Capitulo 26
Renesmee
Estava já a suspirar de cansaço, quando finalmente me apercebo de que, finalmente o penteado em que Alice tanto trabalhou num tempo infinito, estava finalizado.
-Já não era sem tempo. Obrigada. – Disse, tocando suavemente nos caracóis ordenados e brilhantes.
-Pssht, está quieta! Vais estragar tudo, - disse logo alarmada, “arranjando” o que supostamente eu tinha estragado. – Que achas? – Perguntou orgulhosa, vendo o nosso reflexo no espelho.
-Desculpa. – Disse-lhe. – Está lindo. Obrigada Alice. – Sorri-lhe, tocando nos caracóis que me caiam suavemente nos ombros e o apanhado em cima com uma flor vermelha de lado, que dava um toque “final” esplêndido.
-Agora é só vestires o vestido, a maquilhagem também já está! – Disse contente, e, sorrindo foi buscá-lo. Era preto e em cetim, ficava-me pela altura dos joelhos, e a parte de cima tinha um pequeno decote redondo, e era de manga curta. Fiquei encantada com ele, e mal o vi soltei logo um grande sorriso.
-É lindo, obrigada! – Disse eu, enquanto pegava no vestido, e o encostava a mim. – É realmente fantástico.
-E vai ficar-te muito melhor! – Disse ela sorrindo – Mas agora veste-o rápido, eu vou andando para a casa grande. Tenho ainda umas coisas a arranjar na mesa do jantar. Por amor de Deus, não te atrases rapariga. Eu mato-te.
-Eu sei disso. – Disse piscando-lhe o olho.
Alice saiu, e sentei-me na cama. Dei por mim a pensar no motivo de isto tudo, o que me levou a recordações e aos últimos acontecimentos. Teria Carlisle algo a dizer sobre a gravidez? Mas seria assim algo que merecesse realmente todos estes preparativos? Ou teria algo a ver com o meu pai, Edward Cullen, que estava contra esta mesma gravidez? Ou estaria Alice a preparar uma das suas?
Obriguei a mim mesma a parar, de tão tonta que estava, e não me podia esquecer que tinha uma “morte” reservada caso me atrasasse mais. Querendo evitar discussões com Alice, levantei-me e comecei a vesti-me. Olhei o meu reflexo ao espelho, e a única coisa que me ocorreu foi, “esta não sou eu”.
Não é a jovem, frágil e dependente Renesmee Cullen de há um ano atrás. Tudo mudou, e tudo está a mudar, tu vai mudar.
Jacob Black
Todo o caminho de carro serviu para que o Emmett me deixasse ainda mais nervoso, do que já estava.
Olhei o meu reflexo no espelho do carro, e não me reconhecia. Esta ali, de fato, prestes a pedir a mulher mais perfeita deste mundo em casamento, que por acaso, é a mãe dos meus futuros filhos.
-Acalma-te lá. Não é caso para estares tão nervoso, meu.
-Isso é o que tu dizes, e se estou pior, a culpa é toda tua. – Zumbei.
-Humpf, és um ingrato. – Disse, e olhei-o de lado. – E sabes ao menos o que tens de dizer?
-Claro que sim.
-E é o quê?
-Aquela coisa do… ah… “Renesmee, queres casar comigo?”
-Se fizeres isso com tanto entusiasmo como agora, ela vai pensar que estás a gozar.
-Tu é que estás a gozar comigo! Como é que queres que faça então?
-Hum deixa cá ver… Ouve e aprende! Dizes assim; “Renesmee Cullen, meu amor, meu penico voador, sobrinha do vampiro mais sexy da existência, se este mesmo me der autorização, queres casar comigo, um simples e podre lobo?”
-Emmett… vai caçar gambozinos! – Gritei-lhe.
-Oh, está bem desculpa. – Disse, mas sem desviar os olhos da estrada. Olhei para ele, tinha um sorriso de gozo. Este palhaço gosta mesmo de me chatear. – Ah é verdade, meteste o anel naquela caixa vermelha que eu disse?
-Oh porra! Esqueci-me do anel em La Push!
(…)
-Nem sei como te foste esquecer do mais importante! – Dizia ele enquanto subíamos as escadas da casa dos Cullen.
-Não me digas nada! – Disse-lhe. Tocámos a campainha, e quem abriu a porta foi Esme.
-Boa tarde! – Disse ela. – Nervoso Jacob?
-O cão tá a suar que nem um cavalo. – Disse Emmett, respondendo por mim, mas levando logo a seguir um olhar repreendedor de Esme.
-Bem, entrem.
Entrei na casa, e deparei com a Renesmee sentada no sofá, a beber um batido de morango.
-Olá meu amor! – Disse ela, e quando se ia levantar eu disse;
-Não não! Eu vou aí. – Dei-lhe um beijo e sentei-me ao lado dela. – Estás muito bonita – Disse por fim.
-Tu também. Mas porque é que estás de smoking?
-Ah, por nada de especial. Vamos comer? Tenho fome.
-Sim – Respondeu Alice, ao que me assustei. – Está tudo pronto e servido, venham pombinhos.
Dei a mão à minha, espero eu, noiva, e seguimos para a grande sala. Estava toda decorada como o habitual. E tinha um cheiro a montes de flores que provavelmente, nem sei os nomes. O que me chamou logo à atenção foi um enorme frango em cima da mesa, mas não só. Um montão de qualidades diferentes de carne que me deixaram a salivar. Estava a olhar para as belas costeletas de porco, quando vejo quem estava por detrás delas. O Edward.
Oh bolas… estou mesmo lixado.
-Sentem-se todos! – Pediu Alice. E assim o fizemos.
Durante todo o jantar falaram de coisas banais do dia-a-dia. Eu limitei-me a devorar toda aquela comida, não posso nem consigo fazer um pedido de casamento de barriga vazia.
-Tens algo a dizer Jacob? – Perguntou Rosalie.
-Quem eu? Não. – Respondi, atacando o bife de novo.
-Tens sim. – Disse Emmett olhando-me fixamente.
-Ah, isso… - Balbuciei.
-O quê? – Perguntou Renesmee.
Olhei para ela durante segundos… e resolvi levantar-me, mas não sem antes olhar para o Edward. A esta hora já devia saber o que eu ia fazer.
A Alice agarrou numa máquina fotográfica, o que me deixou ainda mais nervoso.
Desviei a cadeira, e ajoelhei-me em frente à Renesmee.
-Renesmee Cullen…
-Sim? – Disse envergonhada. – Mas que raio estás a fazer? Levanta-te Jacob…
-Não posso.
-Porquê?
-Porque… - Comecei, tirando do bolso a caixa vermelha de veludo. Olhei todos os presentes. A Bella parecia que ia chorar, mas depois lembrei-me que ela não chora. A Rosalie estava de mãos dadas com o Emmett, que por sua vez se queria desmanchar a rir. A Esme e o Carlisle tinham um ar orgulhoso. Alice tinha a máquina pronta a disparar, e o Jasper… tinha a mesma cara de sempre. – Quero perguntar-te algo. Renesmee Cullen, aceitas casar-te comigo e… essas coisas que se costumam dizer?
Olhei de seguida a sua expressão surpreendida, e quando os seus lábios se iam movimentar surgiu um enorme ruído. Alice levantou-se de repente, e ficou estática.
-Volturi… - Pronunciou.


