Sábado, 18.09.10

 


***

 

Saí de rompante pelas portas principais da universidade arrastando Edward atrás de mim. Assim que o ar fresco me bateu na cara larguei-o e bufei para o ar, soltei um som de irritada.

- Não sei porque te deixas afectar assim tanto por ele. – O meu pai estava parado a dois metros de mim, de braços cruzados, dando-me espaço para que pudesse andar de um lado para o outro.

- Não me digas que tu também não ficaste irritado. – Disse, parando de andar. – Eu bem te vi a dirigires-te a ele.

- Isso foi diferente! Eu não fiquei irritado com o que ele disse… - Olhou para o lado.

Dei um passo na sua direcção.

- O que é que ele estava a pensar? – Perguntei tentando chamar a atenção de Edward.

- Isso não importa. – Ainda não me olhava.

Nesse momento uma rapariga baixa de cabelos loiros e lisos e olhos castanhos parou à nossa beira. Olhamos os dois para ela. Ela dirigiu-se a mim.

- O Gavin pediu-me que te entregasse isto. – Na sua mão esticada encontrava-se um papel dobrado em quatro.

Encarei o papel durante um tempo, pensando na possibilidade de dizer à rapariga que o levasse de volta. Olhei para o meu pai e ele acenou a cabeça para que pegasse nele. Assim o fiz. Não agradeci à rapariga e ela foi-se embora assim que eu tive o papel nas minhas mãos. Lentamente desdobrei-o.

“Não rasgues isto…ainda! Ok, admito, começamos com o pé errado, mas penso que ainda podemos dar a volta a esta situação. Afinal de contas temos um trabalho de Metodologia para fazer. Prometo que vou tentar controlar-me.”

Revirei os olhos quando li as palavras “vou tentar”, depois continuei a leitura.

“Não vale a pena revirares os olhos. Eu sei que o fizeste! Às 18h vou estar no café «Eiffel», aparece lá para discutirmos o trabalho. Pode ser menina Cullen? Até logo…Summer. P.S. – Diz ao teu namorado que peço desculpa, penso que o irritei. Não era minha intenção.”

Olhei para o meu pai e sorri.

- Sempre a pensarem que somos namorados, não é? – Disse-me ele dando uns passos na minha direcção.

- Como é que sabes?

- Quando lês estás a fazê-lo em “voz alta” no teu pensamento. Isso eu consigo ouvir. – Sorriu.

O resto do dia passou com o máximo de normalidade possível depois de se ter uma discussão com uma amiga.

- Posso saber o que raio se passa entre vocês? Porque é que não se falam? – Perguntou Cole à saída da última aula do dia.

- Mete-te na tua vida Cole. – Respondemos em uníssono.

Despedimo-nos dele à saída da universidade e percorremos juntas o caminho para casa. A casa da Jane ficava a meio do caminho para a minha. Percorremos a distância sem nos falarmos, mas quando chegamos ao cruzamento onde nos separaríamos ela decidiu quebrar o silêncio.

- Summer? – Parou no passeio e olhou para mim. Retribuí o olhar mas ainda sem lhe falar. – Desculpa. Não sabia que a questão dos teus pais era algo tão delicado para ti. Prometo que não volto a falar no assunto. Podemos esquecer isto?~

Suspirei como se tivesse mesmo irritada mas que tencionava perdoa-la. A verdade é que nunca tinha ficado zangada com a Jane.

- Só se prometeres que não vais tentar investigar nada acerca do Keith. – Lembrei-me do que Edward me tinha dito à tarde, que ela não tinha desistido da ideia.

- Prometo. – Disse-me após uns segundos de silêncio e luta interna.

Sorrimos e cada uma seguiu o seu caminho.

- Acho que desta vez ela estava a ser sincera. – Sobressaltei-me quando ouvi a voz do meu pai mesmo ao meu lado.

- Bolas! De onde é que tu apareceste?

- Por aí. – Olhou para os telhados dos prédios que nos circundavam e sorriu. – Sempre vais ter com o teu amigo?

- Primeiro, ele não é meu amigo. Segundo, sim, vou ter com ele, mas só porque não me apetece nada chumbar a esta disciplina. – Olhei de esguelha para ele, continuava a observar os prédios. Não voltamos a falar o resto do percurso.

Parei em frente ao café «Eifell» e olhei para o relógio. 17:50 marcavam os ponteiros. Entrei percorrendo as mesas com o olhar. Gavin já se encontrava sentado a uma mesa de um canto, fez-me sinal para que me juntasse a ele. Assim que o fez cumprimentou-me muito solenemente.

- Summer. – Disse com um ligeiro aceno de cabeça.

Franzi o sobrolho perante aquele gesto tão cordial. Ele estava mesmo diferente.

- Queres tomar alguma coisa? – Perguntou.

- Não estou aqui para beber nada nem para fazer tempo contigo, vim exclusivamente pelo trabalho. – Respondi.

- Muito bem. – Cruzou os braços ao nível do peito, pousando os cotovelos na mesa. – Então comecemos. Primeiro preciso de ter um pequeno cabeçalho de apresentação do objecto de estudo, por isso preciso de respondas a algumas perguntas básicas.

- Queres mesmo continuar com esse tema? Isso não tem cabimento nenhum. – Bufei.

- Olha que o professor Samberg achou-o bastante interessante. Sabes, tu és muito enigmática, e acho que até os professores querem saber mais sobre ti. – Um pequeno vislumbre do seu sorriso de gozo apareceu mas Gavin logo o eliminou e voltou a por a sua cara séria.

- Está bem. Acho que esta parte vai ser fácil comparada com o ter que te aturar durante 24 horas. – Cocei a cabeça.

- É esse o espírito. Nome completo? – Pegou na caneta e apontou o bico ao papel, pronto a tomar notas.

- Summer Swan Cullen. – Ele escrevinhou o nome.

- Data e local de nascimento?

- 29 de Março de 1990 em Forks, Washington.

- Ui, cidade chuvosa. Mesmo na primavera. – Comentou ele. Acenei com a cabeça. Como tinha dito, não estava ali para socializar.

- Sexo? Feminino, claro. – Afirmou depois de me percorrer com o seu olhar cinzento.

- Actividades físicas?

- Correr. – Respondi com um sorriso.

O inquérito continuou com perguntas básicas, como os meus gostos e o que não gosto. O que penso disto e daquilo. Coisas banais. Deixei o café por volta das 19:30 horas. Já estava escuro e o vento era frio. Apertei o casaco e cruzei os braços para me aconchegar. Posso não sentir o frio da mesma maneira que um humano sente, mas ainda assim a sensação incomoda-me. Estava a caminhar para casa mas sentia um vazio enorme dentro de mim. Comecei a pensar na saída que tivera com o Robert e principalmente no momento quando estávamos nas escadas de entrada de minha casa e me pareceu que ele me ia beijar. Quando dei por mim estava à entrada do hotel onde ele se encontrava hospedado. Parei durante uns segundos a olhar a fachada, perguntando-me como é que viera ali ter. Senti um aperto no peito. «Só quero saber se estás bem.»

Saltei para as escadas de emergência de um prédio ao lado do hotel o que me permitiu subir sem dificuldades até ao telhado. Dali conseguia avistar todas as janelas dos quartos. Sentei-me, mantendo-me oculta pelas sombras. Percorri com o olhar todas as janelas do hotel. Algumas tinham as cortinas fechadas, outras as luzes estavam apagadas. Por fim encontrei-o. Estava sentado num sofá da pequena sala do seu quarto, vestindo apenas umas calças de fato de treino. Percorria com o comando todos os canais de televisão. Nesse momento fui invadida por uma paz e um calor que me deixou plenamente confortável. Mas só aquilo não me chegava. Peguei no meu telemóvel e procurei o nome na lista, de seguida fiz a ligação.

Através da janela vi-o olhar para trás quando ouviu o seu telemóvel tocar, pousou o comando num dos braços do sofá e levantou-se. Percorreu a distância que o separava do aparelho e pegou nele. Assim que olhou para o visor sorriu e pousou uma mão sobre o peito, no lado onde bate o coração. Encostou-o à orelha.

- Olá! – Ouvi a sua voz doce através do meu telemóvel enquanto observava que ele ainda sorria.

- Olá. – Respondi, quase sem fôlego e sorrindo também.

 

***



Carolina às 21:28 | link do post

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