Segunda-feira, 05.10.09

Olá, daqui fala o Gonçalo.

Agradeço desde já os comentários afáveis que me enviaram.
Como prometido, deixo-vos a primeira parte da fanfic que me está a deixar entusiasmado; espero que também estejam a gostar.
Esta parte chama-se "A Separação"; aviso-vos desde já para terem alguns lenços de papel ao vosso lado.

PS: Escrevi esta segundo capitulo ao som da música "Speeding Cars" dos Imogen Heap.

 

 

    

 

                                  “SOLSTICIO”

 
 

                              Parte 1: Separação

 
 
 

Assim que terminei a minha conversa com Alice, pedi-lhe que me deixasse um pouco sozinha. Apesar de ter mostrado alguma relutância em tal acto, respeitou o meu desejo. Saí da cozinha sem ter comido o que quer que fosse e subi as escadas de maneira a chegar ao meu quarto. Abri a porta e vislumbrei o céu cinzento através das nuvens escuras que o atravessavam; os raios de sol trespassavam dificultosamente o manto negro que enleava o céu, num véu perpétuo.

Forks era assim mesmo. Sempre o seria.
 

Toquei suavemente sobre a porta de vidro corria do nosso quarto – meu e de Edward – e senti um arrepio no momento em que a minha pele entrou em contacto com a superfície fria. Assemelhava-se à temperatura corporal de Edward. Entretanto desloquei-me até ao espelho pendurado sobre uma escrivaninha onde o ele me tinha cedido gentilmente um espaço para uns perfumes e bijutaria, no meio dos seus diários e livros centenários. Um dos que me chamou à atenção foi o “Romeu e Julieta” de William Shakespeare Seria o nosso fim similar ao dos dois protagonistas daquela tragédia? Seria Edward a morrer como Alice previu?

 

Peguei na minha escova e desfiz os nós de cabelo que se encontravam emaranhados junto da nuca e vi reflectida no espelho a imagem de Edward a agarrar-me os ombros, de um modo delicado e suave. Olhei de soslaio sobre o ombro direito mas nada vi a não ser o vazio. Ele não se encontrava ao meu lado a acariciar-me.

 

O que significava isto? Porquê esta miragem?
 

Desejava insaciavelmente falar com ele. Explicar-lhe aquilo que me ia no coração e me magoava a alma. Uma lágrima escorreu-me pelo meu rosto e pousei a escoa do cabelo sobre a mesinha de Edward.

Seria realmente capaz de explicar-lhe o que sentia?

A cobardia era algo que não me caracterizava; Edward merecia que fosse sincera com ele; e eu também o merecia. Tinha de ser principalmente sincera com os meus sentimentos.

 

Deitei-me na cama e abracei veemente uma almofada quadrada e macia que me aconchegava o peito onde residia o meu coração dilacerado.

Fechei os olhos e das suas órbitas nasceram nos fios de lágrimas que me molharam o rosto.

Lentamente, deixei-me velar pelo cansaço que me consumia…

 

“Uma música angelical e harmoniosa invadia a igreja repleta de rosas brancas e encarnadas. Junto do altar, duas grandes heras cravadas de espinhos envolviam as colunas de mármore que o sustinham. Um tapete também ele encarado, macio como veludo, cobria o chão de madeira do local sagrado. Os pórticos abriram-se e eu entrei na igreja vestida num branco imaculado, abarrotado de formas e rendas. Um véu cobria-me o rosto. Nas minhas mãos levava um bouquet de rosas tingidas num branco transcendente e pérolas prateadas que brilhavam à medida que avançava sobre a carpete encarnada.

 

O meu auxiliava-me ao meu lado: o seu rosto mantinha-se traçado numa emoção e melancolia que nunca pensei ver-lhe marcada. Junto do altar, Edward esperava-me de sorriso no rosto, com o seu cabelo cor de bronze rebelde – que contrastava com a cor pálida da sua pele – e de mãos atrás das costas.

 

Desviei subitamente o olhar para os convidados e reparei que Esme e Reneé choravam de um modo incessável.

Assim que a minha mão tocou na de Edward – quando o meu pai me entregou ao meu noivo – este disse-me num tom musical:

-Amo-te. – afirmou acariciando-me as costas da minha mão com o seu polegar.

 

Sorri amargamente.

O padre que tinha sido nomeado para nos casar guiou a cerimónia monotonamente, enquanto me mantinha embrulhada nos meus pensamentos. Até que ouvi o som de um anjo:

-Sim, aceito. – proferiu Edward de um modo singular.

O padre olhou-me amistosamente.

-Isabella Swan, é de sua livre vontade que deseja casar com Edward Cullen? – perguntou-me com uma certa severidade latente na sua voz.

Um nervosismo atroz invadiu-me abruptamente. As minhas mãos tremiam a cada impulso que o meu coração tinha em revelar aquilo que sentia. O meu maxilar inferior tiritava na tentativa de impedir que as palavras fluíssem.

 

Vislumbrei Edward através do véu que ocultava o espelho da minha alma e verti uma lágrima ao imaginar a sua reacção face à minha resposta.

As minhas nãos não conseguiram suster mais o bouquet e algumas pétalas das rosas mancharam o chão.

-Edward – principiei num murmúrio impaciente – eu… eu… - a dor que ele iria sentir custava-me a suportar mais do que a minha. Mas não podia evitá-lo – não sei se é isto que quero. Nunca duvides que te amo… mas estou confusa. O que sinto por ti é algo mágico, único, eterno… tenho que ser sincera contigo… mas não me sinto realizada com tudo isto. Desculpa. – afirmei num choro que acabara de romper dos meus olhos e fugi da Igreja, segurando no vestido branco que me aprisionava naquele dia negro da minha vida…”

 

Acordei, soltando um grito de horror. As minhas mãos tremiam e gotas de suor escorriam-me através das fontes. Um barulho chamou-me à atenção. Uma porta a deslizar.

Fitei o rosto do rapaz mais belo á face da terra: Edward Cullen.

-Olá, meu amor – disse num tom gracioso – tiveste saudades minhas?

Custou-me olha-o nos olhos.

-Muitas… - afirmei, envolvendo os joelhos com os braços.

-Tens fome? Queres ir almoçar? – perguntou-me gentilmente.

Comecei a chorar. A separação era algo que não desejava mas o meu coração clamava por outro nome. Por muito que o amasse, tinha outra pessoa à minha espera. Enchi os pulmões de ar e finquei o meu olhar no de Edward.

 

-Edward – principiei num tom amargurado – tenho de falar contigo.

Ele olhou-me desconcertadamente. Senti uma preocupação excessiva no seu comportamento.

-O que tens, Bella? Porque estás a chorar? Está tudo bem? – inquiriu-me sofridamente, sentando-se ao meu lado sobre a cama.

Sabia que ele odiava ver-me triste.

-Antes estivesse… - disse ironicamente. – Tenho de falar contigo sobre “nós”.

 

Edward lançou-me um olhar circunspecto. Era perceptível um laivo de preocupação e ansiedade.

-Preciso de ser sincera contigo e, comigo também. Sei que me amas acima de tudo… mas eu não tenho a certeza sobre o que quero em relação a ti. Não sei se é contigo que quero ficar. Nunca duvides do meu amor por ti. E quero que saibas que não importa com quem irei viver o resto dos meus dias: haverá sempre um espaço só teu no meu coração. Provavelmente amar-te-ei para sempre, mas neste momento estou confusa. Estou apenas a ser correcta contigo. Por isso espero que não me odeies. – concluí rompendo num choro de lágrimas.

 

Cada gota que me escorria pela face, corroía-me a pele como ácido.

Pousei a minha mão sobre a sua e ele acariciou-me o rosto com a outra.

-Jamais serei capaz de te odiar. Jamais serei capaz de deixar de te amar. Mas se eu não te faço completamente feliz, quem sou eu para te impedir de viveres a tua vida? O sentimento que nutro por ti é perpétuo e imutável. Parece que terei de viver com isso. Sendo assim vai, Bella. Não te estou a mandar embora desta casa, mas vai ter com a pessoa que amas. És livre. Vai. – disse Edward num tom amargurado.

 

Levantei-me lentamente da cama, enquanto os meus joelhos tiritavam furtivamente. Peguei na maçaneta da porta e ouvi a voz de algo a estilhaçar-se:

-Adeus, Bella. Sê feliz.

-Adeus, Edward. Amo-te. – proferi, enquanto a minha voz se transformava num murmúrio.

Saí do quarto – respirava com dificuldade por entre os soluços que me asfixiavam – e no momento em que fechei a porta, podia jurar que o vira verter uma lágrima.

 



Joana TP às 12:00 | link do post

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