Domingo, 04.03.12

"Into The Moon"

Capítulo 26 - Deliberações

 

 

 

 

 

- Então não há nada a fazer... – murmurou sem esperança. O seu semblante deixava transparecer o seu pesar.
- Román... - ia começar Carlisle.
- Eu não sou capaz de fazer isto.
- Pretendes continuar deixá-la sofrer?- perguntou Edward absorto.
- Estás a pedir-me para matá-la! – rugiu Román. - E se fosse contigo? – perguntou Román num tom repleto de fúria e ódio. – E se fosse a Bella? O que é que tu farias? É muito fácil falar quando tudo corre bem, não é? – completou num tom irónico.
Lentamente, Edward dirigiu-se a ele.
- Tu achas que eu deveria entender os teus actos, porque também passei pelo mesmo. Mas estás errado. Por mais que ame a Bella, e ela é a razão da minha existência por vários motivos, os quais tu nem fazes ideia, eu nunca a poderia deixar nesse estado de martírio. Isso seria torturá-la. E eu amo-a mais do que tudo, por isso ela esteve e estará sempre primeiro do que eu e das minhas necessidades. Se por alguma razão o parto tivesse ocorrido de forma diferente, semelhante ao que te aconteceu a ti, eu nunca a deixaria assim. – disse num tom pausado, como se absorvesse as suas próprias palavras enquanto as ordenava. – Lamento muito o que aconteceu à tua família. E consigo ver a dor que sentes. A tua perda. No entanto, deves acabar com isto agora. Tens de a deixar ir. Román... se a amas, deixa-a ir.
Román olhava para Edward como uma criança olha para um pai depois de ter feito uma tremenda asneira. Parecia tão frágil, tão inocente, mas ao mesmo tempo, o seu rosto era duro, sofrido, tenso.
- Não digo isto de ânimo leve. Esta será a decisão mais difícil da tua existência. Ela ficará na tua memória eternamente. Mas tens de o fazer. Para o bem dela e para o teu próprio bem. – continuou Edward.
Instalou-se um ambiente de luto naquela sala. Román continuava a acariciar as costas da mão esquerda da amada.
- E tu hijo? Que piensa disto? – perguntou Eleazar.
- Ele... não compreende. Ele viu-a nos primeiros anos – explicou Román – quando o corpo dela ainda não tinha alterado o aspecto. Enquanto ainda era a mulher que conheci, mesmo que deitada nesta cama. Ele não concorda com isto. E, de certo modo compreendo-o porque nunca a conheceu com vida.
- Como te pareceu quando o contactaste? – perguntou Carlisle.
- A sua voz era vazia. Pelo menos comigo sempre foi assim. E não poderia ser de outra forma. Mas ele preocupa-se e pergunta sempre pelo estado de Sophie. Não conseguimos conversar mais do que alguns minutos. Creio mesmo que ele não se quer despedir dela. Ele já se despediu há muito tempo atrás...
- Não compliques mais isto! Ele quer despedir-se dela!
- Como sabes?!
- Claro que ele quer. – explicou Edward mais calmo, num tom de voz indulgente. - Ela foi a primeira pessoa com quem ele se relacionou desde que foi concebido.
- Como podes saber disso? Suposições, suposições e suposições! Estou farto!
- Ele já a amava quando ainda estava dentro dela. – esclareci. - Amava o som da sua voz. É uma ligação difícil de explicar. Só quem passa por ela. – Román olhou atentamente para mim escutando cada palavra minha. – É uma ligação única entre mãe e filho.
- Não consigo fazê-lo sozinho... Não sou capaz!
- Román...
- Eu não sei viver sem ela. Ela foi a única que me compreendeu, aceitou. Ela aceitou-me tal como eu sou. Como eu era. Ela amava-me mesmo sabendo que parte de mim era um monstro. Um assassino. Ela aceitou-me e eu...estraguei tudo. Eu matei-a! Ela deu-me tudo. E eu tirei-lhe a vida...
Román calou-se. O seu silêncio era pensativo...como se estivesse a ter uma revelação. Vi isso nos seus olhos.
- Nem penses! – disse Edward preocupado.
- Já tomei a minha decisão.
- Não! Não faças isso! Tens um filho por amor de Deus.
- Ele sabe cuidar de si. Sempre soube. Eu, eu é que nunca soube cuidar de nada. Nem de mim e muito menos dela.
- A culpa não foi tua. Tu não sabias Román! Tu não sabias! – clamou Tânia exasperada.
- Sim foi. Com intenção ou sem intenção, a culpa foi minha. Não me interessa que não soubesse o que poderia acontecer. Eu nunca, nunca deveria ter deixado aquilo acontecer.
- Mas do que é que ele está a falar? – inquiriu Garrett.
- Se ela se for para sempre, eu irei com ela. – disse num tom de voz calmo, decidido, em paz consigo mesmo. – Mas precisarei da vossa ajuda...
- Román o teu filho ainda precisa de ti. – lembrou Carlisle.
Román escutava atentamente todas as opiniões, mas o seu olhar mostrava-se firme, decidido.
- Ele já decidiu. – informou Edward tranquilamente.
Um silêncio pesado, repleto de mágoa e raiva pairou durante alguns momentos. Román havia tomado a sua decisão. E ninguém o poderia culpar por isso.
- E se esperássemos a chegada do teu filho? – sugeri na esperança de que se Román visse o filho, talvez isso o fizesse mudar de ideias.
- Bella, eu entendo a tua intenção, mas não tenciono mudar de ideias. O que faria, na restante eternidade que me resta?
- Caramba, não pensas no teu filho? Vais deixá-lo sozinho no Mundo? – perguntou Tânia.
- Sei que pensas que é tarde demais para mudares a tua relação com ele. Mas, aconselho-te a tentar. És o seu pai biológico, a única família que lhe resta. A única pessoa que, alguma vez, poderá contar-lhe histórias sobre a mãe. Vais privá-lo das memórias da própria mãe?- insistiu Edward.
Román permanecia em silêncio, escutando cada palavra como se absorvesse o seu significado.
- Román, se fosse eu... quereria que Edward continuasse a viver e a tomar conta da nossa filha. E creio que Sophie quereria o mesmo. – sugeri, uma vez mais, na tentativa de o fazer reflectir na sua mais recente decisão.
- Achas?
- Tenho a certeza disso. Qualquer mãe, numa situação destas, quereria isso.
- Román, pensa, por favor, nisto. Deixa o teu filho chegar. Vocês, com certeza, precisam de conversar. – aconselhou Edward.
- Ele não quer falar comigo. Nem o vai fazer... ele... odeia-me.
- Não desistas. Por ele, por ti. Pela Sophie. Não desistas. – murmurei.

A noite havia caído, o vento trazia consigo a chegada do Outono e as flores secas do calor do Verão, pareciam agora mortas debaixo do céu escuro.
Román ficou com Sophie no quarto, a última noite, a última vez, a última e derradeira despedida.
- Ele está a ponderar. – murmurou Edward.
- Eu gostava muito que ele e o filho se reconciliassem. De certeza que Sophie quereria isso também.
- Não fales assim... -murmurou o meu amor com a sua respiração encostada à minha.
- Assim como? – perguntei incrédula.
- Não fales como se... Faz-me pensar o que seria de nós se tu não tivesses...sobrevivido. Compreendo perfeitamente a condição dele. Não saberia viver sem ti Bella.
- Não aconteceu. Eu estou aqui e vou estar para sempre. Graças a ti. Graças ao destino, à sorte, ao nosso amor. Eu estou aqui. Não penses mais nisso. – sussurrei de encontro ao seu ouvido, abraçando-o.
Senti os seus lábios duros como pedra mas delicados como pétalas, subir pelo meu pescoço.
- Amo-te para sempre. – suspirou antes de ocupar os meus lábios.

 



Constança às 22:00 | link do post

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