Quinta-feira, 04.11.10

 

 


***

À noite ninguém tocou no assunto de me quererem de volta a Forks! Conversamos tranquilamente, rimos e fizemos jogos. Pela primeira vez em muito tempo estava com a família com quem tinha crescido, mas agora ainda melhor, o meu estava comigo. Jake relembrou a toda a gente a história de quando eu tinha seis anos, idade humana, de chegar junto da matilha e dizer que também era uma loba. «À sim? Então prova lá isso!» tinha-me dito Sam. Da minha mochila tirei um casaco castanho com carapuço e um colete de pêlo que tinha “roubado” à Esme e vesti-os, com o colete por cima. Quando pus o carapuço na cabeça este tinha umas orelhas cozidas no topo. Ao verem a minha figura todos desataram a rir e eu, contente por ter conseguido a sua atenção, comecei a uivar e a ladrar, tal como eles faziam nas suas formas gigantes.

Ouviram-se gargalhadas lá em casa quando o meu melhor amigo acabou de contar aquela história. Eu estava com vergonha por ele se ter lembrado disso e tive que lhe dar um safanão no braço para ele não contar mais. O meu pai ria-se despreocupadamente e os seus olhos brilhavam a cada história que alguém decidisse relembrar. A minha pequena casa de porta azul estava cheia e eu gostava que o sentimento de felicidade nunca mais desaparecesse.

O dia amanheceu bonito. O sol lançava os seus raios pela janela do meu quarto e iluminava o espaço. Quando acordei, Edward estava deitado ao meu lado.

- Bom dia! – Disse com uma voz de sono, enquanto bocejava e me espreguiçava.

Ele rolou na minha direcção, apertou-me contra o seu peito durante uns segundos e beijou-me a testa.

- Bom dia filha! Vou-te preparar o pequeno-almoço. – E com isso saiu do meu quarto com um sorriso na cara.

Franzi o sobrolho perante a sua saudação matinal. Mas decidi ignorar o facto. Levantei-me e fui tomar um banho. Vesti uma coisa confortável, calças de ganga e t-shirt e apanhei o cabelo com um rabo-de-cavalo alto. Ao abrir o guarda-vestidos olhei para o colete de pêlo que outrora pertencera à Esme e que tinha feito rir muita gente na noite passada. Passei a mão pelo pêlo suave e sorri.

- Bom dia ervilha. – Jacob estava encostado à porta do meu quarto, de braços cruzados e envergando umas calças de ganga coçadas e uma t-shirt castanha.

- Olá Jake. – Cumprimentei-o.

- Eu não sei o que fizeste ao teu pai mas fá-lo outra vez, o cheiro que emana da cozinha é divinal.

Descemos os dois as escadas fazendo uma corrida a ver quem chegava primeiro à cozinha. Rompemos pela porta dentro, eu a rir à gargalhada e o Jacob, mais atrás a repreender-me!

- Hey, não vale utilizares os teus poderes para eu entrar na dispensa a pensar que era a cozinha. – Dizia ele de dedo espetado na minha direcção.

- Tu não disseste que havia regras. – Fiz-lhe uma careta mostrando-lhe a língua.

- Coisinha. – Resmungou Jake entre dentes.

- Bola de pêlo. – Respondi-lhe da mesma maneira.

- Quem quer as primeiras panquecas? – Falou Edward interrompendo a nossa discussão.

- Eu!! – Gritamos os dois ao mesmo tempo enquanto nos sentávamos à mesa.

O meu pai serviu-nos as panquecas e quando me preparava para espetar o garfo na primeira o meu prato desapareceu da minha frente.

- Hey! – Resmunguei franzindo o sobrolho.

Emmet estava encostado à parede da cozinha, perto da entrada para a sala com o meu prato na mão. Cheirou a panqueca e torceu o nariz.

- Como é que consegues comer esta porcaria? – Disse fazendo uma careta.

- Não faças caretas para a minha panqueca Emmet, vais assustá-la. – Todos em redor começaram a rir. Tinha a família toda na cozinha, e aqueles que não cabiam nela estavam a espreitar pela porta da sala.

Esta era uma manhã típica de quando vivia em Forks. Sempre alegre, sempre algo a acontecer, e esta sensação estava a fazer estragos na minha barriga. Como tinha saudades de todos eles. Iriam apanhar o avião de regresso a casa nessa mesma noite. Tinha poucas horas para estar com eles e o meu pai também iria. Precisava de caçar e ia aproveitar para trazer algumas coisas lá de casa. Mas Jacob ficaria comigo.

- Era só o que me faltava. – Resmunguei por entre dentes e ele deu-me um cachaço.

Com um sol daqueles estavam todos destinados a passar o Sábado em casa, mas eu tinha que ir ao hospital ver Gavin.

- Vou contigo, não me apetece ficar em casa com um dia destes. – Eu sabia que Jake já não aguentava o cheiro e uma prova disso era ele andar sempre a coçar o nariz ou com ele enrugado.

Dirigimo-nos para o hospital no meu carro. Quando lá chegamos ele esperou na sala de espera enquanto eu subi ao quarto. Bati à porta e empurrei-a devagar. Gavin estava acordado, sentado na cama com as costas muito direitas a ver desenhos animados na televisão enquanto bebia leite e comia um pão com alguma coisa. Já não tinha nenhum tubo agarrado a si.

- Então cara linda, bons olhos te vejam. – Cumprimentou-me enquanto os seus olhos me percorriam da cabeça aos pés.

- Vejo que já estás melhor. – Ironizei.

- Estou à espera que o médico venha ao meu quarto para me dar alta. Estava a pensar em vestir-me. – Sorriso de lado. – Talvez me queiras ajudar.

- Estou certa que encontraremos alguma enfermeira que te possa dar uma mãozinha. – Aproximei-me da sua cama. – Como te sentes?

- Bem melhor. – Disse dando mais um gole no leite. – Só não consigo respirar fundo. Ainda está um pouco dorido. Mas posso ir para casa, o que já não é… - Fez uma pausa. - …mau.

Ouviu-se um bater ao de leve na porta do quarto e Kaden entrou seguido por uma mulher, um pouco mais baixa que eu, de cabelo castanho ondulado a tocar na cintura e olhos azuis muito claros. Olhou para mim e sorriu ligeiramente com algumas rugas a aparecer nos contornos da boca e dos olhos. Tinha um ar cansado.

- Olá! – Cumprimentou-me Kaden, sorrindo para mim. Reparei que lhe faltava um dente da frente.

- Olá Kaden. Perdes-te alguma coisa? – Perguntei com um sorriso.

Ele colocou o indicador no espaço vazio na gengiva.

- Caiu. – Disse todo entusiasmado. – Olá Mano! – Correu na sua direcção e Gavin baixou-se um bocado para lhe dar um abraço e pegar nele. Assim que tentou puxar o irmão para cima encolheu-se de dores.

- Pára com isso Gavin, ainda vais fazer pior. – A mulher dirigiu-se a Kaden, pegou-o ao colo e colocou-o em cima da cama. De seguida deu um beijo na testa de Gavin.

- Olá mãe. – Disse ele com um sorriso.

- Então meu filho, como te sentes? – Ela estava tentar alinhar o cabelo de Gavin.

- Estou bem. Esta é a Summer. – Disse enquanto estendia um braço na minha direcção.

- Bom dia. Como vai? – Cumprimentei cordialmente.

- Bem obrigada! É amiga do Gavin? – Mais um sorriso cansado.

- Sim. Andamos na mesma turma. – Sorri.

- Mãe, a Summer ensinou-me que o caixote de reciclagem azul é o da esquerda. – Kaden sorriu orgulhoso.

- Bem, agora que estás acompanhado o melhor é eu ir-me embora. – Disse para Gavin. – Tenho um amigo na sala de espera e fiquei de lhe mostrar a cidade. – Gavin acenou-me com a cabeça mas nada disse. – Muito bom dia. – Despedi-me de todos e sai do quarto de hospital.

Queria perguntar a Gavin do que ele se lembrava daquela noite mas não tive oportunidade. «Só espero que ele não diga nada.» pensei.

Jacob e eu caminhamos pela baixa da cidade de Nova Iorque. Mostrei-lhe todas as minhas lojas preferidas e o que achava de mais importante na cidade. Ele sentia-se estranho por estar sempre rodeado de pessoas. Algumas mulheres e adolescentes chegavam mesmo a parar quando nós passávamos só para poderem dar uma melhor olhadela a Jake, o que o deixava bastante desconfortável mas vaidoso. Entramos em algumas lojas onde lhe comprei algumas roupas, principalmente calças, porque ele estava sempre a rasgá-las quando se transformava e se esquecia de as tirar. Estávamos a caminhar descontraidamente, cada um com dois ou três sacos nas mãos, falamos de coisas sem importância quando ao virar da esquina avisto Jane.

- Está ali uma amiga minha. Anda! – Convidei Jake a seguir-me.

Aproximei-me pelas suas costas sem ela dar conta e assustei-a. Jane deu um salto e um pequeno gritinho. Como sempre, estava vestida de preto, com uns leggings pretos, um vestido justo preto, com apliques metalizados e umas botas pretas.

- Que susto me pregaste Summer! Estava pronta a dar-te um pontapé. – Disse com uma mão a afastar as repas.

- Desculpa, mas apeteceu-me mesmo fazer-te isto. – Dava pequenas risadas de contentamento. Jane estava a olhar por cima do meu ombro com a sua cara típica de «mas que raio?».

- O teu amigo está a sentir-se bem? – Perguntou-me ele enquanto dava um pequeno sinal com o queixo apontando para trás de mim.

- Ah pois, Jacob esta é a Jane. Jane este é o meu amigo Jac… - Assim que olhei para ele as palavras fugiram-me da boca. Jacob estava a olhar fixamente para Jane, com os olhos arregalados e a sua boca estava ligeiramente aberta. Fez-se um click na minha cabeça quando reconheci a expressão e soube exactamente o que se estava a passar.

- Oh não. – Murmurei baixinho para os meus botões.

***

 



Carolina às 21:23 | link do post

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