Quinta-feira, 08.03.12

"Into The Moon"

Capítulo 27 - Eternal Death and Return Home

 

 

 

"Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós."

Antoine de Saint-Exupéry, in 'Le Petit Prince'

 

 

 

 

 

Passavam poucos minutos das seis da matina quando me apercebi de um novo cheiro... humano. Aproximava-se a largas passadas, chapinhando na terra batida da beira da estrada. Conseguia ouvir o som das suas botas a pisar a terra e uma respiração ofegante, cansada.
- Ele chegou. – avisou Carlisle olhando pela janela da cozinha.- Román esta parte é contigo.
- Bem, vamos fazer isto com calma. Vamos todos ficar na cozinha enquanto o Román explica tudo ao filho. – indicou Alice.
- Mas...- ia começar Garrett, mas olhámos todos para ele e Kate beliscou-lhe o braço. –Tu calado és um espectáculo.
- Já nem posso falar...
-Obrigada. – agradeceu Román com uma voz arrastada e profunda. - Vou falar com ele e depois apresento-vos.
- Não será fácil. – previu Alice.
-Eu sei. Mas já me decidi. Isto tem de ser feito. E ele tem de estar aqui, junto... dela.
Alice anuiu com a cabeça.
- Se precisares de algo, chama.
- Combinado. Obrigado Carlisle.
O meu amor abraçou-me com ternura enquanto eu afagava os seus cabelos cor de bronze. – Tu sabes o vai na cabeça dele...
- Sei.
- Achas que esta conversa vai ser mais complicada do que o previsto? – perguntei com a preocupação a inundar-me a voz. Mas antes que Edward me pudesse responder, uma voz rouca irrompeu do salão de entrada.
- Foi preciso ires chamar estranhos?! Para quê? Para verem o monstro que és?? Ou para terem pena de ti?!
Ouvia-se, apenas, a voz rouca, cansada e gasta, de Eric. O seu cheiro não era nada de especial. Mas ainda assim, humano.
- Estás bem? – perguntou Edward.
-Estou. – respondi sorrindo. Edward preocupava-se sempre se eu estaria desconfortável na presença de cheiros humanos desconhecidos. Acho que nunca, em tempo algum, deixaria de se preocupar comigo. E, mais uma vez, os gritos, provenientes do salão alastraram pelas divisões do velho casarão.
- Eu na altura não estava preparado, Eric.
- Ai e agora estás? Tanto tempo depois?! O que é que andaste a fazer durante todo este tempo?!
- Eric – a voz de Román era calma, compassiva. – Eu, quero dizer, nós vamos fazer isto. Lamento ter tomado esta decisão tão tarde. Sei que não compreendes, mas ainda agora isto é muito difícil para mim.
- E para ela não?!
- Eric...
- Isto é muito simples: tu fizeste uma escolha! Preferiste vê-la sofrer do que deixá-la partir. Não passas de um egoísta miserável!
- Chega! – o silêncio que se seguiu foi vago. - Acabou. Tens toda a razão, mas eu não posso voltar atrás! E se pudesse, não sei se não faria o mesmo! Tu és incapaz de compreender a dimensão disto. Enquanto não viveres com alguém o que vivi com ela, não serás capaz de perceber, de sentir...
- Ela?? Porque não dizes o nome?
O silêncio que se seguiu foi estranho, como aquele que antecede uma explosão.
- Por favor fica aqui. Eu já volto. – Pediu o meu amor num sussurro delicado. Eu percebi, ele ia intervir.
- Olá Eric. Chamo-me Edward.
- Olá... Pelos vistos um monte de gente que me é completamente desconhecida sabe mais de mim do eu deles...
- Estou com a minha família aqui para ajudar o teu pai. Tenho uma filha igual a ti. Chama-se Nessie e nasceu nas mesmas circunstâncias que tu.
A curiosidade, mal domada, venceu-me e guiou-me até à frecha da porta. O olhar incrédulo de Eric e o silêncio que se seguiu pôs-me um pouco ansiosa.
- Tu...tens ...uma....Existe alguém assim como eu? – perguntou incrédulo.
- Sim.
- Mas como é que.... Quando? Como?- as suas perguntas seguiam-se umas às outras sem cessar.
- Calma. Se quiseres podemos conversar tranquilamente e contar-te-ei a minha história.
Eric anuiu com a cabeça, ainda perplexo, ainda incrédulo. Dirigiram-se para a sala. A partir daqui, não se ouviram tons exaltados, nem mesmo acusações.
A certa altura, ouvi a respiração de Eric tornar-se, de novo, irregular.
-A única diferença é que a mãe dela sobreviveu. – contou-lhe o meu amor.
- Como?!
- Não, não como humana. Isso seria impossível. – respondeu, lendo os seus pensamentos. – Ela foi transformada. E nasceu de novo. Bella, podes chegar aqui por favor?
Entrei na sala poeirenta e, rapidamente, reconheci muitas particularidades da minha filha naquele jovem. Mas o que mais me chamou a atenção e ocupou a minha mente foi o seu rosto petrificado.
- És vampira?
- Sim.
- Mas como conseguiram?!
E partir daqui a conversa fluiu com mais serenidade.


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A pouco e pouco fomo-nos apresentando, da forma mais leve e tranquila possível, pois era notória a cara de estupefação de Eric com tanta informação e tanta gente nova em tão pouco tempo.
- Então vocês vieram todos aqui de propósito para ajudar o meu pai?
- Mais ou menos. – respondeu Alice.
- Como assim?
- Viemos aqui com um propósito. Sim à procura do teu pai, mas não conhecíamos a história dele. A vossa história. – respondeu Edward sem uma ponta de frustração ou zanga na voz.
- O que é que ele fez desta vez?
- Mais tarde falaremos sobre isso.
- Mais tarde? Eu vou-me embora depois... depois disto acabar. – respondeu Eric numa voz bastante decidida.
Era notória a culpa que atribuía a Román, quer pelas suas atitudes, quer pelas coisas que dizia. Principalmente, pela forma como o tratava.
- Não podes ficar mais um pouco... para conversarmos?
- Quanto tempo?
- Um dia ou dois...
- Vou pensar nisso. – interrompeu Eric num murmúrio impertinente.
Passámos o resto do dia a deliberar... e tanto Román como Eric concordaram com a decisão final. Eric, por várias vezes, agarrou na mão de Sophie e encostou a sua face como que pedindo conforto e coragem. Como se aproveitasse os últimos momentos na presença física dela. O que era, de todo, verdade.

O assobio do vento trazia consigo a chegada do Outono. O céu em brasa, de um sol que vagarosamente se ia embora, escondendo-se por detrás das montanhas. Estava tudo preparado.
Ao cair da noite carregámos o caixão com o corpo de Sophie para as traseiras do velho casarão. Apenas Román e o filho permaneciam mais próximos da fogueira. As suas mãos permaneciam unidas. Não só como pai e filho, mas na dor conjunta causada pela perda do único ser que alguma vez os unira, para sempre.
As lágrimas de Eric captaram instantaneamente a minha atenção. Talvez porque também eu chorava por dentro. Apertei a mão do meu amor, à procura de conforto e acabei por confortar a sua face triste e encontrei uns olhos imersos numa profunda tristeza.
Tal como previmos, o corpo queimou a noite toda e, em nenhum momento Román tirou os braços do filho, que agora protegia e cuidava como se de uma criança se tratasse. A expressão de Román era triste, mas de uma tristeza levemente diferente da do filho. Uma tristeza que denotava um eterno vazio. Ele sabia que era isto que devia ter acontecido há muito tempo atrás. No fundo, era uma triste expressão de alívio.
Eric chorou, sem cessar, a noite toda. Às vezes conseguíamos perceber a sua dificuldade em respirar livremente, tal era a sua desolação. O ambiente era de profunda tristeza e um silêncio apenas interrompido pelo choro do jovem híbrido e das labaredas a dançarem entre si.
Quando os primeiros raios de sol surgiram, por detrás das montanhas, lá longe na linha do horizonte, o fumo que seguia em direcção céu era de uma tonalidade cinzento-azulada.
Pensei em questionar Edward sobre isso, mas nem o momento nem o lugar me pareceram apropriados. Talvez mais tarde.
Román e Eric guardaram as cinzas do que restava de Sophie em dois compartimentos separados, um para cada um.
- O que tencionas fazer agora?- perguntou Edward.
- Por enquanto, vamos continuar por aqui. Vamos ter uma longa conversa. E esta casa está tão cheia de recordações, memórias, objectos... Tudo aqui me lembra dela. – suspirou Román.
- Não faças nada que o magoe. Ele parece-me bastante frágil. Pensa no que te dissemos. – murmurou Edward.
- Eu sei. Obrigada pelas palavras Edward.
- Caso precises de algo...ou o Eric, sabem onde encontrar-nos.
Román anuiu com a cabeça. – Obrigada, mais uma vez. Obrigada por tudo. Obrigada por terem vindo cá e terem-me ajudado, mesmo depois do que eu fiz...- os seus olhos profundos, rendidos à realidade. – Obrigada.


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O último lugar a ir antes do regresso a Forks era a casa que havíamos alugado previamente. Apenas o tempo de trocarmos de roupa, pareceu-me uma eternidade agora que estava cada vez mais perto da hora de ir para casa.
Enquanto nos preparávamos para partir não conseguia deixar de pensar na minha filha. Já não falava com a Nessie há dia e meio. Uma eternidade, para mim. Sentia saudades do cheiro a morango dos seus cabelos. Ela usava o mesmo champô que eu usava enquanto humana. Sentia saudades de acordá-la de manhã e vê-la espreguiçar-se enrolada nos lençóis. Provavelmente estaria zangada connosco. Demorámos mais tempo do que o previsto. Sorri ao perceber que muito em breve ia estar junto dela outra vez e, nunca mais a largar, por nada deste Mundo.
Edward apercebeu-se da mudança no meu semblante.
- O que foi? – quis saber fazendo o seu sorriso enigmático, irresistível.
- Ela. - respondi e, em simultâneo, afastei o meu escudo partilhando com ele as lembranças mais recentes da nossa filha.
- Linda...como tu. Também estou morto de saudades. Literalmente. – murmurou rindo.
Beijei-o suavemente, mas depressa senti uma urgência em tê-lo nos meus braços, em senti-lo mais próximo do meu corpo. Não demorou muito até que Emmett surgisse à porta do nosso quarto para tossir e avisar-nos que estava na hora da partida. A hora de voltar a casa. Finalmente.

 



Constança às 22:00 | link do post

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