Quarta-feira, 26.12.12

"Into The Moon"

Capítulo 32 - Noite Ardente

 

 

 

 

 

- Espera, agora não podemos ir lá. – disse o meu amor segurando-me pela mão.
- Porquê?
- A Alice está a envernizar o laminado. Avisou que se alguém ousasse passar por cima do verniz fresco teria de se ver com ela. – murmurou revirando os olhos sorridentes.
Alice obrigara Emmett e Jasper a colocar placas compridas de madeira escura, fazendo um caminho que dava desde a entrada da casa grande até ao jardim. Eles demoraram a noite toda já que Alice fez questão de desenhar um caminho de medidas perfeitas. Edward escapara à tarefa graças a um compromisso: teria de ir buscar os fatos de toda a família, basicamente porque era o único a saber quem iria vestir o quê, graças ao seu dom.
- E se fôssemos agora a Seattle, dávamos uma volta pela cidade...- sugeriu. Sorri, pegando no casaco e na carteira.
Ainda antes de anoitecer saímos da nossa casa em direcção a Seattle. Estava trânsito, as pessoas demasiado irritadas, ansiosas por saírem da confusão da cidade e chegarem a casa. Enquanto esperávamos que o sinal abrisse na congestionada quinta avenida, Edward colocou um pouco de música. Era um dos meus grupos favoritos. Sorri para o meu amor em jeito de agradecimento. Aproximei o meu queixo do dele e encostei os lábios dele aos meus muito suavemente. De súbito reparei que Edward estava ausente e quando abri os meus olhos encontrei os dele, muito furiosos, a olharem para fora da janela.
- O que foi? – perguntei curiosa.
- Aquele imbecil estava a olhar para... ti. – sussurrou sem tirar os olhos do outro condutor.
- Para nós queres tu dizer?
- Não. Os pensamentos dele eram... bastante claros. - murmurou encolerizado. O sinal abriu, arrancámos e a tensão pareceu desaparecer por completo do rosto dele.
Como seria de adivinhar a loja estava apinhada de gente, e estavam já a distribuir senhas de atendimento tal era o elevado número de clientes. Tirámos a nossa e decidimos dar um passeio pelo parque da cidade.
De mãos dadas, apenas nós e o sibilar das folhas que dançavam ao ritmo do vento. Ao longe ouviam-se risadas de crianças que brincavam no baloiço e num velho banco de ferro forjado encontrava-se um casal de velhinhos que conversavam animadamente.
Edward reparou na minha abstração e apertou a sua mão na minha.
- Nunca pensaste em como seria a nossa vida se fôssemos... humanos?
Apanhou-me de surpresa. Mas de onde é que aquilo veio? Não esperava aquela pergunta, pelo que demorei mais do que o habitual a responder.
- Humm... sim já. Quando era humana.
- E depois disso não? – insistiu com um olhar terno mas com uma curiosidade fulgente a espreitar pelos seus olhos cor de cobre.
- Acho que não... Quero dizer, não. Se tenho toda a eternidade para estar contigo, com a nossa família... Não preciso de mais nada. – respondi espontaneamente. – E tu?
- Eu?
- Sim, tu pensas muito nisso? De algum modo... desejavas ser humano de novo?
- Não, não é nada disso, tola. – sorriu - Não desejo nada que já não possua. Mas às vezes imagino como seria a nossa vida juntos se fôssemos humanos.
Não é que nunca tivesse pensado naquilo, mas nunca dei muita importância. Nasci para ser o que hoje sou. Nasci para ser vampira, nasci para Edward, nasci para passar o que passei para hoje ter tudo aquilo que tenho. Não mudaria nada. Quando vi surgir um grande sorriso no seu rosto apercebi-me que ele me tinha lido os pensamentos.
- Vá vamos. – puxei-o em direcção a um sobreiro perto do lago.
- Sabes que se está a aproximar o Natal... - começou de mansinho. E antes que eu tivesse tempo de dizer algo, ele continuou. – Gostava de saber se existe algo que gostasses de receber. Assim algo especial...
- Bem eu não quero assim nada em especial. Eu já tenho tudo.
- Não vamos ter a mesma conversa pois não? – perguntou mostrando-me os seus olhos ternos. O ano passado foi o ano em que, por altura do Natal tivemos uma conversa séria sobre presentes. Ele, basicamente, obrigou-me a pedir qualquer coisa que eu quisesse. Qualquer coisa. Está claro que ele venceu.
- Humm... quero gastar aquela viagem a França que temos na gaveta da cabeceira. Nunca mais lá fomos.
- Ok, soa-me bem... E?
- E?
- Bella...
- Sabes o que eu quero mesmo? Quero estar assim aqui contigo, sossegada, agarrada a ti. – disse aconchegando-me mais nos seus braços. – E eu gosto de tudo o que me dás - de tudo sem excepção – por isso vou deixar que me surpreendas. Pode ser? – inquiri e virei a minha cabeça para ver o seu rosto que, por acaso, estava a milímetros de distância o que fez com que a conversa ficasse por ali.
Já passavam das oito horas quando voltámos à loja. Estava menos gente. Decidimos dar uma volta à loja, que era enorme, procurando alguns acessórios de decoração que pudéssemos levar connosco. Edward pegou em algumas abóboras em miniatura, teias de aranhas sintécticas, máscaras para os convidados, entre outros.
Meia hora depois conseguimos sair da loja com os fatos. Depois disso fomos à maior loja de doces de Seattle. Ia estar aberta até mais tarde. Escolhemos bruxinhas de chocolate em miniatura, caramelos e outros rebuçados, chupa-chupas, algodão doce, pipocas, cup-cakes do dia das bruxas e levámos as gomas preferidas da nossa filha.
Edward chamou-me do outro lado da loja.
- Olha. – disse maravilhado. Junto dele encontrava-se uma prateleira, que ia até ao tecto, repleta de chocolates das mais variadas formas. No centro estavam expostas dentaduras de chocolate e ao lado figuras em miniatura: pequenos leões e bâmbis. Achei o máximo e juntei alguns à nossa despesa.
Eu já havia notado algo, mas só agora decidi prestar mais atenção: a funcionária da loja não tirava os olhos de Edward. Seguia-o para qualquer lado da loja sempre com o pretexto de pegar nos doces que ele ia escolhendo e colocar num cesto. Já na caixa foi igual, os seus olhos estavam tão abertos quanto excitados pelo deus grego que tinha à sua frente. Lá no fundo, eu entendia-a. Eu já estive naquela posição. A única diferença é que agora ele era meu. E eu não estava a gostar nada daquela interação.
- Tem a certeza de que não quer levar aqueles monstrinhos de chocolate, olhe que têm sempre muita saída. – dizia ela ansiosa pela atenção dele.
- Não são os únicos ter saída por aqui... - sussurrei baixinho. A funcionária saiu por momentos para ir buscar alguns doces ao armazém. Edward esforçou-se por esconder um sorriso enorme. E, depois, afagou-me as costas em jeito de conforto.
- Vê lá se não lhe dás muita corda... - sussurrei-lhe. Ele riu-se e aproximou os seus lábios à minha orelha.
- És tu a única a quem eu, alguma vez, 'dei corda.'
- Acho muito bem. Pelo bem da humanidade, acho bem.
- Ficas muito sexy quando tens ciúmes, sabias? – disse com um sorriso provocante.
- Qual ciúmes, qual quê. Ela andou a seguir-te pela loja toda. – contestei num tom despreocupado e sem olhar directamente nos olhos dele. Mas o meu próprio tom de voz denunciou-me.
- Ela estava só a tentar ser simpática e agradável....
- Pois...eu sei bem como ela quer agradar...
Ele voltou a rir-se descaradamente; e ela voltou ao balcão.
- Gostaria de ter o nosso cartão cliente? Temos promoções muito boas para os nossos clientes fiéis, assim como brindes. – disse ela como se estivesse na presença de uma estrela de cinema. Edward preencheu a ficha e entregou-a.
- Ah desculpe, preciso... quero dizer, precisamos do seu contacto telefónico. – insistiu ela com o braço estendido com a caneta e a ficha na mão à nossa frente.
Senti uma ponta de fúria crescer em mim. Mas que lata! Ouvi o som da caneta escrevinhar no papel e fiz um esforço maior por me controlar. Talvez seja um exagero da minha parte...mas ela continua babada a olhar para ele!
- A que horas posso... quero dizer, podemos contactá-lo?
- Oh esse não é o meu número. É da minha mulher. Ela está mais disponível para tratar destas coisas. – respondeu Edward com um grande sorriso no rosto.
- Ah ok. – disse desapontada. – Obrigada pela visita e volte sempre.
'Volte sempre'. Não 'voltem sempre'. Que lata! E não afastou os olhos dele até sairmos e virarmos a esquina.
Depois desta loja de doces – à qual prometi a mim mesma não voltar a lá entrar - fomos buscar os doces de ovos que o meu pai tanto adora à confeitaria mais fina da cidade. Depois fomos a casa pousar tudo. Alice tratou de colocar os fatos de cada um na garagem, cada um num acondicionamento próprio, apenas com um número de identificação. Coloquei os doces no frigorífico da casa grande e ainda algumas decorações nas mesas.
Enquanto decidia se punha as teias de aranha sintéticas na porta de entrada ou na que dá acesso ao jardim, Edward enlaçou os seus braços fortes na minha cintura.
- Que me dizes a irmos sair a um bar, dançar...ah?
– Sim. - Olhei para ele. Ele esperava um sim. Vi no seu rosto cheio de expectativa. - Mas vamos ver a Nessie primeiro. E depois temos a noite toda só para nós. – completei com um sorriso antes de o beijar.
Nessie dormia profundamente no antigo quarto de Edward. Encontrámos Esme ao lado dela com um livro na mão. À saída ainda ouvimos Alice resmungar com Emmett e Jasper sobre a disposição das mesas no jardim.
- Vamos fugir antes que ela se lembre! – avisei-o piscando o olho.
- Acho que já é tarde demais...
- Porquê?
- Hei! Vocês aí!
- Sim. – respondi já dentro do carro.
Seguiu-se uma curta pausa.
- Vejam se se portam bem. – disse a minha irmã piscando-me o olho. - Amanhã quero-vos aqui a horas e devidamente fantasiados!
Arrancámos em direcção à cidade antes que ela se lembrasse de pedir alguma ajuda para esta noite.
Visitámos diversos bares à procura daquele que mais se adequasse a nós. Acabámos num clube de danças latinas. Edward fez questão que entrássemos apesar da minha relutância inicial. É que nunca tinha dançado salsa ou mambo, embora tivesse alguma curiosidade. E Edward lembrou-se que numa noite prometeu-me que me ia ensinar a dançar o mambo. E eu agora não tinha mais desculpas para não o fazer.
Rapidamente apanhei os passos básicos do mambo, merengue, e do cha cha cha. Edward fez questão de me fazer rodar vezes sem conta no meio da pista, chamando a atenção das outras pessoas que lá se encontravam. A certa altura da noite Edward tinha os primeiros botões da camisa entreabertos.
Dançámos o tango agarrados, de forma bastante provocante, e ainda tivemos tempo para uma salsa. O calor resultante da fricção entre os nossos corpos, o meu vestido curto rodopiava sem cessar e por várias vezes tive de me controlar para não agarrar em Edward e beijá-lo de formas que iriam contra as normas morais minimamente aceitáveis em público. Estávamos livres como nunca estivemos ao pé de outras pessoas. Era eu e ele, e nós e os outros. Nos seus olhos havia um desejo cego, ardente, ou talvez apenas espelhassem os meus. Depois de uma ardente rumba fomos para casa, que a noite haveria de ser longa e agitada.

 

 



Constança às 21:52 | link do post | comentar

6 comentários:
De madalenaswan a 27 de Dezembro de 2012 às 11:14
Olá Sun!
Como foi o teu Natal?

Na minha opinião este capítulo foi um dos melhores até agora.
E embora acompanhe a fanfic desde o primeiro capítulo, só comentei agora, e nem sei bem porquê.
Já estava a pensar que tinhas abandonado a fanfic.
Não nos davas a alegria de abrir a página do blog e termos mais um capítulo há algum tempo!

Sobre o capítulo, está fantástico, e simplesmente amei esta última parte super quente e sexy!
E a conversa entre eles acerca de como seria a sua vida se fossem humanos também foi um momento bastante fofo e romântico.

Agora para terminar o testamento quero só dizer que escreves muito bem e que espero que continues assim :)



De Bárbara M. a 27 de Dezembro de 2012 às 17:25
Adorei este capitulo. Pensei que já não ias continuar mas ainda bem que estava enganada :D
Continua!


De Sun a 29 de Dezembro de 2012 às 20:01
Muito obrigada pela força Bárbara M. ;)

A fanfic continua sim :)

Beijinhos e votos de um Feliz 2013 ^^)


De Sun a 29 de Dezembro de 2012 às 19:54
Olá Madalena! Foi bom e o teu? Espero que sim :)


'Deus me livre' de abandonar a fic assim a meio... era um pecado! :D

Todos os capítulos dão-me muito prazer ao escrevê-los, porque vejo a história tal e qual. E as últimas partes também me dão um tremendo gozo escrevê-las :)

Um beijinho grande e espero que continues a acompanhar ^^)


De Jessica a 27 de Dezembro de 2012 às 21:35
Querida Sun,
Por momentos pensei que tinhas desistido de escrever a fic.. Já estava a entrar em pânico :o
O mais engraçado é que nos últimos dias estava para aqui deixar um comentário a perguntar pela tu fic...e imagina a minha alegria quando entro aqui e vejo que foi postado um capitulo tão maravilhoso *.*

Apercebi-me que tinha mesmo mesmo mas mesmo saudades de ler as palavras lindas que escreves lalalala

Gostei tanto mas tanto deste capitulo, a cena de ciúmes tanto do Edward, como da Bella são tão tão engraçadas, amei por completoooooo :)

Estou muito ancilosa pelo próximo capitulo, nao demores muito sim?

Um beijinho enorme, pipoca linda :) ^^


De Sun a 29 de Dezembro de 2012 às 20:03
Muito obrigada pelas tuas lindas palavras querida Pipoca! ;)

Não imaginas: fico mesmo muito contente por continuarem a ler esta história e a gostarem dela :)

Beijinho muito grande ^^)


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