Sábado, 09.10.10

 

 


VIII

Quando saí do banho o meu pai ainda não tinha chegado a casa. Vesti um fato de treino cómodo e desci até à cozinha. Um copo de leite morno sempre me tinha deixado aconchegada, e neste momento era disso que precisava. Sentia algumas dores no pescoço e no meu braço direito que tinham sido obrigados a esticarem-se até uma forma pouco natural. Mas a minha única preocupação era Gavin. Depois de ter preparado a minha chávena de aconchego sentei-me no sofá da sala escura e esperei por Edward.

Estive duas horas à sua espera antes de adormecer. Mais uma vez acordei com o sol que entrava pela janela a bater-me na cara, mas ao contrário da última vez o meu pai não estava comigo.

- Edward? – Chamei, ainda com a voz rouca de sono.

Não obtive resposta. Olhei para a mesa de apoio e a minha chávena do leite tinha sido levada. Levantei-me e fui à cozinha. Lá estava ela, lavada e a escorrer. Isso indicava que ele tinha voltado para casa durante a noite, mas porque razão não estava lá?

Comecei a ouvir vozes vindas do exterior, da frente da minha casa. Abri a porta e deparei-me com toda a minha família. Carlisle, Jasper, Alice e Edward estavam junto à entrada da garagem a falar entre eles num círculo apertado. As suas caras mostravam dúvida e incompreensão. Esme, Rosalie e Emmet estavam um pouco mais afastados mas ainda assim a cochichar. E, sentado no muro exterior da minha casa, mesmo no decorrer da porta de entrada estava Jacob. Tenso e irritado olhava de lado para o grupo junto à garagem. Assim que me viram todas as expressões se suavizaram e adoptaram um aspecto normal e convidativo, apenas a de Jake não se alterou. Mal me encarou, saltou do muro e em passos largos cobriu a distância entre nós. Ainda sem parar, chocou contra o meu corpo, o que me fez perder um pouco o ar, e envolveu-me num abraço apertado.

- Jake? – Disse com alguma dificuldade. – Jake, estás a…sufocar-me!

- Como se isso fosse possível! – Respondeu ele, ainda sem me largar do seu forte aperto. Depois afastou-se e agarrou-me os ombros com as mãos. – Onde é que tinhas a cabeça?

Pisquei os olhos perante a raiva de Jacob.

- O que…? Eu não…! – Gaguejei.

Ele voltou a envolver-me nos seus braços mas desta vez sem me apertar tanto.

- Podias já não estar aqui agora, Ervilha. – A raiva na sua voz tinha passado e as suas palavras continham dor.

- Está tudo bem. Eu estou aqui. Não aconteceu nada. – Disse reconfortando-o.

- Não estarias se o Edward não tivesse… – A rispidez voltara á sua voz.

- Jacob, já chega! – Falou o meu pai atrás dele. Jake largou-me e olhou para ele. – Tenho a certeza que a Summer já aprendeu a lição.

Todos os olhares caíram novamente sobre mim e senti que aguardavam uma resposta, mesmo sem me ter sido feito alguma pergunta.

- Claro que sim. – Acabei por dizer. Sorri para aliviar alguma tensão.

Convidei toda a gente a entrar e cumprimentei-os um a um. Não via qual a necessidade de virem todos até Nova Iorque mas não podia dizer que não estava contente por os ter ali. Por alguma razão Jacob continuava a olhar desconfiado para Alice, que parecia estar a martirizar-se interiormente com alguma coisa que eu não sabia qual. Jasper estava sempre ao seu lado, com um braço no seu ombro, envolvendo-a. Ocasionalmente Esme passava por Alice e dava-lhe um carinho, algumas palavras de conforto. Tentei ignorar o assunto o mais que pude, até porque estava visto que não queriam falar sobre isso, mas ao fim de umas horas de puro silêncio em que alguém da minha família olhava para mim e desviava o olhar quando o encarava ou então soltava um sorriso amarelo, já não aguentei mais.

- Alguém me quer explicar o que se passa aqui? – Passeio o olhar por todos os rostos presentes na sala mas ninguém se prenunciou.

- É óbvio que se passa mais alguma coisa para além do que aconteceu ontem à noite. – Alice encolheu-se involuntariamente. – Só não sei porque ninguém me diz nada!? – Mais uns momentos de silêncio. – Alice? – Tentei.

- Eu acho que ela tem o direito de saber. – Falou Jacob baixinho. O meu pai deitou-lhe um olhar mortífero.

- Eu também acho! Até porque não se resolve se ela não souber! – Acabou por falar Carlisle. Sentou-se junto a mim. – Summer, já há algum tempo que a Alice tem tido dificuldades em prever o teu futuro com antecedência. E o pior aconteceu ontem à noite. Por pouco não conseguíamos avisar o Edward a tempo de te salvar.

Olhei para Alice que parecia estar à beira de um ataque de choro.

- Foi bastante perturbador Summer. – Disse Alice. – Estava a ter a visão mas ao mesmo tempo a saber que se estava a passar na altura.

- Mas, porquê? – Perguntei confusa.

- Pensamos que seja por estares a conviver com humanos à tanto tempo. Talvez a tua parte humana esteja a fazer interferência com as visões da Alice. – Carlisle voltara a falar.

- Como é que isso é possível? – Na minha cabeça não fazia o mínimo sentido.

- Não sabemos. E até porque nunca conhecemos ninguém tão único como tu. – O meu avô passou-me a mão pelo cabelo.

«Uma aberração.» pensei.

- Achamos que o mais seguro para ti é deixares Nova Iorque e voltares para Forks.

As palavras de Carlisle fizeram com que o meu coração se apertasse. Estavam a pedir-me que regressasse. Que deixasse para trás a universidade, a minha casa, os meus amigos…Robert!

- Não! – Disse com a voz firme.

Todos ficaram a olhar para mim. Nunca, até agora, tinha desobedecido à minha família, ou negado o que quer que fosse que eles achassem que era melhor para mim.

- Não vou sair de Nova Iorque. Toda a minha vida está aqui.

- A tua vida está em Forks, Summer. – Disse Edward com um tom grutural.

- Não Edward. – Encarei-o com firmeza. – Só comecei realmente a viver quando vim para esta cidade. Foi aqui que planeei o meu futuro, foi aqui que fiz amizades com humanos pela primeira vez, foi aqui…que te encontrei. Não posso agora sair da cidade que me devolveu tanta felicidade. – Passei o olhar por toda a minha família e com a voz num tom suave terminei. – Peço imensa desculpa a todos, sei que só querem o meu bem, mas eu não vou sair de Nova Iorque.

- Mas Summer…- Começou por dizer Esme.

- Não, Esme. Eu não peço que compreendam o meu pedido, apenas que o respeitem. – Dito isto sai de minha casa deixando todos para trás.

Segui directa ao hospital para ver Gavin. Depois de algumas perguntas lá encontrei o seu quarto. Estava deitado na cama, adormecido devido ao efeito dos medicamentos para as dores, com um tubo enfiado pela garganta, agarrado a uma máquina que o ajudava a respirar. Aproximei-me da cama e passei-lhe os meus dedos pelas costas da sua mão. Como previsto, não obtive nenhuma reacção. Abri um pouco mais os estores e deixei que a luz matinal invadisse o quarto. Reparei que não tinha flores ou balões, aliás, o quarto não mostrava sinais de ter sido visitado por familiares. Decidi sentar-me num pequeno sofá que se encontrava encostado ao canto à espera que alguém aparecesse para o visitar. Só me sentia bem deixar o seu quarto se alguém estivesse com ele. Uns minutos depois o meu telemóvel começou a tocar. Atendi sem olhar para o visor.

- Sim? – Perguntei.

«Summer?» – A voz do outro lado ofegava.

- Sim, sou eu… - Um momento de pausa. – Robert?

«Oh, graças a Deus que estás bem.» – O alívio na sua voz era notável

- Sim, está tudo bem. O que se passa?

«Tive um sonho horrível.» - Ele tentava recuperar o fôlego e percebi que tinha acabado de acordar desse sonho. Sorri com a ideia de ele ter sonhado comigo, mesmo que tenho sido um pesadelo.

- Queres partilhar? – Continuava a sorrir.

«Sonhei que depois de teres saído daqui ontem à noite tinhas sido atacada num beco.» - O meu estômago apertou-se com a lembrança do ataque da noite passada.

- Ah sim? – Tentei manter a voz calma.

«O teu atacante era muito estranho, movia-se muito rápido e tinha uma cor de olhos esquisita. Já não me lembro bem da cor, mas sei que não era normal. Depois, e não sei porquê, ele ia morder-te o pescoço. Acordei nessa parte.»

Eu mantinha-me em silêncio, demasiado assustada e confusa para dizer o que quer se fosse.

«Eu sei que é um sonho estúpido. Desculpa se te assustei quando te liguei.» - Rob soltou uma gargalhada.

Deixei soltar uma leve risada também.

- Não tem mal. Volta a dormir, pode ser que agora tenhas um sonho bom. – Despedimo-nos novamente e desliguei o telemóvel.

«O que raio acabou de acontecer?» pensei olhando para Gavin.

***



Carolina às 21:57 | link do post

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