Quinta-feira, 23.09.10

 

 

***

- Como estás? – Perguntou Rob. Ainda tinha a mão pousada em cima do peito.

- Estou bem. E tu? – Retribui.

- Agora estou óptimo. – O seu sorriso tornou-se maior. – Já me perguntava se te tinha acontecido alguma coisa, tentei-te ligar quando cheguei ao hotel mas não atendeste.

- Sim, eu vi. Desculpa Robert. Pus-me a falar com o Edward e perdi a noção do tempo. Acabei mesmo por adormecer no sofá. – Enquanto falava ele voltou para a sala, desligou a televisão e sentou-se de novo no sofá.

- Não faz mal. E ainda bem que ligaste agora. Estava aqui a pensar… - Passou a mão pelo cabelo e despenteou-o, ainda mais. - …não queres ir beber alguma coisa?

Nesse momento alguém bateu à porta, Rob levantou-se e abriu-a. Um homem bem arranjado entrou pelo quarto e Rob fez-lhe sinal que esperasse um bocadinho, apontando para o telemóvel.

- Hum, não sei. Não tens que trabalhar amanhã cedo? – Perguntei enrugando o nariz. Eu não queria que ele me respondesse que sim e que por causa disso não iríamos sair. Depois de ter feito esta pergunta amaldiçoei-me por ela ter saído da minha boca.

- Bem, tenho. – Ele voltou a apartar o cabelo entre os dedos e virou costas para o homem que aguardava a sua atenção. Em seguida falou mais baixo. – Mas se ninguém souber, podemos ir. – Fez uma pequena pausa. – Só um bocadinho.

O homem que o esperava pareceu ter percebido do que Robert falava e avançou até ele e fez-lhe sinal negativo com a cabeça.

- Espera só um bocadinho. – Pediu-me Robert. Tapou o bocal do telemóvel para que eu não ouvisse a conversa, e nenhum ser humano a teria conseguido ouvir, mas eu consegui.

“- Nem penses que vais sair agora a noite. Os guarda-costas já recolheram. – Começou por dizer o homem.”

“- Oh vá lá. Não vou muito longe. É mesmo aqui ao virar da esquina. – Disse Rob.

“- Não, está fora de questão. Não vou arriscar outra vez a tua segurança. Já no outro dia quase ias sendo atropelado por um táxi e a distância também era de apenas um quarteirão. – O homem apertou a cana do nariz e fechou os olhos, suspirando. Robert bufou, parando um pouco para pensar.”

“- Ok. E se ela vier ter comigo aqui ao bar do hotel? Pode ser? Já nem saio do hotel. – Perguntou ele numa nova tentativa. O homem pensou durante um bocado e depois acenou afirmativamente com a cabeça. De seguida virou-lhe costas e andou até à cama.”

- Ainda estás aí? – Perguntou-me Rob, de volta ao telemóvel.

- Sim. – Sorri.

- Não vou poder sair do hotel. Problemas com a segurança. – Olhou de lado para o homem que estava sentado aos pés da cama. – Achas que há problema se ficarmos pelo bar do hotel?

- Não, acho que não há problema nenhum. Quando é que queres que apareça? – Perguntei olhando para o relógio.

- Pode ser agora? – Voltei a olhar para a janela e ele estava a olhar pela janela do quarto, para uns dois ou três andares abaixo do sítio onde eu me encontrava. Encolhi-me mais atrás do pequeno muro do raso telhado instintivamente.

- Dá-me algum tempo para chegar aí! – A minha voz tremeu um pouco com o nervosismo.

- Está bem. Vou estar no bar a ver a entrada, assim que chegares estarei preparado. E Summer?

- Sim?

- Por favor não venhas formal. – Um pequeno sorriso apareceu nos seus lábios. Senti as borboletas no estômago e podia jurar que as minhas bochechas estavam a corar.

- Está bem. Até já. – Desliguei assim que ele se despediu também.

Corri para casa o mais rápido que conseguia, pelos telhados dos prédios e depois das pequenas casas. Mas dois quarteirões antes de chegar à minha porta azul desci ao passeio e caminhei normalmente. Subi os três degraus da entrada e tirei da chave da minha mochila.

- Hey! – Alguém falou atrás de mim e estremeci com a surpresa. Virei-me para ver quem era.

- E ainda dizes que não me andas a seguir? – Franzi o sobrolho ao ver Gavin encostado ao meu portão.

- Eu não te ando a seguir! Tu é que apareces sempre à minha frente cara lin…Summer. – O seu famoso sorriso apareceu na sua cara e ele encostou-se descontraidamente ao baixo portão. Ao menos continuava a tentar, tal como dizia o seu bilhete.

- Pois, pois. Olha, tenho que ir Gavin. Adeus! – Virei-lhe as costas e tentei meter a chave na fechadura.

- Estava aqui a pensar. Se não queres adiar mais o teu trabalho, porque não tratamos de tudo já hoje à noite?

«Eu não acredito nisto.» pensei virando-me de novo para o rapaz de olhos cinzentos e cabelo negro.

- Qual foi a parte do “tenho que ir” que não percebeste? – Apontei para a porta e preparei-me para lhe virar costas novamente.

- Espera aí. Vais ter um encontro! – Afirmou ele abrindo os olhos e dando um passo em frente. – É isso mesmo, vais ter um encontro. Nada melhor para te analisar para o trabalho.

Eu estava incrédula sem saber o que fazer, ou dizer. Este miúdo não podia ser normal. Ele queria-me acompanhar num encontro? Mas que raio!? Então tive um ideia brilhante. Vou fazer o que sei fazer melhor.

Fiz com que Gavin pensasse que eu tinha resfolegado, que lhe tinha virado as costas e sem querer saber mais dele tinha entrado em casa, batendo a porta atrás de mim. Na realidade, continuava especada em frente à porta a observá-lo. Durante todo o processo ele ficou a olhar para mim sem se mexer e sem abrir a boca. Mesmo depois de eu ter batido com a porta ele ficou ali a olhar, sem se mexer. Quando pensava que tinha falhado com o meu poder e que ele ainda me continuava a ver ali à sua frente, Gavin suspirou e olhou para o chão. Largou o portão e encarou a rua, escura e deserta. O seu sorriso desaparecera, assim como a sua posse descontraída. Podia jurar que via tristeza no seu olhar e…receio? Ele caminhou pela rua e eu entrei em casa. Ainda fiquei um pouco a relembrar o seu olhar. Era uma faceta de Gavin que não conhecia e pelos vistos ele não queria que eu conhecesse, pois esperou tempo suficiente para se certificar que eu não o estava a espreitar.

Avancei para as escadas e olhei de relance para o sofá da sala. O meu pai estava sentado, completamente às escuras. Ele tinha ouvido tudo o que se passara lá fora, de certeza. Aproximei-me dele.

- Porque é que estás às escuras? – Perguntei-lhe, parando em pé a alguns metros.

- Consigo pensar melhor. – Respondeu Edward sem olhar para mim.

- E, em que pensas? – Estava a tentar fazer conversa, mas com vontade de sair de casa o mais depressa possível para ir ter com o Robert.

Ele olhou para mim sem me encarar realmente. A sua visão estava um pouco desfocada.

- És mesmo parecida com a tua mãe. – Disse-me finalmente. Não entendi o que ele queria dizer com aquilo mas não tive vontade de perguntar. Esperava que ele desenvolvesse o que tinha dito. Mas não o fez. – Amanhã vou a Forks. Queres vir comigo?

- Amanhã é quinta, ainda tenho aulas. Nesta altura não posso faltar. – Ele acenou com a cabeça e voltou a olhar na direcção da televisão apagada.

Subi as escadas para o meu quarto. Ainda não tinha tomado banho naquele dia, mas tinha sorte em não transpirar. Mudei apenas de camisola, para uma mais feminina e apanhei o cabelo desalinhado num rabo-de-cavalo. Dirigi-me à porta de saída.

- Vou sair durante um bocadinho. Se precisares de alguma coisa liga para o meu telemóvel. – Parecia-me estar a falar para uma sala vazia, apesar de conseguir ver o meu pai no escuro.

Percorri o caminho em direcção ao hotel a pensar no olhar de Gavin e na reacção do meu pai. O que será que ele queria dizer com “ És mesmo parecida com a tua mãe?”. E porque razão o Gavin modificou tanto assim que o deixei sozinho, ou pensava ele que eu o tinha feito?!

Cheguei ao hotel e entrei para o grande e dourado lobby. Olhei para os empregados, mas encontravam-se atarefados com um grupo de turistas que fazia o check-in. Procurei sozinha o bar e esperei que ninguém viesse ter comigo para me fazer perguntas. Mas não foi preciso muito tempo, assim que me virei na direcção do corredor que me levaria onde eu queria vi Robert. Vestido com umas calças de ganga pretas e uma t-shirt branca, lisa, caminhava descontraidamente na minha direcção. Com um sorriso no rosto e as mãos escondidas atrás das costas. Sorri na sua direcção mas por algum motivo não me conseguia mexer. Ele parou mesmo em frente a mim e senti o seu perfume misturado com o doce do seu sangue. Engoli em seco devido à proximidade. Ele tirou a mão esquerda de trás das costas e vi que segurava uma tulipa vermelha. Deixei que a minha boca se pendesse num pequeno “O” de admiração.

- Não tinham rosas a esta hora. – Disse-me ele com suavidade. O seu hálito quente bateu-me na cara e fechei os olhos por um momento.

- Ainda bem. – Respondi, pegando na flor e deleitando-me com o seu aroma.

- Vamos? – Apontou para o bar, no fundo do corredor.

Acenei afirmativamente com a cabeça e com uma mão pousada no fundo das minhas costas, Robert encaminhou-me na sua direcção.

***

 



Carolina às 21:09 | link do post

De Suzy a 24 de Setembro de 2010 às 18:12
Como sempre está um espectaculo!!!
Bjs


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