Capitulo Quinze
-Onde vamos? - Perguntei, enquanto caminháva-mos, floresta adentro.
-Hum...não sei. Onde te apetece ir?
-Não sei...
-Bom, então podemos ficar por aqui, a chorar, a pensar nas coisas más, a andar às voltas nesta floresta aterradora e húmida...
-Não sejas parvo. - Disse-lhe, dando-lhe uma cotevelada. Mas...não era nada que eu não queria fazer. Chorar, gritar, pensar nos momentos passados...morrer...
-Hey miúda! Não levas-te a sério o que eu disse, pois não?! - Ele tinha parado, e estava imóvel à minha frente.
-Não, desculpa... Podemos... ir ao cinema?
-Ah...sim. Que filme queres ver?
-House of Fire?
-Mas, isso não é de terror?
-Ah, acho que sim...
-E queres, mesmo ve-lo?
-Tens medo, é?
-Hey, claro que não! Bora lá! - Sorri-lhe, forçadamente.
A verdade é que não gosto de filmes de terror, nem um pouco. Mas nesta altura, não há nada mais que eu queira fazer, sem ser isso. Ver coisas assustadoras, poder gritar à vontade, sem que me achem estranha, e pelo menos isso, poderá acontecer no cinema.
-Acompanhas-me?
-Hã?
-A correr. Consegues correr?
-Consigo. Porquê?
-Estás... um bocado abatida. Pareces...muito frágil.
-Seth, parem, todos! De me dizerem que não estou bem, eu sei que não estou bem! Já sofro o suficiente, não preciso que me digam isso, a toda a hora!
-Desculpa.
-Anda, vamos ver o filme. Preciso de... esquecer.
(…)
-Gostas-te?
-Do quê?
-Do filme. Eu gostei, especialmente na parte em que... Oh, esquece. Não prestas-te atenção nenhuma, pois não?
-Prestei... foi... fixe, acho. - Não. Na realidade não prestei atenção nenhuma ao filme, nem de que se tratava. O meu objectivo, não foi cumprido... não consegui, evitar, e controlar os meus pensamentos...
-Renesmee... Sabes que... - Depois, colocou ambas as suas mãos no meu rosto. - Que vou estar sempre aqui, não sabes?
(…)
Novembro
(…)
Dezembro
(...)
Os segundos. Os minutos. As horas. Os dias. As semanas.
Tudo ia passando. E aqui estava eu, na mesma situação, presa às memórias do passado.
Nada tinha mudado. Nada.
Apenas eu. Presa a todas as recordações, incompleta. Sem aquela parte... aquela parte que nos faz sentir bem, a parte que sem a qual perdes sentido, e sem a qual não consegues sobreviver... essa parte, o Jacob.
A sua memória continuava perdida, talvez esquecida, no meio de tantas mentiras. Leah tinha conseguido. Tinha-o.
A solidão, o desespero, teriam-se apoderado de mim se... não tivesse alguém, do meu lado. Nestas últimas semanas, mesmo contra a minha vontade, tive um suporte, alguém que deveras me ajudou, em vários aspectos. Não sorria tanto como nestes últimos tempos.
Seth era o meu amigo, o meu abrigo. Foi aquele que me ajudou, apoiou e compreendeu durante todos este tempo.
Mas, apesar de se ter tornado muito especial, e o meu melhor amigo, o buraco... o buraco que está no meu peito, não irá estar sarado. A não ser que... tenha o Jacob.
-Querida?
-Hã? Sim?
-Vais chegar atrasada... Estás bem?
-Sim, mãe... - Dito isto levantei-me. Coloquei a taça de cereais no lava-loiça, peguei na mochila, que se encontrava em cima do sofá, e dirigi-me até à porta.
-O pai? - Lembrei-me de perguntar.
-O teu pai... Foi tratar de assuntos.
-Que assuntos?
-N-nada! Ainda vais chegar atrasada!
-Mãe... ele foi a La Push?
-N—não!
-Está bem, vou fingir que não acredito.
-Renesmee...!
-Fica descansada... não vou lá... - Disse-lhe. Rebaixei a cabeça, e em passos lentos e duros, saí de casa.
Dirigi-me até à minha pic up, que se encontrava junto a uma árvore, mesmo em frente à minha casa.
Entrei, e coloquei bruscamente a mala, no lugar ao lado do meu.
Liguei o motor, e arranquei, a grande velocidade, rumo à escola.
(…)
Estacionei a carrinha. Fiquei parada por momentos, a observar a chuva, que agora caía a potes.
Peguei na mala, e avancei vafarosamente para dentro da escola.
-Olá Renesmee! - Disse a Catherine, que agora se dirigia na minha direcção.
-Olá... - Respondi.
-Então, estás triste outra vez? Não gosto de te ver assim!
-Não... estou... bem...
-O Miguel está no refeitorio. - Informou, fechando o seu telemovel. - Vamos ter com ele, anda!
A Catherine e o Miguel são irmãos. Vieram de Portugal há quatro anos, e vieram para Forks, no final de Novembro. O pai é inglês, e a mãe é portuguesa, por isso, o nome do Miguel é português, e o da Catherine inglês.
São muito simpáticos, e os meus únicos amigos, aqui, na escola. A Catherine tornou-se minha grande amiga, e tem puxado muito por mim nestes últimos tempos...
-Olá Renesmee! - Gritou o Miguel, levantando-se, e abraçando-me. - Oh não, estás assim outra vez?!
-Não comecem... - Pedi.
-Sabes que é para o teu bem!
-Sim Catherine, sei...
-Se eu fosse teu namorado... - Começou o Miguel com uma fúria flamejante notável.
-Sim, mas não és! - Exclamei. - E ninguém vai ser, senão ele! - Custava-me pronunciar o nome do Jacob...
-Desculpa...
-Vamos para as aulas... - Pedi.
Comecei a andar, e saí do refeitorio. Ambos vinham atrás de mim, em silêncio.
-Olha Renesmee! - Chamou a Catherine, quebrando o silêncio. - Anda cá!
-Diz? - Disse, enquando me dirigia até eles, olhavam fixamente para a parede.
-Vai haver um baile de Natal, aqui na escola!!!
Wohoo, que entusiasmo! (nem por isso...)
(…)
-Eu acho uma boa ideia!
-Menina Andersen, já a avisei, encontra-se numa sala de aula!
-Desculpe professor...
A Catherine não parava de me torturar, a tentar convencer-me a ir àquele estupido baile de Natal...
“Vou continuar a insistir! Não percebes, tens de ir!
Vai fazer-te bem, e vai ser tãããoo divertido!
E olha, o Miguel disse-me que queria ir contigo!! Aceita o convite dele!!
Tu sabes... ele está apaixonado por ti! :P”
Escreveu no papel. Tem uma letra complicada de decifrar, mas eu percebi. Chata! Não quero ir a bailes nenhuns! Só quero uma coisa, e não a posso ter!
Peguei no papel, e cautelosamente também escrevi.
“Já te disse, não vou...
Tu sabes da minha situação! Não me enerves, não quero ir sem ele! Não quero!!
Ele é tudo para mim e... deixou-me...”
Parei de escrever. As lágrimas brotaram dos meus olhos...
Não lhe entreguei o papel, e ela também não insistiu para que o fizesse.
Finalmente a campainha soou, e saí de imediato dali.
Corri em direcção à minha pic up, e liguei o motor.
Só havia um sitio onde queria estar. Com uma pessoa com quem queria estar...
(…)
-Nessie!
-Seth! - Gritei, e saltei para os seus braços.
-Que se passa pequena, que tens?!
-O mesmo de sempre! Não passa Seth, nunca vai passar!
-Calma... calma, não chores... - Dito isto afastou-se, e beijou suavemente a minha face molhada. - Não estás só...
-Eu sei...
-Anda para dentro, está a chover. - Conduziu-me para dentro da sua casa, e sentámo-nos no sofá.
-Vou buscar leite quente... - Informou, e dirigiu-se até à cozinha.
Levantei-me, e liguei o rádio, que se encontrava na cozinha, e sentei-me perto dele.
Estava a tocar uma música que adoro, triste, bonita... É dos Paramore, “We are Broken”.
-É muito bonita. - Disse. - Toma. - E estendeu-me a mão, com uma caneca com leite quente.
-Sim, gosto muito...
-Nessie...
-Sim?
-Em La Push não se fala de outra coisa... vai haver um baile na tua escola... Queres ir comigo?
-Oh não, tu também...
-Vá lá...
-Porquê? Seth, já sabes que não tenho vontade nenhuma para festas...
-Oh... é no dia 23...
-Porque haveria de ir?
-E se eu te disser que, tenho uma maneira de recuperares o Jacob?
-O QUÊ? Seth, desenbucha, por favor!
-Só se... vieres comigo, ao baile de Natal.

