Quinta-feira, 17.06.10

 

Podes ler aqui o 14º Capítulo desta FanFic!

 


Capítulo 14

 

Alice não se foi logo embora. Dirigiu-se ao outro quarto e consegui ouvir o seu espanto perante o estado do mesmo.

- Credo! Não querias destruir mais o quarto? Talvez deitar uma parede a baixo? Espero que tenha valido a pena… - soltou uns risinhos baixos.

- Nem comento, Alice. Até parece que não sabes a resposta. – retorqui-lhe enquanto afagava o cabelo de Bella.

Alice não me respondeu. Estava a remexer em alguma coisa no quarto. Pelo barulho pareceu-me que era na mala de Bella.

- Alice?! O que estás a fazer? – a sua cabeça estava povoada com imagens de algas e peixes a nadar no fundo do mar. – O que me estás a esconder?

“Nada.” - pensou de imediato. -”É perfeita. Vão gostar! Agradeces-me mais tarde, pode ser?” – questionou-me já à porta do quarto azul.

- Estás-me a confundir. O que andaste a fazer?

“Nada. E vou-me embora que a minha visita já se prolongou demasiado. Adeus, Edward!” - disse-me enquanto abanava os dedos da sua mão direita, fugindo de imediato. Ouvi o suave fechar da porta seguido de um chapinhar na água. Depois, silêncio total.

Tinha muito em que pensar. Demasiado, até. A conversa com Alice ecoava na minha cabeça como se tratasse de gotas de uma torneira mal fechada:

O céu clareava a um velocidade enorme, parecia que nada o detia. Ao mesmo tempo eu elaborava uma enorme lista de prós e contras, onde a lista de contras era maior, mas os prós ganhavam cada vez mais peso na minha consciência. A sua segurança, tão valiosa para mim, era o maior contra na lista. Satisfazê-la, (satisfazer-me a mim), fazê-la feliz, eram alguns dos prós que mais me faziam ficar na dúvida. Porquê resistir? Porquê ceder?

E esta lista começava a tornar-se ridícula. Nunca precisei de fazer algo parecido na vida. Sempre soube o que fazer. Alice só viera complicar aquilo que já era complicado. Mas não a podia culpar. Ela só me viera dizer aquilo que Bella não conseguia. Devia ter-lhe agradecido, porém, por outro lado, não. Não sabia o que fazer, outra vez.

Sabia, que por enquanto, responderia a todas as tentativas de Bella com um não. Por enquanto, até me decidir, até conseguir ter a certeza do que devo fazer, é o mais correcto a fazer.

- Com a cabeça nas nuvens? – perguntou-me uma voz ensonada que murmurava contra o meu peito.

- A pensar em ti, mais concretamente, meu amor. – respondi-lhe com um sorriso enquanto afastava o cabelo da sua cara. – Dormiu bem, a senhora Cullen?

- Mais que bem. – respondeu entre pequenas gargalhadas. Calou-se por breves instantes, de seguida o seu estômago fez uns pequenos barulhos. Bella levantou o olhar e sorriu para mim.

- Já sei: hora do pequeno-almoço. – beijei-lhe o topo da cabeça de seguida – Algum pedido especial? – murmurei contra os seus cabelos.

- Pouca comida. E é uma exigência. – disse-me enquanto se erguia com um sorriso na cara, aproximou-a da minha e uniu os seus lábios aos meus. O beijo começou como todos os outros, muito controlado, muito apaixonado, muito seguro; até que, como sempre, Bella se entusiasmou e começou a explorar os meus lábios de uma forma muito mais “atrevida”. Por isso fiquei surpreendido quando Bella afastou os seus lábios dos meus, mas deixando a ponta do seu nariz encostada à minha.

- Hoje estás especialmente cuidadoso. Alguma razão?

- Controlo nunca fez mal a ninguém. – respondi-lhe de maneira automática enquanto me tentava controlar. O facto de o seu cheiro estar presente em tudo à minha volta e o seu corpo colado ao meu, não ajudava em nada. “Controla-te, Edward, controla-te. A segurança dela.”

- Mas a falta dele também não faz assim tão mal, sabes disso? Eu gosto. – provocou-me com um sorriso.

Mas de onde é que isto tudo tinha saído? De onde vinha toda esta sensualidade? Se no dia anterior considerava a situação complicada, neste momento, ela acabava-se de tornar muito mais complicada. E tentadora.

- Não. – preferi responder-lhe à pergunta que ali estava subentendida e sei que Bella percebeu.

- É só um beijo, por amor de Deus, Edward. Que mal pode fazer? – Bella nem me deixou responder. Afagou, muito doce e suavemente, os meus lábios, afastando-se logo de seguida – Vês?

Não me deixou responder outra vez. Ia-lhe dizer que não era seguro e que eram só uns dias ou semanas, para que fosse paciente, mas, subitamente, fiquei com os lábios muito ocupados… Quando Bella sentiu os meus braços à volta da sua cintura, soube que eu me estava entregar ao beijo totalmente, afastou-se de mim e sussurrou ao meu ouvido:

- Amo-te. – levantou-se num salto, apoiou-se na cómoda para não cair e dirigiu-se à porta do quarto. – Vou-me vestir. Até já. – ainda lhe consegui ver o sorriso presunçoso que estava desenhado na sua cara.

Bolas! Não podia crer que tinha caído nesta. Desta vez Bella foi longe de mais. E Alice tinha razão: quase se conseguia apalpar a felicidade de Bella no momento em que quase cedi. Levantei-me, tomei um duche rápido e fui para a cozinha: não queria atrasar o pequeno-almoço de Bella.

Preparei umas torradas, uns ovos estrelados e um sumo de laranja natural. A minha cabeça não estava ali. Estava a pensar no que Alice tinha dito, no que Bella acabara de fazer e de quão próximo estive de ceder. Alice tinha razão. Eu sabia, ou deveria saber, que era uma questão de dias até ceder.

Ouvi os seus passos a saírem do quarto e a dirigirem-se para mim. Senti o seu cheiro, forte e doce, mais próximo de mim. Sorri 2 segundos antes de sentir os seus braços à minha volta.

- Isso cheira bem… - disse por baixo do meu braço. – Falta muito?

Estava pronto. Desliguei o lume, virei-me e passei os meus braços à volta da silhueta de Bella.

- Tu cheiras melhor. – e ri-me – É difícil algo cheirar melhor do que tu. – inclinei-me e beijei-lhe suavemente o pescoço. Pude senti-la a arrepiar a rir-se muito baixinho:

- Olha quem fala… - levantou o olhar, pôs-se em bicos dos pés e beijou suavemente a minha clavícula. Afastou-se pegou no prato atrás de mim e sentou-se a comer. Fiquei com uma impressão agradável no sítio onde Bella me beijara.

- Quais são os planos para hoje? – perguntou a minha Bella depois de beber um trago de sumo.

- Apetece-te fazer alguma coisa em especial? – perguntei enquanto me sentava na cadeira ao lado da dela.

- Hum… -  Bella já tinha acabado de comer por isso sentou-se ao meu colo. Passei os meus braços à sua volta e apoiei o meu queixo junto ao seu pescoço, por isso, quando corou, consegui sentir o calor do sangue na minha bochecha. Era impressionante a maneira como me afectava… - Fazemos uma maratona de filmes? Ando super cansada, - lançou-me um olhar acusador -  assim podia descansar…

- Tenho uma ideia melhor. – “Pensa Edward, pensa!!!” – E se fossemos ver os corais? Ainda não os exploraste muito bem!

- Acho que pode ser! – respondeu-me com um entusiasmo que me surpreendeu. Levantou-se, agarrou-me na mão e começou a puxar-me em direcção à água.

(…)

As horas foram passando. Vimos corais com as suas cores vibrantes, únicas e fantásticas, vimos peixes que fugiam pela sua segurança, vimos umas tartarugas que andavam ali por perto. Mostrei a Bella uma gruta subterrânea que havia ali junto da Ilha. O seu chão era plano, não magoava os pés, mais à frente havia uma pequeníssima lagoa e mesmo por cima dela, no tecto, havia uma abertura que deixava a luz do pôr-do-Sol entrar.

- Fantástico! A Esme sabe disto? – perguntou Bella com o chocolate  dos seus olhos a fervilhar de curiosidade.

- Na verdade, não. Descobri-o há uns anos quando vim cá numa visita de rotina. Gostei tanto dele que o guardei para mim. Mas como tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu, achei que devias saber.

- É linda, Edward. Adoro-a.

- Ainda bem! – agarrei-a suavemente pela mão e puxei para mim. Rodeei-a com os meus braços e aconcheguei-a contra o meu peito, de seguida o seu coração disparou descompassadamente. – Vou sentir falta disto.

- Ainda temos alguns dias até lá. E devíamos estar a aproveitá-los, sabes? – murmurou, abafadamente, contra o meu peito.

- Aqui não. Este é o nosso sítio fora de Forks, está bem?

- Só nosso. – disse enquanto se elevava sobre os seu pés, debrucei-me e beijei-a suavemente, apertando-a contra mim e sentido os seus braços à volta do meu pescoço. Afastei-a suavemente passado uns segundos par que o controlo não me escapasse, embora na verdade esta ideia fosse cada vez mais tentadora.

Lancei-lhe um sorriso enviesado e perguntei-lhe:

- Com fome?

- Alguma… - admitiu com um sorriso envergonhado na cara.

- Vá, sobe. – pedi-lhe enquanto me virava de costas para ela para que pudesse saltar para as minhas cavalitas. – Estás quase seca e não vale a pena estares-te a molhar. Eu salto.

- Consegues? Quero ver isso… A abertura é altíssima. – na sua voz não havia qualquer nota de medo ou desconfiança, apenas uma grande dose de provocação.

- Não me subestimes, querida.

Corri em direcção à pequena lagoa, que não era muito profunda, impulsionei-me em direcção à abertura, agarrei-me às bordas, ergui-me, passei as pernas para fora, e pronto: estava cá fora. Tudo numa questão de míseros segundos.

- Já deveria saber que não é uma coisa muito inteligente subestimar-te. – reconheceu a Bella.

- Muito provavelmente… - e rimo-nos de seguida. Peguei na sua mão e dirigimo-nos para a casa que se encontrava a umas dezenas de metros dali. Estávamos a andar normalmente e eu já estava um pouco entediado daquela velocidade… Peguei-a ao colo e corri até casa. Uma viagem que teria demorado alguns minutos, feita em questão de segundos. Foi deveras refrescante sentir o vento na cara, mesmo por segundos

- Formidável. Adoro quando fazes isso e nunca me canso. – declarou, dando-me de seguida um suave beijo no peito.

- E ainda bem, vais ter uma eternidade pela frente. É bom que não te aborreças rapidamente. – disse-lhe com o meu sorriso enviesado enquanto a pousava no chão. – Vai tomar um banho que eu apanho a tua roupa ali na praia, está bem? Algo pedido para o jantar?

- Obrigada, Edward. – agradeceu com um sorriso. – O peixe do almoço estava óptimo, portanto, carne. Não muito grande, por favor. Já estou cansadíssima. – lançou-me outro olhar acusador enquanto bocejava – Vês?

- Vejo sim, meu doce. Trinta minutos e o jantar está na mesa.

- Não duvido. – riu-se e dirigiu-se para o quarto.

Rapidamente me dirigi à praia e apanhei as roupas que por ali estavam espalhadas. De seguida, foi ao quarto branco e deixei-as lá. O jantar revelou-se um grande desafio: não sabia o que fazer. Acabei por grelhar um bife e cozer uma massa. Simples e saudável.

- Pronto! – exclamei enquanto disponha o prato à frente de Bella. Envergava um roupão e o seu cabelo escorria-lhe delicadamente pelas costas abaixo.

- Céus, isso cheira mesmo bem… Tinha a idei… - Bella foi interrompida por um bocejo - …a que te tinha exigido pouca comida. Enfim, mas agora estou fome.

- Os meus dotes culinários abrem o apetite a qualquer um. – rimo-nos os dois.

Bella hoje comia devagar, por isso passei metade do jantar a brincar com uma mecha molhada do seu cabelo, entrelaçando-a nos meus dedos. Quando acabou sentou-se no meu colo:

- Satisfeita, querida? – perguntei enquanto passava dois dedos pela sua clavícula, subindo, lentamente, pelo pescoço. O seu coração começou numa sinfonia acelerada: música para os meus ouvidos.

- Mais do que isso, até… - respondeu com a respiração entrecortada. – Bem, eu vou secar o cabelo e vestir o pijama. – informou-me enquanto se levantava – Até já. – beijou-me suavemente, fugindo para o quarto.

Arrumei a cozinha, fui para o quarto e vesti umas calças caqui. Deitei-me na cama com os braços trás da cabeça. Estava a pensar na conversa com Alice e sabia que tinha de decidir alguma coisa. Naquele mesmo momento. Voltei a relembrar a (ridícula) lista de prós e contras. Revi-a imensas vezes: os contras ganhavam sempre. A segurança de Bella, mais importante de que qualquer coisa para mim, fez-me tomar essa medida: iria continuar a dizer não. Não iria ceder.

Só o medo que sentia quando ponha a hipótese de nunca mais ver aqueles olhos castanhos quentes a olharem para mim, o seu amor por mim reflectido num só olhar; o medo de não sentir a sua pele quente a deslizar por baixo dos meus dedos… Era demasiado a arriscar por uns momentos de prazer. Ainda por cima quando tínhamos uma eternidade para aproveitar!

Bella vinha a caminho do quarto, ouvia os seus passos a aproximarem-se e, bem mais alto, as batidas do seu acelerado coração. Quando Bella entrou no quarto… Bem, se fosse humano, sabia que estaria à beira de uma ataque cardíaco. Aquela lingerie preta, de renda e seda, justa ao seu corpo, mostrando cada pequena curva dele… Bem, deixava-me louco. “Controla-te, Edward, controla-te!!” E naquele momento era tarefa difícil. Mas, de alguma forma que desconheço, consegui controlar-me. E para bem de Bella.

- O que te parece? – perguntou-me dando um volta sobre si mesma. Bem, ela estava simplesmente de matar. Não levando a expressão à letra.

Clareei a voz antes de responder:

- Estás linda. Como sempre. – tentei manter a voz num tom natural, mostrando indiferença.

- Obrigada. – disse com uma voz doce, saltando par cima do colchão, aninhando-se a mim de seguida. Rodeei-a com os braços e pude reparar que as suas nódoas negras estavam visivelmente melhor. Algumas até já tinham desaparecido.

- Vou fazer-te uma proposta… - disse-me com a voz entrecortada pelo sono.

- Não aceito qualquer proposta tua. – respondi-lhe automaticamente antes que outras palavras me saíssem pelos lábios.

- Ainda nem sabes do que se trata… - contrapôs.

- Não interessa. – “Resiste-lhe, percebes?” Bolas, mas era difícil! Ainda por cima com aquela lingerie demasiado sexy no corpo de Bella. Subitamente, fez-se luz na minha cabeça. Um pensamento especial da Alice ecoou-me na cabeça: “É perfeita. Vão gostar! Agradeces-me mais tarde, pode ser?” Claro! Esta lingerie era obra de Alice! Só podia…

- Que se lixe! E, na verdade, aquilo que queria… Deixa lá. – fechou os olhos e bocejou longamente. Como eu queria ler os pensamentos de Bella agora! A entoação que tinha na voz levava-me a crer que queria algo diferente. Não discutir um assunto já mil vezes discutido. E se eu lhe pudesse dar algo que ela queria? Se a pudesse fazer feliz com algum presente?

- Está bem. O que é que queres? – perguntei-lhe par tentar saber o que a podia fazer mais feliz.

- Bom, estava a pensar… eu sei que aquela história de Dartmouth era apenas uma distracção, mas acho que não me fazia mal passar um semestre na Universidade. –declarou pausadamente. Esperava tudo menos isto! Bella a adiar a sua transformação? Como? Porquê? Desde quando? Que peça é que me falta aqui no meio? – Aposto que a ida para Dartmouth ia deixar Charlie entusiasmado. É claro que seria uma chatice não chegar aos calcanhares dos crânios de lá… Mas, repara… Dezoito, dezanove anos. A diferença não é assim tão grande. Não me parece que os pés-de-galinha apareçam assim tão cedo.

Estava a tentar analisar o que Bella me dissera. Era muito informação junta, toda muito empacotada. Não percebia o porquê disto agora. Medo? Ansiedade? Receio do desconhecido? Porquê?!

- Terias de esperar. Terias de te manter humana. – respondi-lhe passado algum tempo coma voz ainda chocada, tentando perceber tudo.

Bella não me respondeu. Ficou calada enquanto o seu coração continuava calmo, regular. Não bastava a cena de hoje de manhã? As peças de roupa que envergava agora? O mistério e confusão que estava a causar agora?

- Porque é que me estás a fazer isto? Não é bastante difícil sentir isto tudo? – perguntei-lhe num tom furioso enquanto agarrava um dos imensos folhos de renda com violência. Respirei fundo, tentei ignorar – algo impossível -  o cheiro intoxicante de Bella, larguei o folho lentamente, recuperando a calma aos poucos. – Não interessa. Não vou aceitar nenhuma proposta tua. – muito menos esta. Havia qualquer peça que me escapava neste aqui. Isto era um plano qualquer…

- Quero ir para a Universidade. – proclamou sem dar a parte fraca.

- Não, não queres. – disso tinha certeza -  E não existe nada que mereça arriscares a tua vida mais uma vez. Ou magoares-te. – a sua segurança era o mais importante. E muitas vezes não era eu que a punha em causa.

- Mas eu quero mesmo ir. Bom, não se trata tanto da Universidade, mas antes de querer… ser humana por mais algum tempo. – declarou sem a voz falhar uma única vez. Seria medo? Julgava que já tinha ultrapassado essa fase a algum tempo, mas com Bella, nunca se sabe. Juro que não percebia aquilo. Fechei os olhos, respirei novamente e tentei manter a calma:

- Bella, estás a pôr-me louco. – “e por muitos motivos”, quase acrescentei – Não tivemos já esta discussão  um milhão de vezes, quando me suplicavas que não esperasse um segundo até te transformar em vampira?

- Sim, mas… agora tenho um motivo para ser humana, que anteriormente não existia. – disse-me com a voz subitamente envergonhada.

- E qual é? – era só isso que precisava de saber par descodificar isto tudo.

- Advinha. – provocou-me enquanto se erguia das almofadas para me beijar. Retribui-lhe o beijo com todo o meu amor, mas mantendo a cautela para não lhe dar a ideia que estava a ceder. De repente, tudo fez sentido! O “joguinho” daquele dia de manhã, esta lingerie demasiado provocadora, a razão do desejo de continuar a ser humana. Tudo se resumia ao sexo. Bella gostava desta nova parte da sua vida – e sabia que eu também gostava -  e não estava pronta para prescindir dela. Pegar ou largar, basicamente. Afastei-a lentamente de mim, aninhando-a confortavelmente no meu peito.

- És tão humana, Bella. Dominada pelas tuas hormonas. – ri-me abafadamente.

- Essa é a questão, Edward. Eu gosto dessa parte de ser humana. E não a vou dispensar já. Não quero ser uma recém-nascida obcecada por sangue e aguardar montes de anos até recuperar parte disto.

Fantástico! Isto era praticamente chantagem. Bella devia ter perdido horas a pensar nisto, meu Deus.

Bella bocejou suavemente:

- Estás cansada. – era a melhor desculpa que podia arranjar para esta conversa estranha e confusa. – Dorme, meu amor. – comecei a cantarolar a canção de embalar da minha mulher. Estas palavras ainda me causavam alguma estranheza. Era um sensação agradável, sem dúvida. Uma felicidade extrema que cause rebentava com os meus pulmões – embora não precise deles.

- É estranho estar assim tão cansada… - resmungou num tom sarcástico – Nada disto devia fazer parte do teu esquema.

Bella percebera desde o início que isto tudo era um esquema… Obviamente! Bella era perspicaz como eu mesmo já o deveria saber. Gargalhei e recomecei a cantar.

- Porque, por muito cansada que andasse, até era lógico que dormisse melhor.

Como?! A surpresa fez-me suspender a melodia para contradizer aquilo que Bella dizia:

- Tens dormido que nem uma pedra, Bella. Desde que viemos para cá nunca mais te ouvi falar a dormir. Se não ressonasses, até tinha medo que estivesses em coma. – Bella não ressonava, muito pelo contrário: até era muito silenciosa… enquanto não falava.

- Mas não tenho o sono agitado? É estranho. Sempre que tenho pesadelos não paro de dar voltas na cama. E falo alto.

- Tens tido pesadelos? – Bella andara super pacífica a dormir. Como pedia ter pesadelos?

- Sim, muito reais que me deixam exausta. – foi interrompida por um breve bocejo – É incrível não ter passado a noite inteira a falar disso.

- Com o que é que sonhas? – não me lembrava de nada na ilha que pudesse causar pesadelos constantes a Bella.

- Com coisas variadas, mas as mesmas de sempre, percebes? Por causa das cores.

- Das cores?

- É tudo muito luminoso e real. Normalmente, quando sonho sei o que estou a fazer. Com estes sonhos não tenho a sensação de estar a dormir. – percebi porque é que Bella andava ainda mais cansada do que eu esperava que andasse – E é isso que os torna mais assustadores.

- O que é que eles têm de assustador? – começava a ficar seriamente preocupado com o sono de Bella. E, segundo o que dizem, pesadelos são mesmo muito maus. Podendo deixar alguns traumas e tudo…

Bella estremeceu muito ao de leve antes de responder:

- Acima de tudo… - interrompeu-se.

- Acima de tudo?... – encorajei-a a continuar.

- Os Volturi. – respondeu-me passado algum tempo. Apertei-a de imediato contra mim, tentando reconfortá-la.

- Eles vão deixar de nos importunar. Em breve serás imortal e já não haverá motivos para isso.

A expressão de Bella contraiu-se um pouco. Vi a aflição e medo a subir-lhe ao rosto, apagando qualquer rasto de cor da sua face. Como me custava vê-la assim devido aos Volturi: o medo que eles lhe infligiam era de tal forma grande.

- O que posso fazer para te ajudar?

Bella suavizou a expressão da sua cara antes de me retorquir:

- São apenas pesadelos, Edward. – respondeu-me com uma nota de agonia na voz.

- Queres que cante para ti? Se isso ajudar a terminar com eles, eu canto para ti a noite inteira.

- Nem todos são pesadelos. Também tenho sonhos bons. Muito… coloridos. No fundo do mar, com peixes e corais. Todos me parecem reais, porque não tenho a sensação de estar a sonhar. Talvez o problema esteja nesta Ilha. Aqui há muita luz. – declarou com um sorriso na cara.

- Queres ir para casa?

- Não. Ainda não. Podemos ficar mais uns dias?

- Ficamos enquanto quiseres, Bella. – dei-lhe a certeza.

- Quando começa o semestre? Perdi um pouco a noção dos dias.

Outra vez, não. Suspirei, na tentativa de ignorar este novo “lado” de Bella: o lado que se queria manter humano só para aproveitar as coisas boas da vida. Entenda-se: sexo.

Recomecei a cantarolar e Bella adormeceu de imediato.

 

Perdi o resto da noite a pensar em Bella, no que ela me dissera naquela noite. Só viera complicar tudo. Se tudo já se tinha complicado mais, isto só viera aumentar a dose de complicação. Não era justo. Bella achava que era difícil para ela, -  e, sim, era, acredito que sim – pois para mim também era. E dava jeito que Bella tentasse perceber isso.

 

O meu pensamento foi interrompido por Bella: de repente mexeu-se na cama e gemeu. Voltou a mexer e exclamou:

- Ah!

- Bella? – abanei-a um pouco – Estás bem, meu amor? – teria sido um pesadelo? Parecia que o facto de ter estado a cantar até àquele momento – eram três da manhã – não tinha ajudado muito. Poderia fazer algo mais para ajudar?

- Ah! – exclamou novamente. Ficou parada a olhar para mim durante breves segundos. Do nada, grandes e gordas lágrimas escapavam-lhe dos olhos, descendo-lhe pela cara, molhando tudo em seu redor.

- Bella! O que é que aconteceu? – perguntei-lhe com a voz mais alta e preocupada, enquanto tentava travar as lágrimas que lhe molhavam a cara. Teria sonhado com os Volturi? Outra vez?

- Foi só um sonho. – murmurou entre soluços, aparecendo mais lágrimas de seguida.

- Já passou, meu amor. Tu estás bem e eu estou aqui. – tentei acalmá-la e reconfortá-la, embalando-a nos meus braços. – Tiveste outro pesadelo? Não foi real, não foi real.

- Não foi um pesadelo. – passou a mão pelos olhos, tentando-os secar. – Foi um sonho bom.

Então se não era um pesadelo, com que tivera sonhado que a tinha feito chorar?

- Então, porque é que estás a chorar? – questionei-a com a voz surpreendida.

- Porque acordei. – declarou entre soluços. Passou os seus braços pelo meu pescoço e apoiou-se no meu pescoço, onde continuou a soluçar. Dei um gargalhada algo forçada, onde a preocupação estava demasiado patente.

- Bella, está tudo bem. Respira fundo. – pedi-lhe com doçura.

- Foi tão real. Eu queria que fosse real. – confessou engasgada pelos soluços.

- Conta-me o sonho. Talvez isso ajude. – além de preocupado, – muito preocupado -  estava curioso: não percebia o porquê deste choro, embora a estivesse a reconfortar como podia.

- Estávamos na praia… - calou-se a meio da frase. A sua voz estava repleta de sofrimento, o que me assustou. Levantou o olhar para me encarar e aquilo que vi nos seus olhos surpreendeu-me, assustou-me ainda mais até. Estavam repletos de dor e de uma amargura que não percebia de onde vinha, mas que a magoavam muito.

- E? – incentivei-a a continuar.

Bella continuou sem me responder, limitou-se a olhar para mim, com aqueles olhos que me causavam dor, só de pensar no que ela sentia naquele momento.

- Conta-me, Bella. – voltei a pedir-lhe.

Bella não o fez. Continuou a olhar para mim por uns segundos, apertando os seus braços em meu redor. Elevou-se das almofadas um pouco, o suficiente par me poder beijar os lábios. Entreguei-me na totalidade ao beijo, tentando reconfortá-la. O beijo tornou-se mais urgente, mais apaixonado, mais sensual. Percebi de imediato o sonho de Bella. O choque trespassou-me como uma faca e tentei afastá-la com delicadeza. Teria de dizer não: por muito que me custasse vê-la a assim e por muito que me custasse a mim.

- Não, Bella. – disse-lhe num tom ríspido, demasiado duro.

Bella deixou-se cair na cama, derrotada enquanto novas e silenciosas – mas muito fortes e dolorosas – lágrimas desciam-lhe pela cara.

Como eu queria poder reconfortá-la na totalidade, dar-lhe o que ela deseja tanto como eu. Mas a sua segurança estava acima de tudo, teria que a proteger.

Ah, será que Bella sabia o que me custava vê-la assim? De certo que não. Vê-la a sofrer, fazia-me sofrer muito mais do que achava possível.

- D-d-d-esculpa. – murmurou entre soluços.

Que culpa Bella poderia ter? Apertei-a contra mim, num gesto exasperado, tentando controlar-me para sua própria segurança.

- Bella, eu não posso. Não posso! – confessei-lhe exasperadamente. Quem me der poder!

- Por favor. Por favor, Edward. – suplicou com a voz abafada; mesmo assim, era impressionante a quantidade de “poder”, dor e sofrimento que transmitiam.

O quanto me custava vê-la assim. Por minha culpa. As lágrimas que lhe escorriam pela cara eram demasiado dolorosas para eu as suportar; o desejo que tinha por Bella – e controlava há dias – tornara-se demasiado para eu o conseguir conter… Com um gemido, uni os meus lábios aos de Bella, sentido o sal das suas lágrimas nos meus.

Abracei-a suavemente e fi-la ficar com as costas encostadas à cama, deitando-me por cima dela com cuidado por causa do meu peso. Afastei os meus lábios de Bella para lhe dar a oportunidade de respirar; desci os meus lábios pelo seu pescoço, sentindo o seu cheiro a entrar-me pelo nariz: estava verdadeiramente intoxicado, mas, mesmo sim, controlado.

Senti as mãos de Bella descerem pelas minhas costas, passando para os meus abdominais, baixando para o elástico das minhas calças. Despi-as com facilidade, voltando a beijar os lábios salgados de Bella. Apoiei-me com uma mão na cama e com a outra arranquei a lingerie de Bella: o desejo era demasiado intenso para estar a tentar encontrar os botões e despi-la pela cabeça de Bella.

Ergui os meus braços e agarrei-me à cabeceira da cama para tentar manter alguma distância do pescoço de Bella. Entrei suavemente dentro dela: éramos novamente um só. Movemo-nos em sincronia, trabalhando como duas peças perfeitas, bem oleadas, onde erros não eram permitidos: as suas consequências eram demasiado graves.

Rapidamente começaram uns gemidos baixos que se foram elevando de som e pequenos murmurares de nomes que saíam pelos nossos lábios entreabertos.

Quando Bella estremeceu debaixo de mim e gemeu maias alto o meu nome, atingindo o seu ponto máximo de prazer, senti que o meu próprio momento estava a chegar. Apertei as mãos à cabeceira da cama, sentindo-a a ceder debaixo dos meus dedos. Atirei esses bocados e arranquei outros, entre ofegares de prazer. Era melhor – e mais seguro – estragar a cama, do que magoar Bella. Sem dúvida.

Quando tudo acabou, quando ambos estávamos satisfeitos e Bella salva, – não registei nenhum dano naquele momento – saí de Bella, beijei-lhe ao de leve os lábios e voltei a deitá-la em cima de do meu peito gelado.

- Obrigada, Edward. – murmurou com uma voz ensonada contra o meu peito.

- De nada. Foi uma prazer. Levando a expressão à letra. – rimo-nos baixinho, fazendo coro um com o outro.

- Amo-te muito. – sussurrou já adormecida

- Eu amo-te mais. – murmurei enquanto afastava o seu cabelo da cara. Recomecei a cantarolar.

Bella estava bem, salva. Podia ver que não se iam formar nódoas negras e que não a tinha magoado. Isso significava que me tinha saído bem na protecção de Bella. E que já não havia (quase) nada que nos impedisse de sermos dois recém-casados normais; tirando o aparte de eu ser vampiro e ter um força enorme e poder perder o controlo a qualquer momento. Mas não perdera: um sorriso algo presunçoso desenhou-se na minha cara.

Bem que podia agradecer a Alice. Salvara a minha Lua-de-Mel…

Coincidência ou não, o telemóvel tocou na gaveta do quarto branco. Não me mexi. Estava bem onde estava. Tinha tudo o que precisava junto de mim… À distância de um simples toque.



Carolina às 21:30 | link do post

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