpa era minha. Não estava certo.
-Não devemos falar, não está certo – murmurei.
-Mas porquê? -perguntou ele alcançando a minha mão.
Uma onda de calor percorreu o meu corpo.
Os seus olhos negros penetravam os meus. Sentia o meu corpo gelatinoso.
Tentei dar mais um passo e embati na parede rochosa da gruta.
Seth dá dois passos e acabando com o espaço entre nós, colocando-se a mim.
Sinto que estou dentro de uma fogueira, que o fogo está a consumir a minha pela, que fui engolida por uma labareda.
- Por favor – pedi com fio de voz – Por favor, deixa-me ir.
- Não posso – admitiu. – Não consigo.
- Seth... - sussurrei, procurando os seus olhos (que estavam a menos de 20 centímetros dos meus).
Ao ouvir-me pronunciar o seu nome, Seth apertou as minhas mãos nas suas mais fortemente.
- Brianne – OH! O meu nome soa tão bem na sua voz, abanei a cabeça - Eu não posso. Temos de falar, por favor – implorou
- Eu vou embora.... Não faças isto a ti mesmo.
Eu podia lidar com a minha dor. A bem ou mal, haveria de a suportar, torna-la parte de mim, e sobreviver.
Mas conseguiria lidar com a dor dos que amava. Com a dor de Seth?
Remotamente eu sabia a força da impressão natural. Sabia a urgência, a admiração, o sentimento.
Era como se Seth girasse em torno da minha cabeça, puxando o meu coração para mais perto do seu.
Puxando-me para mais perto dele...
Noutras circunstância, talvez acedesse, me permitisse... me deixasse levar. Mas ali, o que poderia eu fazer?
Alimentar esperanças vãs e ser feliz, ou afastar-me e odiar-me os restantes dias?
Não sabia o que fazer. E a presença de Seth, tão próximo de mim, também não me deixava espaço para pensar.
- Brianne – chamou, e tive pela primeira vez noção de que ainda nos olhávamos nos olhos.
Vi os seus olhos cor de carvão aproximarem-se. Estavam cada vez mais perto.
Ouvi um clique na minha cabeça.
Se os olhos se estavam a aproximar, os restantes componentes da sua face também se aproximavam.
Baixei o olhar, mantendo os meus lábios fora do seu alcance.
- Tenho mesmo que me ir embora – disse com rapidez, conseguindo desenvencilhar-me dele – que ainda estava surpreendido com a minha capacidade de fuga.
Corri para a entrada da gruta, e algo estranho aconteceu.
Na praia calma, onde antes caía preguiçosamente a noite, rebentou uma tempestade.
O mar revoltara-se, decidido a engolir os penhascos e o areal; o céu rugia e faiscava. A chuva era tão forte que caía no chão com um estrondo assustador, como se em vez de água, estivessem a cair pesadas pedras do céu.
- O que é que fizeste? – perguntei indignada, caminhando de forma ameaçadora em direcção a Seth.
- Nada! – respondeu levantando as mãos à altura do peito em sinal de rendição – Sou Lobo, Não controlador atmosférico!
Voltei-me de novo para a saída, e observei o cenário – devastador.
- Não vais sair, pois não? – na voz preocupada de Seth era perceptível uma réstia de esperança.
Bufei violentamente, e sentei-me no chão, do lado oposto ao do lobo
Seth procurou os meus olhos, na gruta agora mal iluminada. Ao ver que estes faiscavam, deixou-se ficar onde estava, sentando-se também no chão.

 

 

** Parte 2 **

 

 

Tinham-se passado algumas horas e a tempestade ainda estava instalada no lado de fora da gruta. E em vez de amainar, esta estava ainda pior.
Durante todo aquele tempo amaldiçoei-me por ter abandonado o meu velhinho telemóvel em casa, mas principalmente por ter-me deixado ser arrastada até à gruta por Seth (o que não permitia que Alice me visse, e viesse resgatar-me).
A gruta estava húmida e gelada, o que me fazia tremer.
Ao longe sentia uma fogueira incandescente, a imanar calor para a atmosfera. Mas, recusava-me a aproximar-me do fogo que era Seth, e a usufruir do seu calor corporal.
- Estás a ser teimosa – advertiu-me ele pela milionésima vez.
Tal como de todas outras vezes, ignorei-o.
Comecei a temer de forma mais violenta – estava mesmo gelada. Já não era capaz de controlar os espasmos, os meus dentes tinham ganhado vida própria, e rangiam de modo assustador e ritmado, ecoando pelo silêncio da gruta.
Sem que dessa conta de como aconteceu, os braços de Seth rodeavam o meu corpo, e eu estava aninhada de forma estranha contra o seu peito.
Era a primeira vez que estávamos tão intimamente próximos. Os meus tremores estavam a abrandar, o meu corpo a relaxar, e por mais estranho que me pudesse parecer, sentia-me bem, ali, abraçada a Seth.
E foi assim que tomei minha decisão. Iria ser feliz, moderadamente feliz com Seth nos dias que me restavam em Forks.
Senti um arrepio de certeza e afundei-me mais contra o peito quente de Seth. Este apertou mais o seu abraço.
- Vês? Para quê tanta teimosia? – disse enquanto me afagava o cabelo desgrenhado e húmido.
- Ainda não acabei de ripostar... - comuniquei-lhe sorrindo.
- Alguma vez acabas?
- Nem por isso...
Rimos os dois.
- Seth... Não devias fazer isto – disse sentindo o meu estado de espírito resfriar.
- Fazer o quê? – perguntou tocando com o dedo indicador no meu queixo, tentando que o olhasse.
Levantei os olhos, e os seus tentaram mais uma vez desbravar o caminho até à minha alma.
Pestanejei para me concentrar novamente.
- Eu vou embora... - lamentei. Não ia embora naquele momento, nem nas próximas horas... mas, ia inevitavelmente deixa-lo ali, ia deixa-lo para trás...
- E eu vou continuar a amar-te – disse com o sorriso mais terno do mundo nos lábios e nos olhos.
"Amar-te". Seth dizia-o com tanta certeza. Com tanto... amor.
Era fácil ama-lo também... Estava tudo perdido. O amor estava a ganhar terreno...
- Mas não devias – proferi por fim, abanando a cabeça.
- É a vida... - concluiu.
- Não tem de ser – sussurrei.
- Eu quero que seja – afirmou com uma certeza irredutível.
Ficamos ambos em silêncio, a olharmo-nos nos olhos.
Seth avançou lentamente e colou os seus lábios à minha testa.
Tudo parecia tão fácil, enquanto estávamos ali os dois, sozinhos, numa gruta, no meio de uma tempestade. Era quase possível que tudo iria correr bem...
Seth afastou-se, olhou-me mais uma vez, e voltou a passar o seu braço pelas minhas costas e mais uma vez aninhei-me contra o seu peito.
- Seth? – chamei passado um instante.
- Sim.
- Por que é que isto nos aconteceu?
- Não faço ideia... - respondeu com um sorriso transparente na voz. – Mas, também não quero saber. Eu gosto de ti – rematou.
-Pensas que gostas! Tu não me conheces!
- Conheço melhor do que tu pensas!
Abanei a cabeça descrente, mas desisti de discutir.
O calor do corpo de Seth, acabou por me acalmar, e adormecei feliz, quente e enroscada nele.

 



Constança às 22:04 | link do post | comentar

2 comentários:
De Margarida a 9 de Dezembro de 2011 às 12:10
Eles são tão fofos :) Estou a amar.


De Marina Ricardo a 18 de Dezembro de 2011 às 15:05
Muitooooooooooooooooooo Obrigada pelo teu apoio e comentários!!

Beijinhos*


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